F1: Red Bull mais perto do que sempre desejou

Por a 22 Fevereiro 2021 17:30

A Red Bull deu um passo maior do que se possa imaginar ao ficar com os direitos dos motores Honda de 2022 até 2025, que pode mudar o futuro da equipa.

A Red Bull tornou-se numa das maiores equipas da F1, graças ao poderio financeiro do grupo que lhe dá o nome e ao trabalho bem feito que ao longo do tempo tem dado vitórias e títulos.

Ninguém diria que 15 anos após comprar a Jaguar, a Red Bull se tornaria numa das equipas mais bem sucedidas da F1. Em 16 épocas no Grande Circo a Red Bull ficou apenas cinco vezes fora do top3, sendo quatro vezes campeã do mundo, e quatro vezes, vice-campeã. Em 303 GP conquistou 64 vitórias, 63 poles e 183 pódios. Números que ajudaram a equipa a tornar-se numa das melhores.

O segredo do sucesso da equipa passou pela qualidade dos chassis que foi produzindo graças ao génio de Adrian Newey. Newey tornou-se numa das peças da engrenagem da equipa e o seu trabalho e da sua equipa permitiu que a Red Bull dominasse de 2010 até à chegada da era híbrida. A Red Bull sempre foi capaz de criar bons chassis mas tinha uma fraqueza no seu arsenal… o motor.

Enquanto a Renault foi apenas fornecedora de motores, esse problema não se colocava e a Red Bull chegou a ter tratamento especial por parte da construtora francesa. Mas a relação azedou com a entrada das unidades híbridas, de tal forma que a Renault entrou na F1, quase que para provar a sua valia, depois de críticas sucessivas dos responsáveis da Red Bull nos primeiros anos da era híbrida.O divórcio acabou por ser inevitável, mas a Red Bull tinha debaixo de olho a Honda, aproveitando a ideia de Ron Dennis que era fazer da Honda a fornecedora exclusiva da equipa, trabalhando na prática como equipa oficial, com a Honda a fazer as unidades à vontade dos britânicos.

O “namoro” da Red Bull à Honda foi feito de forma delicada com a equipa a tentar apagar a má imagem que os japoneses deixaram no trabalho feito na McLaren. E quando finalmente os frutos desse namoro começavam a ser colhidos, a Honda anunciou que iria sair da competição em 2022.

A Red Bull trabalha ao nível das melhores equipas (Mercedes, Ferrari) mas ao contrário delas, está sujeita aos “caprichos” dos fornecedores de motores. Com a criação de um departamento de motores soluciona aquele que é o seu “calcanhar de Aquiles”.

A criação do departamento permite manter “em casa” muito do staff técnico que teria de ser dispensado à luz do limite orçamental. Além disso, permite à equipa dar um passo há muito desejado… independência total. A Red Bull não vai fazer este esforço apenas para ter motor até 2025. A ideia deve passar por criar a base para que a equipa possa fazer as suas próprias unidades propulsoras já em 2025. Esta primeira fase serviria de “estágio” com um motor já desenvolvido, que apenas necessita de ser mantido. A Red Bull terá assim quatro anos para preparar a sua estrutura e fazer o seu primeiro motor, que à luz do que se pretende no novo regulamento deverão ser mais baratos e simples de fabricar. A Red Bull poderá ganhar em vários campos: deixa de depender da vontade de terceiros, pode desenhar a unidade motriz ao seu gosto para facilitar a integração no chassis e assim ter mais vantagem a nível aerodinâmico e poderá ganhar mais força no xadrez da F1, podendo fornecer outras equipas privadas. Debaixo de olho estará a forma como se trabalha em Brixworth, onde a Mercedes cria os seus motores, um departamento que tem dado lucro nos últimos anos e cuja capacidade técnica tem sido canalizada para outros projetos, como a Fórmula E.

O passo da Red Bull pode parecer arriscado, mas é muito interessante para a equipa que pode melhorar em vários aspetos e poderá ganhar mais força dentro e fora de pista.

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