F1: O sonho de Albon e o pesadelo de Gasly
Mais uma vez a Red Bull é o palco dos sonhos de uns e do pesadelo de outros. Pierre Gasly foi do sonho ao pesadelo em meia época enquanto Albon viu a sua carreira dar um salto de forma exponencial no mesmo espaço de tempo.
A saída de Ricciardo da Red Bull abriu uma vaga para colega de equipa de Max Verstappen. O programa de jovens pilotos da marca de bebidas energéticas atravessa uma fase de menor fulgor e a substituição de do australiano, embora simples no papel, não deixou a estrutura à vontade. Pierre Gasly, estreante em 2018 tinha feito excelentes prestações na Toro Rosso, mas ficou no ar a ideia de que os responsáveis achavam que o francês estava ainda algo “verde”. Ainda assim, era a única opção disponível, pois Brendon Hartley desiludiu e não mostrou capacidade para assumir o lugar da Red Bull.
Gasly é um jovem talento que acusou demasiado a pressão de chegar à Red Bull. O sucesso que teve nas categorias de iniciação era uma excelente amostra do que o jovem poderia fazer e os brilharetes na Toro Rosso, em especial no GP do Bahrein, no Mónaco e na Hungria davam a entender que com tempo e paciência, Gasly poderia afirmar-se na F1.
Mas a época do francês começou logo a correr mal em Barcelona. O ritmo estava muito longe do de Max Verstappen (comparação injusta) e os incidentes em pista retiraram a confiança necessária para assumir este novo desafio. As quatro primeiras corridas do ano foram pobres e a pressão começou a subir. Foi logo aí que a sua época começou a ficar comprometida. Seguiu-se uma série de seis corridas nos pontos, sempre a alguma distância de Verstappen mas com alguma evolução. As provas austríacas e britânicas pareciam mostrar um Gasly finalmente no rumo certo, mas na Alemanha e na Hungria voltaram as más exibições.
Gasly não é inocente neste processo. O francês não conseguiu encontrar soluções para dar a volta à situação, nem pareceu ter força mental para superar-se. Na F1 apenas os melhores e os mais fortes conseguem ter sucesso. O talento está lá, mas se faltar a parte mental o resto dificilmente se evidencia.
O percurso de Albon é diametralmente oposto. Um piloto que chegou a pertencer ao programa de jovens da Red Bull, foi dispensado e começava a ver o sonho da F1 cada vez mais distante, tendo já acertado um contrato com a Renault na Fórmula E no início de2019. A Red Bull voltou a apostar nele e trouxe-o para a Toro Rosso onde desde cedo confirmou o talento que todos lhe atribuíam. Apesar de não ter um título nas categorias de iniciação (excluindo os karts, onde teve uma carreira recheada de sucessos) Albon sempre foi respeitado pelos seus adversários. Na Toro Rosso, apesar de alguns erros iniciais, surpreendeu pela maturidade e velocidade, ele que não tinha testado com um F1 antes de chegar a Barcelona para os testes de inverno. Tem evoluído de forma muito positiva e merecido a oportunidade que lhe foi dada.
Será a despromoção de Gasly justa?
Pelos resultados apresentados sim. A diferença de andamentos em comparação com Verstappen é gigante e embora ninguém lhe exigissem andar ao mesmo nível, devia ter estado mais próximo do seu colega. No entanto esta despromoção é demasiado dura e pode complicar a vida do francês na F1. Daniil Kvyat é o melhor exemplo disso, ele que sofreu na pele a mesma situação e apenas a fase menos profícua no programa de jovens da Red Bull permitiu o regresso. Será preciso uma força mental muito grande para conseguir recuperar deste golpe e neste momento não é certo que Gasly o consiga. A Red Bull deveria ter aprendido com os erros dando liberdade ao francês para errar e evoluir ao seu ritmo e no fim do ano tomar uma decisão. Despromover um jovem piloto a meio de uma época parece ser um golpe demasiado rude. O talento de Gasly merecia um pouco mais de paciência. A paciência que se exige a quem aposta em jovens. É que Albon não é a garantia de pontos que a equipa procura nesta fase.
É a chamada de Albon justa?
Pelo que mostrou, Albon tem tudo para ser um dos mais sólidos talentos da F1 no futuro, se evoluir bem. Mas esta chamada à Red Bull parece chegar um pouco cedo demais. Daniil Kvyat era também outra opção, até já tem experiência na Red Bull e conquistou um pódio este ano. Com esta decisão a Red Bull consegue desmotivar dois pilotos de uma vez, o despromovido e o colega do promovido que está 11 pontos acima. O comunicado de imprensa diz que a estrutura está a optar por um esquema de rotatividade entre pilotos, mas todos sabem que está agora nas mãos de Albon ficar na Red Bull e que as esperanças de Gasly e Kvyat são menores agora.
Mas por outro lado esta chamada de Albon traz alguma justiça pelo talento do jovem e mostra que na F1 ainda é possível (muito raramente) que pilotos que estiveram na porta de saída cheguem ao topo. É uma espécie de conto de fadas à velocidade de uma volta de qualificação. Veremos é se o sonho não passa a ser um pesadelo daqui por seis meses.
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