“O que é ultrapassar?” foi desta forma que Filipe Massa respondeu a um jornalista no domingo após o Grande Prémio da Austrália. É verdade que o Albert Park nunca foi muito conhecido pelas suas ultrapassagens, mas este ano ainda foi pior do que o habitual. “É difícil de pilotar próximo de outros pilotos”, disse Max Verstappen, que como sabemos é especialista em ultrapassagens. Sergio Perez, da Force India, foi dos poucos a conseguir fazer ultrapassagens na prova australiana. O mexicano ultrapassou os dois Toro Rosso. “Não é fácil ultrapassar, mas quando estava sem ninguém à frente senti-me muito bem; pilotar estes carros é muito mais divertido, podes puxar muito mais pelo monolugar”.
Esta dificuldade em ultrapassar não surpreendeu Lewis Hamilton, que já em Barcelona tinha avisado para este problema. Os monolugares têm mais apoios aerodinâmicos que fazem com que possam ser mais rápidos mas também que criem mais turbulência no ar, dificultando quem vem atrás. “Mesmo nos anos antes já se tornava difícil pilotar próximo dos outros pilotos, 1.5s a 1s de distância já causa distúrbios na aerodinâmica e isto causava-nos muitas dificuldades”, explicou Valtteri Bottas. “Mas agora ainda está pior. Aos 2s ou 2.5s já começas a sentir diferenças no monolugar, principalmente nas curvas, onde é ainda mais difícil estar próximo”, continuou o finlandês.
Em 2016 em Xangai existiram 128 ultrapassagens, o recorde da temporada passada e um número bem diferente das 20 que aconteceram em Melbourne. E menos ultrapassagens pode ser um problema para a F1. “É sempre muito difícil estar perto de outro monolugar. Espero que isto não signifique que o resto da temporada seja assim, como um comboio. Não sei se é bom para o espetador, mas eu quero estar mais próximo dos outros pilotos e poder ter mais batalhas ‘pneu com pneu’. Agora é só estratégia e boxes”, disse Hamilton. A batalha mais animada na Austrália foi entre Ocon, Hulkenberg e Alonso, com os dois pilotos a tentarem ultrapassar Alonso. “Mesmo sendo muito mais rápido que ele não o conseguia ultrapassar. A luta foi muito divertida, dei tudo o que tinha, mas não conseguia por nada. De fora também deve ter sido giro”, disse Hulkenberg. Ocon também falou sobre esta batalha a três. “Passei quase a corrida toda a lutar contra o Fernando porque ficamos lado a lado durante a primeira volta. Ele conseguiu ficar à frente, e tive de o tentar ultrapassar o resto do Grande Prémio, mas nunca conseguia estar perto o suficiente para atacar”, afirmou o francês da Force India.
Rodrigo Fernandes











