F1: O dilema constante da Pirelli

Por a 6 Novembro 2025 17:50

A Pirelli tem uma das funções mais exigentes e ingratas da F1… fazer pneus. E, apesar de a marca conseguir uma exposição mediática sem igual, sofre também as consequências de um desporto onde qualquer milésimo pode fazer a diferença entre ganhar ou perder.

Os pneus são, provavelmente, a parte do carro que menos interesse desperta. Não fossem os diferentes compostos usados, para criar variabilidade estratégica, os pneus poderiam passar despercebidos. Mas ao longo do tempo foram-se tornando vitais para dar mais cor e entusiasmo às corridas, graças à estratégia.

Uma história já antiga

A Pirelli tem uma longa e significativa presença na Fórmula 1, sendo atualmente a fornecedora exclusiva de pneus para a categoria desde 2011. A sua história na F1 começou na temporada inaugural de 1950, quando equipou o carro de Nino Farina, vencedor da primeira corrida da Fórmula 1 em Silverstone. Após se afastar da categoria no final dos anos 1950, a Pirelli retornou mais de 50 anos depois para assumir o papel de fornecedora única, promovendo inovação e desenvolvimento tecnológico.

Com mais de 500 GP feitos, a Pirelli é a marca de pneus com maior número de participações e conquistas na história da Fórmula 1.

Degradar ou não degradar

A relação entre a Pirelli e as equipas e os pilotos de F1 nem sempre foi pacifica. Desafiada a fazer pneus que permitissem variabilidade estratégica, a marca italiana criou pneus que se degradavam a diferentes ritmos. Nem sempre o equilíbrio ideal foi encontrado e não foram poucas as vezes que se ouviram críticas aos pneus, que se degradavam em demasia, a um ritmo elevado, o que obrigava os pilotos a gerirem o ritmo. Outras vezes, os pneus eram demasiado duros e resistentes e não promoviam boas corridas.

Agora, a Pirelli parece ter encontrado um bom compromisso, com pneus que têm diferentes níveis de degradação e são duráveis para permitir que os pilotos ataquem ao longo dos stints. Mas mesmo assim há queixas que as corridas são aborrecidas.

Estratégia de uma paragem tem sido a vencedora e mais de metade das corridas

Nas 20 corridas feitas até agora, 11 viram a estratégia de uma paragem ser a vencedora, ou seja, 55%. E da lista, duas corridas foram à chuva (o que normalmente implica sempre mais do que uma paragem), três tiveram Safety Cars tardios (o que geralmente leva as equipas a aproveitar e parar para colocar um conjunto de pneus novos) e uma foi o Mónaco, que viu a obrigatoriedade de parar duas vezes, sem grandes resultados para mostrar.

Nos últimos cinco Grandes Prémios, todos vencidos com uma única paragem, as equipas optaram por estratégias conservadoras, evitando riscos e minimizando o tempo perdido em boxes. O responsável da Pirelli, Mario Isola, reconheceu que esta tendência é inevitável: “As equipas tentam sempre reduzir o número de paragens porque não se preocupam com o espetáculo, apenas com a eficiência.”

Que soluções para o futuro?

As tentativas da Pirelli de promover corridas com duas paragens — por meio de combinações de pneus não consecutivas — não alteraram o panorama. Mesmo assim, a marca italiana e a FIA estão a estudar novas soluções para 2025 e 2026, incluindo a possibilidade de impor por regulamento duas paragens obrigatórias.

A ideia, que tem vindo a ser discutida entre as equipas, Liberty Media e a FIA, foi abordada na reunião da Sporting Advisory Committee. No entanto, Isola alerta que a imposição de duas paragens não garante maior diversidade estratégica, uma vez que as equipas tendem a convergir para a opção mais eficiente: “Quando limitamos as possibilidades, corremos o risco de todos escolherem o mesmo caminho.”

Pirelli sempre o alvo fácil

Uma alternativa seria permitir duas paragens obrigatórias sem a exigência de utilizar compostos diferentes, o que poderia abrir novas combinações táticas. “Assim, cada equipa escolheria o que melhor se adapta à sua posição em pista. Uns poderiam optar por três médios, outros por começar com duros para alongar o primeiro stint”, exemplificou Isola.

Ainda assim, o responsável da Pirelli defende prudência antes de alterar as regras: “Temos de trabalhar em conjunto para evitar consequências imprevistas. O campeonato está equilibrado — não devemos correr o risco de estragar o que temos.”

George Russell sintetizou a posição da Pirelli de forma simples e clara:

“A Pirelli é criticada de qualquer forma. Se há muita degradação, dizem que não se pode atacar; se não há degradação, dizem que é aborrecido”.

A Pirelli parece ter encontrado um bom compromisso do qual não quererá abdicar, mesmo em 2026, ano em que teremos pneus com medidas ligeiramente mais pequenas e carros com uma exigência aerodinâmica diferente. Talvez assim as corridas possam ganhar mais sal, aos olhos de alguns (não se pode dizer que a época tenha sido recheada de corridas aborrecidas). Mas do lado da Pirelli, haverá sempre uma balança muito precária para tentar equilibrar.

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