A Ferrari enfrenta uma das temporadas mais difíceis da sua história recente, marcada por zero vitórias, erros técnicos recorrentes e tensões internas. Com apenas seis Grandes Prémios por disputar, a Scuderia ocupa o terceiro lugar no Campeonato de Construtores e vê a Red Bull cada vez mais próxima. Há sinais cada vez mais claros de pressões internas, instabilidade e tensão crescente.
O que motiva esta crise?
O SF-25 revelou-se uma desilusão. Apesar dos bons indícios iniciais, o monolugar revelou-se incapaz de gerar o downforce necessário, sendo necessário uma altura ao solo que deixa a equipa exposta a desgaste excessivo da prancha do fundo do carro, o que motiva desclassificação. São também claros os problemas estruturais e de afinação que persistiram ao longo da época. As constantes intervenções para evitar o desgaste excessivo da prancha — após a desclassificação dupla na China — mostraram-se insuficientes. A Ferrari implementou uma suspensão traseira alterada no primeiro terço da temporada para minimizar os problemas mas os resultados, apesar de positivos não foram suficientes. A equipa terá também apostado em alterar a zona dos ductos de travões, motivo pelo qual a performance foi afetada em Singapura (ambos os pilotos tiveram de poupar no uso de travões e Lewis Hamilton ficou sem travões no fim da corrida).

Execução das corridas motiva críticas
É um problema já com algum tempo. A Ferrari tem revelado crónicas dificuldades na execução das corridas e nas opções táticas e estratégicas. Segundo o Corriere della Sera, a coordenação técnica na pista, liderada por Matteo Togninalli, está sob forte escrutínio. Apesar de a Ferrari negar conflitos diretos entre Togninalli e o chefe de equipa, Frédéric Vasseur, a relação entre a engenharia de Maranello e as operações em pista tem sido apontada como uma das principais fragilidades. A gestão demasiado centralizada e a falta de flexibilidade nas decisões têm limitado a capacidade de reação da equipa, sobretudo em sessões de qualificação, onde a leitura rápida das condições é essencial.

Hamilton pede mudanças
Como esperado, a entrada de Lewis Hamilton na equipa trouxe mais pressão para todos: para o piloto e para a estrutura. Hamilton tem insistido na necessidade de mudanças nos métodos e processos, enviando mesmo relatórios à direção. O britânico sente-se frustrado por não ter voz nas decisões técnicas e por enfrentar o que descreve como “políticas internas” que travam melhorias — um cenário que contrasta com a sua experiência na Mercedes.
Problemas com a FIA e saídas iminentes
Além das dificuldades operacionais, surgem rumores de atrito com a FIA, devido às inspeções frequentes aos monolugares da Scuderia, o que levou a equipa a adotar uma postura excessivamente conservadora. Nos bastidores, fala-se também de saídas iminentes de técnicos experientes, agravando a instabilidade num momento em que a Ferrari deveria preparar-se para 2026, um ano crucial para o futuro de Charles Leclerc e para o próprio projeto desportivo de Maranello.
Em suma, a Ferrari atravessa uma crise estrutural em que erros técnicos, falhas organizacionais e divisões internas se conjugam para comprometer o desempenho. A poucos meses de uma nova era na Fórmula 1, o Cavalo Rampante parece precisar, mais do que nunca, de uma reorganização profunda e coerente.

Fim de ciclo para Charles Leclerc?
Um dos maiores sinais da instabilidade é Charles Leclerc. O monegasco sempre sonhou correr na Ferrari e, neste momento, cumpre o seu sonho. Mas também sonha com um título mundial e cada vez mais se nota um desgaste crescente e os rumores de que Leclerc poderá espreitar outras opções são a prova que algo está a acontecer. Numa altura em que o foco está em 2026 e na janela de oportunidade que oferece, quer do lado do chassis, quer do lado da unidade motriz, esta tensão não contribui para um arranque forte na próxima temporada.
Foto: MPSA / Philippe NANCHINO










