F1: Os novos desafios para os engenheiros
Aos poucos vamos conhecendo os novos carros para esta época e algumas soluções encontradas para fazer frente aos desafios impostos pelos novos regulamentos. Apesar do regulamento ser muito mais restritivo que o anterior, temos visto uma variedade saudável de soluções que irão dar que falar ao longo do ano.
Para começar, os narizes têm surgido com vários comprimentos e formatos. Desde o nariz elevado e achatado da Aston Martin, ao nariz mais redondo da Williams, até ao nariz mais comprido da Alpha Tauri. Temos aqui várias soluções que serão testadas ao longo das próximas semanas. A altura das asas em relação ao solo vai ser um tema de conversa profícuo pois se a Aston apostou numa asa mais elevada, para permitir um fluxo de ar limpo para o fundo plano, a McLaren apostou numa asa baixa o que, teoricamente, prejudica o fluxo de ar direcionado para os túneis do fundo plano. Mas se a McLaren apostou nesta configuração foi certamente porque viu ganhos significativos. Também o formato das asas poderá dar que falar com a Williams, por exemplo, a ter a secção mais larga das asas perto do nariz, ao contrário do que temos visto noutros casos como a Aston e até a Haas. A forma como as equipas vão afinar as asas será interessante de seguir.

O elemento que ganhou enorme preponderância neste regulamento foi o fundo plano, agora com túneis para potenciar o efeito Venturi e assim criar mais downforce. A forma como as equipas encaminham o ar para esta zona e a entrada dos túneis tem mudado muito de equipa para equipa, mas sendo uma zona fulcral para a performance, suspeitamos que o jogo ainda está muito escondido. Não temos mais os complexos bargeboards nas laterais, mas a forma como as equipas vão tentar afastar o ar turbulento das rodas dianteiras e encaminhar o ar para o fundo plano e para a traseira do carro também vai mudar muito. A Haas e a McLaren apostaram em sidepods volumosos usando a pressão de ar criada nessa zona para afastar o ar sujo e pressionar o ar para o fundo plano. Já a Aston e a Alpha Tauri apresentam flancos mais elevados, compridos e recortados no inferior. Há uma variedade interessante de soluções que estão a ser apresentadas.

Um dos elementos que ainda não está a ser muito referido ainda é a suspensão dos carros. Agora sem sofisticação do ano passado, as suspensões serão tendencialmente mais duras, para garantir que a distância ao solo se mantenha assim como o apoio criado pelo fundo plano . Como tal, será difícil ver o que vimos no ano passado, com os Mercedes a poderem atacar com violência os corretores sem desestabilizarem os carros. Por isso e também pelas características aerodinâmicas dos carros, deveremos ver carros mais rápidos nas curvas rápidas e mais lentos nas curvas lentas, com uma velocidade de reta superior (isto se a potência dos motores, agora castrados devido à introdução do combustível E10) permitir.

A polémica das asas flexíveis poderá surgir, mas os responsáveis da FIA terão também de ter atenção aos fundos planos flexíveis. A FIA já avisou que estará especialmente atenta a fundos planos com extremidades flexíveis (para selar melhor o fundo plano, garantido a velocidade do ar por baixo do carro e assim aumentando o apoio aerodinâmico), assim como nos difusores. Nikolas Tombazis, o chefe para os monolugares da FIA, disse: “Em relação à flexão do difusor ou das extremidades do fundo plano para baixo, estaremos sempre atentos a qualquer flexibilidade que ocorra e imporemos, quando necessário, testes para reduzir tais efeitos. Com o novo regulamento, é inevitável que possa haver algumas áreas que não foram devidamente previstas em termos de flexibilidade, e que poderão ter de ser melhoradas à medida que avançamos. Não hesitaremos em fazer isso. As regras permitem-nos intervir se descobrirmos que estão a ocorrer alguns abusos em certas áreas”.

Um assunto que aparentemente deixará de o ser são as traseiras elevadas. No ano passado esse tema foi muito referido, com a Mercedes e a Aston Martin a queixarem-se de serem prejudicadas com o corte feito na área do fundo plano, enquanto os carros com traseira elevada, como os Red Bull beneficiaram. O que temos visto até agora confirma a lógica de que as traseiras elevadas deixam de fazer sentido com esta filosofia e, como tal, a vontade de procurar truques de asas traseiras flexíveis, embora sempre presente, não deverá ser tão premente como no passado. Para os fãs mais interessados na parte técnica, esta fase do ano tem sido uma espécie de natal antecipado. Mas muitos dos temas acima referidos, e outros, poderão tornar-se no centro das atenções, por darem (ou não) vantagem competitiva, ou por alguma equipa tentar aproveitar uma zona cinzenta do regulamento. Não vai faltar animação neste capítulo esta época.
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jo baue
17 Fevereiro, 2022 at 13:31
OT, mas pouco. Masi já foi, e quem será que entra, quem será ?
https://twitter.com/adamcooperF1/status/1494300604642074628?cxt=HHwWiIC99fKe6bwpAAAA
Chicanalysis
17 Fevereiro, 2022 at 15:08
para garantir que a distância ao solo se mantenha garantida e assim o apoio criado pelo fundo plano seja garantido.