F1: Vale a pena regressar aos reabastecimentos?
A proposta do regresso aos reabastecimentos surpreendeu e poucos seriam os que imaginaram que dez anos depois se voltaria a falar deste tema para a F1 do futuro.
Os reabastecimentos voltaram a ser falados, depois de Jean Todt ter dito que talvez pudessem ser solução para resolver o problema da falta de competitividade da F1. Apesar da próxima regulamentação ter uma importância crucial no futuro da modalidade e todas as ideias merecerem pelo menos alguma reflexão, os reabastecimentos são vistos de forma negativa e com alguma lógica.
O passado é sempre visto de forma nostálgica e é essa nostalgia que retira algum discernimento à avaliação. As corridas eram melhores com os reabastecimentos? Em geral não. Com reabastecimentos, cada equipa escolhe a forma mais rápida de fazer a distância de corrida, apenas tendo em conta o combustível. Como os carros vão estar mais leves a questão da degradação dos pneus não se coloca e os pilotos vão poder andar sempre a fundo. Em teoria é interessante, mas na prática não traz as corridas entusiasmantes que queremos, e pior que isso, reduz o número de ultrapassagens em pista e a variabilidade estratégica.
Paul Monaghan, engenheiro da Red Bull confirmou isso mesmo:
“Se eu confiar na minha memória e no trabalho de simulação feito com a Red Bull, acho que as estratégias das equipas seriam todas idênticas, porque não teríamos um carro que perde peso à medida que a corrida progride. Seria como um reset a cada paragem. Escolheríamos a solução mais rápida para correr, os pit stops durariam um pouco mais e todos faríamos o mesmo nas paragens. “
James Allison, responsável técnico da Mercedes tem a mesma opinião:
“As estratégias de reabastecimento são mais previsíveis e permitem menos variação nas corridas e menos surpresa do que no caso oposto. Porque com o reabastecimento, devemos parar na volta em que o combustível acaba, ou uma volta / duas voltas antes, e todos saberão que volta será. Não haverá surpresa relacionada com undercut ou overcut, como acontece com as regras atuais. “
Usando reabastecimentos, teríamos menos ultrapassagens em pista, menos variabilidade e o espectáculo não seria beneficiado. Em 2015 os reabastecimentos foram falados de novo e colocados na gaveta por receios ao nível da segurança e dos custos. Estimou-se então na altura que seria necessário um investimento de 1 milhão de dólares para introduzir a tecnologia, o que numa F1 que quer ser mais barata não faz sentido.
Temos então já dois argumentos de peso para ir contra a medida: custo e rentabilidade. Se o espectáculo não vai melhorar, será que vale a pena o esforço?
Por fim e como não poderia deixar de ser… a segurança. Jeremy Clarkson recentemente (à sua maneira) que a F1 deveria baixar os níveis de segurança. Embora custe admitir, a busca pela segurança pode ter retirado alguma da magia que a F1 tinha. Mas o tal “diminuir da segurança” se alguma fez for feito, terá de se focar nas pistas, no regresso das caixas de gravilha ou da relva a ladear as pistas. As pistas ditas clássicas, como Silverstone, Montreal, Spa, Monza, entre outras, continuam a dar excelentes espectáculos, independentemente dos carros, porque além de traçados abençoados, não perdoam erros, ao contrário do acontece em Paul Ricard e outras das pistas mais recentes.
Com os dados referidos, parece inútil colocar os mecânicos em perigo com os reabastecimentos desnecessários. As paragens nas boxes são parte do espectáculo e a F1 não deve prescindir delas, mas tal como elas estão, têm o nível de interesse estratégico e técnico ideal para o que se pretende. Ninguém tem vontade de ver um carro a arder por uma falha numa válvula.
A três meses da entrega dos regulamentos, é algo triste termos de assistir a um atirar opiniões para o ar em busca de soluções, quando se esperavam medidas minimamente estruturadas. Mas se é um “brainstorming” que se pretende, que se avaliem todas as soluções, incluindo os reabastecimentos. Mas parece difícil que uma técnica que foi banida há dez anos, com argumentos sólidos, que já saiu da gaveta para depois voltar para lá poucas semanas depois, seja a solução para o espectáculo que queremos.
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