F1: pilotos souberam pela comunicação social da nova regra polémica da FIA

Por a 1 Fevereiro 2025 15:28

A nova polémica entre os pilotos e a FIA poderá fazer correr muita tinta. Com a introdução de novas penalizações para atos como palavrões ou má conduta em contextos oficiais, o mundo do automobilismo questiona a nova regra enquanto aguardam por uma posição dos pilotos. Alex Wurz, presidente da GPDA já falou sobre o tema mas a abordagem foi cautelosa.

Regras de má conduta atualizadas da FIA: O que mudou?

A FIA introduziu novas sanções para os pilotos considerados culpados de má conduta, que agora incluem multas pesadas, a possibilidade de suspensões e deduções de pontos no Campeonato do Mundo após uma terceira infração. As regras atualizadas, introduzidas no Código Desportivo Internacional, visam garantir que os pilotos da F1 mantenham um certo nível de decoro em ambientes públicos. Isto inclui quaisquer “palavras, actos ou escritos ” que possam causar danos morais à FIA, aos seus membros ou executivos.

As regras surgem em resposta a incidentes controversos, com Max Verstappen a ser protagonista durante o Grande Prémio de Singapura de 2024 (por dizer que o carro estava fod*** numa conferência de imprensa), que levou a um castigo oficial.

No entanto, a decisão de implementar estas novas regras levantou preocupações na comunidade da F1, particularmente entre os pilotos que não foram consultados antes de as regras serem tornadas públicas.

Reação dos pilotos de F1: Um apelo ao bom senso

Alex Wurz, o presidente da GPDA, expressou as suas preocupações sobre as novas regras, afirmando que, embora todos os pilotos de F1 queiram ser bons exemplos, é essencial que “o senso comum prevaleça” ao implementar estas punições. Wurz enfatizou que, embora tenha havido discussões entre os membros da GPDA sobre as diretrizes atualizadas, a associação ainda não teve a oportunidade de se reunir formalmente para discutir uma linha de ação.

Os comentários de Wurz realçam um problema constante na Fórmula 1, em que os pilotos sentem que são por vezes excluídos das decisões que os afetam diretamente. Ao contrário de outros desportos como a NFL, onde as associações de jogadores desempenham um papel fundamental na definição dos regulamentos, os pilotos de F1 não têm um nível semelhante de envolvimento no processo de tomada de decisões. Wurz salientou que não houve qualquer consulta com a GPDA ou com os pilotos antes de as novas diretrizes da FIA serem tornadas públicas, o que fez com que muitos se sentissem apanhados de surpresa, uma vez que apenas souberam delas pela comunicação social.

A importância do diálogo entre a FIA e a GPDA

O apelo de Wurz para melhorar a comunicação entre a FIA e a GPDA reflecte a necessidade de uma abordagem mais colaborativa para a criação de regras:

“Não houve qualquer consulta”, disse o austríaco ao RacingNews365. “Lemos isso através dos media. Poderá haver espaço para melhorar o facto de nós [a FIA e a GPDA] estarmos a trabalhar em conjunto. Se houver uma comparação com, por exemplo, a NFL na América, eles têm a sindicalização dos jogadores e eles estão envolvidos no processo. Neste caso, não estamos envolvidos. Não tenho a certeza se a FIA envolveu a sua própria comissão de pilotos da FIA. Isso é algo que desconheço. Esperemos que não haja muitas multas a serem cobradas”.

Wurz acrescentou que a GPDA ainda não conseguiu reunir-se para discutir as novas regras.

“Não conseguimos reunir-nos”, acrescentou. “Os pilotos estão num período muito ocupado, não os quero stressar. Está nas regras. Não é algo que possamos alterar numa base ad hoc. Claro que nos vamos reunir. Vamos reunir-nos e discutir o que fazer e qual é o nosso curso de ação. A melhor ação é não praguejar. É muito simples”.

Mais que uma simples regra de má conduta

A regra poderá fazer sentido para alguns, mas pode abrir a porta a penalizações que vão para lá do uso de vernáculo. As novas diretrizes conferem aos comissários o poder de aplicar multas significativas à primeira infração de indiscrições como dizer palavrões ou falar contra o órgão dirigente. Esta última questão deve ser encarada de forma mais atenta. Os palavrões devem ser evitados para não perturbar pessoas mais sensíveis, uma vez que públicos mais suscetíveis também acompanham a competição. Mas o falar contra órgão dirigente pode permitir uma espécie de lei da rolha que não deve ser aceite. A FIA tem sido criticada regularmente nos últimos tempos, e muitas vezes foram críticas justas. É por isso perigoso que as críticas das principais estrelas, sejam caladas. É certo que muitas vezes os pilotos aproveitam o tempo de antena para fazer critica infundadas, mas isso não pode levar a que não haja liberdade para apontar o dedo a uma organização cuja liderança e decisões tem deixado a desejar nos últimos tempos.

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