F1: Que conclusões tirar dos Testes de Barcelona?
Ainda vale a pena cair na tentação de tirar conclusões dos testes de pré temporada? Sim. Apesar de corrermos o risco de estar redondamente errados, há tendências que podem e devem ser mostradas, ressalvando sempre que no próximo teste no Bahrein, poderemos ter um cenário diferente. Por exemplo, a Mercedes e a Red Bull deverão apresentar versões revistas dos monolugares, o que a maioria das equipas irá fazer. Como tal tudo pode mudar.
Ainda assim, vamos apontar algumas conclusões que podemos tirar dos três dias de testes em Barcelona que nos parecem pertinentes:
#1 – A ordem da grelha não sofreu grandes alterações
Era algo esperado e que acabou por se confirmar. As equipas que terminaram no topo em 2021, parecem ter mantido a posição em 2022 e deverão continuar a lutar pelas melhores posições. Mercedes e Red Bull apresentaram carros com filosofias distintas, soluções elegantes, por vezes inesperadas e o ritmo que apresentaram em pista foi interessante. Não vimos um “domínio” claro e se tivermos de arriscar, talvez a Mercedes tenha uma ligeira vantagem, apesar de ambas as equipas terem enfrentado algumas dificuldades. Mas podemos contar com Mercedes e Red Bull na frente.
O que parece animador é que a Ferrari mostra vontade de se juntar ao grupo acima mencionado. A Scuderia teve três bons dias de testes na Catalunha e o F1-75 parece ter nascido muito bem. O ritmo foi interessante e acima de tudo a fiabilidade foi muito boa. Será a Ferrari candidata em 2022? É cedo para dizer, mas os primeiros sinais são claramente encorajadores.
O mesmo se pode dizer do lado da McLaren. Tal como a Ferrari, mostraram argumentos interessantes e os pilotos tinham um ar satisfeito no final dos dias, o que é sempre um bom indicador. Talvez esteja um furo abaixo da Ferrari, mas parece que a McLaren deu outro passo rumo aos primeiros lugares e, se este cenário se confirmar, poderemos ter excelentes lutas por vitórias.
A Alpha Tauri está a ter um começo de época menos entusiasmante do que 2021, mas tem apresentado também dados positivos e, do que se viu para já, a luta pelo top 5 parece ser possível este ano. A Aston Martin não deslumbrou e de todas as equipas é aquela que ainda levanta dúvidas quanto ao que pode fazer. À primeira vista parece que não deu o salto desejado, mas o Bahrein poderá trazer mais luz.
Haas e Williams têm muita esperança nos novos carros e para já há motivos para acreditar que poderão lutar por pontos. O caso da Haas complicou-se com a situação política mundial, mas o trabalho feito por ambas as estruturas parece ser bom, apesar da Haas ter tido uma péssima semana. O carro impressionou pelos detalhes técnicos mas em pista pouco se viu.
Quem parece ter começado mal o ano é a Alfa Romeo e a Alpine. Duas equipas que tiveram dificuldades, que se apresentaram muito discretas na tabela de tempos e com vários problemas para resolver. Das 10 equipas, são aquelas que menos convenceram.
#2 – Efeito oscilatório vai definir o arranque da época
Era um problema com o qual não se esperava. O efeito oscilatório, ou em inglês “Porpoising” passou a ser o termo da moda na F1. Porpoising um termo inglês que se refere ao movimento que os botos (golfinhos, baleias) fazem quando estão no mar, mergulhando e voltando à tona. Nos carros, isso nota-se como uma espécie de ressalto que vai acontecendo na frente e na traseira do carro, numa espécie de movimento de embalar, mas muito mais violento, como é de esperar. Isso deve-se à força descendente que é criada pelo fundo dos carros. Com o efeito Venturi mais pronunciado nestes carros, o fundo cria muito mais força descendente. Acontece que nas retas, o fundo cria o máximo de downforce (dada a velocidade), o que empurra o carro contra o asfalto. Mas esse movimento faz com que o fluxo de ar no fundo do carro seja interrompido momentaneamente, o que faz o carro “levantar”, para logo a seguir ser novamente “puxado” contra o asfalto, quando o fluxo de ar volta a criar downforce. Este era um problema comum nos carros com efeito solo dos anos 80 e que regressou este ano. As equipas dizem que estavam cientes do problema, mas que não contavam que fosse tão pronunciado. A sua resolução dará vantagem a quem o conseguir primeiro.
#3 – É possível seguir mais de perto
É um bom sinal. Os responsáveis da F1 queriam que fosse possível seguir os adversários mais de perto e os pilotos têm dado um feedback positivo. Vimos algumas perseguições em Barcelona, com os pilotos a tentarem entender os novos carros e como interagem com outros em pista e parece haver unanimidade na maior facilidade em seguir. Charles Leclerc deu a explicação mais pormenorizada:
“É bastante interessante. Se estamos três segundos a um segundo atrás do carro , podemos realmente seguir mais de perto”, explicou o monegasco. “Depois de um segundo a cinco décimos, direi que é semelhante à sensação que tive no ano passado. De cinco décimos para extremamente perto, então é muito melhor do que no ano passado. É agradável, é interessante. Terei de dar mais umas voltas atrás de um carro, mas por agora parece-me bem”.
