F1: O peso da evolução

Por a 18 Julho 2019 15:40

Em Silverstone os fãs de F1 puderam ver em acção o Brawn GP BGP001 em pista, carro vencedor do campeonato em 2009. Uma filosofia completamente diferente do que temos actualmente.

Jenson Button ficou radiante por voltar aos comandos do seu carro preferido, e pediu a Ross Brawn se a F1 poderia voltar a ser como era naquele tempo. A resposta é obviamente não. Apesar das mudanças nos regulamentos em 2021 há um factor que dificilmente voltará a ser o que era… o peso dos carros.

Há algumas coisas que não podemos mudar “, diz Brawn.” Nós temos um motor muito, muito impressionante. Mas é bastante complicado e bastante difícil. Os carros também são mais pesados, todos gostaríamos que fossem mais leves ”.

“É frustrante que todos digam que precisamos de carros mais leves…digam-me como fazer isso, porque gostaríamos muito de o fazer, mas temos um carro, um sistema de bateria e um sistema de recuperação de energia que, exceto se forem completamente abandonados, não nos permitirá ter carros com um peso diferente. O confronto e a revolução que teriam que ocorrer depois de tanto tempo prejudicariam a F1, então temos que trabalhar com algumas das restrições que temos agora.”

A máquina que Button pilotou em 2009 pesava menos 135Kg que os carros da actualidade. 135Kg em F1 é muito peso! Mas como tem acontecido na indústria automóvel em geral, também a F1 sente “o peso” da evolução. Nos modelos de estrada vemos vários modelos que perduram há décadas e que ao longo do tempo têm ganho volume e peso.

Colin Chapman sempre defendeu que a leveza dos carros era algo fundamental na performance das suas máquinas e perseguia esse objectivo com uma tenacidade quase doentia. Quando lhe perguntavam que os carros mais leves era menos seguros por terem menor integridade estrutural, o britânico respondia que os carros mais pesados eram mais difíceis de parar, um argumento dificilmente refutável. As máquinas de alta performance procuram sempre a maior leveza possível,com o uso de materiais exóticos que garantem rigidez e baixo peso, mas a integração dos novos sistemas fazem que o peso inevitavelmente suba.

No início dos anos 60 um carro de F1 pesava 450 Kg, um valor que foi sempre subindo ao longo do tempo. O aumento do peso dos carros foi sendo uma constante durante os anos 60 e 70 e apenas nos anos 80 vimos uma tendência contrária. Mas desde os anos 90 que o peso dos carros tem subido de forma imparável. Sem em 1993 o peso mínimo era de 500kg, em 2008 era de 595kg e em 2013 642kg. Agora, em 2019,os carros têm um peso mínimo de 740Kg.

Estes carros perderam a agilidade que caracterizava um F1. Aumentaram em peso e em largura, o que dificulta as manobras de ultrapassagem. Compensam isso com uma potência fenomenal, uma aerodinâmica absolutamente fantástica e uma tecnologia que lhes permite quebrar recordes em praticamente todas as pistas. Em termos de performance pura, estes carros são os melhores de sempre. Mas perdem no entretenimento e nas lutas roda com roda, o que realmente apaixona os fãs. A F1 terá de ter isso em conta nos novos regulamentos, sabendo de antemão que uma redução drástica é impossível e que o uso de peças padronizadas apenas dificultará a tarefa (por exemplo, discos de travões padronizados serão em média 10kg mas pesados que discos especificamente trabalhados).

O desejo de Button não poderá ser concretizado, mas há certamente soluções que poderão melhorar o espectáculo.

1
Deixe um comentário

Please Login to comment
  Subscribe  
Notify of
asfalto
Membro
asfalto

Até eu queria Button.

últimas F1
últimas Autosport