#4 – Corridas mais renhidas e menos espetaculares à vista?
Apesar das lutas estarem facilitadas, as queixas de que o cone de aspiração é menos pronunciado podem ser um sinal de alarme (apesar de ser já esperado). Com carros pensados para serem mais competitivos e promoverem mais lutas, e com diferenças menos vincadas entre os carros, o festival de ultrapassagens que alguns esperam está longe de acontecer. Com o que temos ouvido, os pilotos vão ter de trabalhar para concluir as ultrapassagens que terão de ser feitas nas travagens e não apenas com ajuda no DRS. Talvez nos aproximemos mais de uma versão pura da F1, sem a artificialidade do DRS, mas pode tornar as corridas menos espetaculares, com menos trocas de posição. Para os puristas pode até ser uma boa notícia e se virmos uma boa luta, mesmo que não haja muitas trocas de posição, certamente o sentimento será de satisfação. Mas para um público menos conhecedor, pode ser encarado como um retrocesso… se tal se confirmar, pois ainda estamos no campo da especulação.
#5 – Suspensões vão ser peças chave para o sucesso
Os carros parecem claramente mais pesados e menos ágeis. Isso foi especialmente fácil de ver na forma como abordaram o último setor da pista catalã, com alguns carros a não gostarem de serem atirados contra os corretores. Os ressaltos após um ataque mais pronunciado aos corretores mostra que estas máquinas precisam ser tratadas com um pouco mais de suavidade e a equipa que conseguir encontrar o melhor compromisso de suspensão pode ter vantagem.

#6 – Bom nível de fiabilidade
Para um primeiro teste de uma nova era, com todas as equipas a estrearem motores novos e com uma filosofia completamente diferente, não há dúvidas que os níveis de fiabilidade foram bons e que, no geral, as unidades motrizes e os chassis superaram com boa nota o primeiro teste. Claro que os problemas na unidade Renault e na unidade Mercedes da Aston Martin têm de ser salientados, mais a Renault, que fornece apenas uma equipa e tem muito menos dados que a concorrência. A falha no último dia pode ser um sinal de alarme. Mas olhando para a globalidade das equipas, os engenheiros fizeram um bom trabalho.
#7 – Testes de Barcelona foram uma oportunidade perdida
O interesse criado por esta nova geração é grande e foi uma pena não termos visto imagens ao vivo do que se passou em pista. Os media que estiveram no local fizeram um excelente trabalho ao passar para fora o que foi acontecendo, mas os fãs podiam e deviam ter visto uma transmissão ao vivo desta estreia.
#8 – Muita variedade de filosofias
Se muitos temia que os carros iriam ser muito semelhantes, nada mais longe da verdade e cada equipa trouxe a sua versão dos novos regulamentos com muito analisar. Variedade e no geral, carros agradáveis à vista, apesar de terem um aspeto demasiado volumoso e pesado para monolugares. Aliás o peso é e calhar o maior aspeto negativo, por tudo o que implica e pela sensação que dá aos fãs a olho nu.
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Speedway
26 Fevereiro, 2022 at 12:05
Infelizmente para esta F1 europeia ocidental, sempre de espinha baixa,a conclusão parece ser a de sempre :
mudem alguma coisa,para ficar tudo na mesma. A AMG não parece ter perdido a vantagem e isso não é já mau,é de facto horrivel para a saúde dum campeonato que enche a boca com diversidades, igualdades e novas oportunidades, mas que na prática tem uma ditadura instalada desde há10 anos de uma marca.Pois é.
RedDevil
26 Fevereiro, 2022 at 13:51
É preciso ter muita lata para vir com esse discurso quando a FIA acabou de “roubar” um campeonato de pilotos à Mercedes para o oferecer à Red Bull…
Patucho10
27 Fevereiro, 2022 at 2:16
O problema de certas pessoas é que confundem profissionalismo com sorte, ditadura , e sabe-se lá mais o quê!
Fast Turtle
26 Fevereiro, 2022 at 13:08
E voltam a bater no comeco da epoca…
A epoca ainda nao comecou. Estamos na pre epoca ou a alpha tauri comecou a epoca sozinha e mais cedo?
Senhor “jornalista” consulte o site oficial da formula um para verficar quando a epoca começa.
Fazer bom jornalismo nao é assim tao difícil ou deixar de fazer jornalismo de meia tigela.
Outros jornalistas agradecem e corrigem. Aqui voces parecem que levam a mal.
Patucho10
27 Fevereiro, 2022 at 2:29
A conclusão que tiro destes testes de pre época é que se a Mercedes se confirmar a mais rápida do pelotão é de se tirar o chapéu, e umas quantas salvas de palmas.
Depois de tantos anos a ganhar, uns com mais domínio outros nem tanto, muda -se tudo outra vez e eles dominam outra vez! Isto era fantástico e histórico na F1.
Já falta pouco para se confirmar na primeira corrida, no Bahrein.