F1: O dilema constante da Pirelli
A Pirelli tem uma das funções mais exigentes e ingratas da F1… fazer pneus. E, apesar de a marca conseguir uma exposição mediática sem igual, sofre também as consequências de um desporto onde qualquer milésimo pode fazer a diferença entre ganhar ou perder.
Os pneus são, provavelmente, a parte do carro que menos interesse desperta. Não fossem os diferentes compostos usados, para criar variabilidade estratégica, os pneus poderiam passar despercebidos. Mas ao longo do tempo foram-se tornando vitais para dar mais cor e entusiasmo às corridas, graças à estratégia.
Uma história já antiga
A Pirelli tem uma longa e significativa presença na Fórmula 1, sendo atualmente a fornecedora exclusiva de pneus para a categoria desde 2011. A sua história na F1 começou na temporada inaugural de 1950, quando equipou o carro de Nino Farina, vencedor da primeira corrida da Fórmula 1 em Silverstone. Após se afastar da categoria no final dos anos 1950, a Pirelli retornou mais de 50 anos depois para assumir o papel de fornecedora única, promovendo inovação e desenvolvimento tecnológico.
Com mais de 500 GP feitos, a Pirelli é a marca de pneus com maior número de participações e conquistas na história da Fórmula 1.
Rain returned to Mugello 🌧️
Pirelli’s 2026 tyre development program continued with @ScuderiaFerrari, despite tricky track conditions.
Full story here 👉 https://t.co/dpfOn2nUv0 #F1 pic.twitter.com/7IQRiQgmm1
— Pirelli Motorsport (@pirellisport) September 26, 2025
Degradar ou não degradar
A relação entre a Pirelli e as equipas e os pilotos de F1 nem sempre foi pacifica. Desafiada a fazer pneus que permitissem variabilidade estratégica, a marca italiana criou pneus que se degradavam a diferentes ritmos. Nem sempre o equilíbrio ideal foi encontrado e não foram poucas as vezes que se ouviram críticas aos pneus, que se degradavam em demasia, a um ritmo elevado, o que obrigava os pilotos a gerirem o ritmo. Outras vezes, os pneus eram demasiado duros e resistentes e não promoviam boas corridas.
Agora, a Pirelli parece ter encontrado um bom compromisso, com pneus que têm diferentes níveis de degradação e são duráveis para permitir que os pilotos ataquem ao longo dos stints. Mas mesmo assim há queixas que as corridas são aborrecidas.
Rain hit day one of #Pirelli’s 2026 tyre test at @MugelloCircuit 🌧️ Ocon & Bearman ran @HaasF1Team's VF-24 mule car on slicks and inters. Tomorrow @ScuderiaFerrari's Zhou & Leclerc take over. https://t.co/aZ43TyvDrq pic.twitter.com/x4FT1VTJsP
— Pirelli Motorsport (@pirellisport) September 25, 2025
Estratégia de uma paragem tem sido a vencedora e mais de metade das corridas
Nas 20 corridas feitas até agora, 11 viram a estratégia de uma paragem ser a vencedora, ou seja, 55%. E da lista, duas corridas foram à chuva (o que normalmente implica sempre mais do que uma paragem), três tiveram Safety Cars tardios (o que geralmente leva as equipas a aproveitar e parar para colocar um conjunto de pneus novos) e uma foi o Mónaco, que viu a obrigatoriedade de parar duas vezes, sem grandes resultados para mostrar.
Nos últimos cinco Grandes Prémios, todos vencidos com uma única paragem, as equipas optaram por estratégias conservadoras, evitando riscos e minimizando o tempo perdido em boxes. O responsável da Pirelli, Mario Isola, reconheceu que esta tendência é inevitável: “As equipas tentam sempre reduzir o número de paragens porque não se preocupam com o espetáculo, apenas com a eficiência.”
This morning a new Pirelli test session got underway at the Hungaroring, centred on development of the 2026 tyres. Taking part were the McLaren, Racing Bulls and Alpine teams. Read the full report here 👉 https://t.co/2cc8rWohTp #f1 pic.twitter.com/5YbUVGpiOw
— Pirelli Motorsport (@pirellisport) August 5, 2025
Que soluções para o futuro?
As tentativas da Pirelli de promover corridas com duas paragens — por meio de combinações de pneus não consecutivas — não alteraram o panorama. Mesmo assim, a marca italiana e a FIA estão a estudar novas soluções para 2025 e 2026, incluindo a possibilidade de impor por regulamento duas paragens obrigatórias.
A ideia, que tem vindo a ser discutida entre as equipas, Liberty Media e a FIA, foi abordada na reunião da Sporting Advisory Committee. No entanto, Isola alerta que a imposição de duas paragens não garante maior diversidade estratégica, uma vez que as equipas tendem a convergir para a opção mais eficiente: “Quando limitamos as possibilidades, corremos o risco de todos escolherem o mesmo caminho.”
Pirelli sempre o alvo fácil
Uma alternativa seria permitir duas paragens obrigatórias sem a exigência de utilizar compostos diferentes, o que poderia abrir novas combinações táticas. “Assim, cada equipa escolheria o que melhor se adapta à sua posição em pista. Uns poderiam optar por três médios, outros por começar com duros para alongar o primeiro stint”, exemplificou Isola.
Ainda assim, o responsável da Pirelli defende prudência antes de alterar as regras: “Temos de trabalhar em conjunto para evitar consequências imprevistas. O campeonato está equilibrado — não devemos correr o risco de estragar o que temos.”
George Russell sintetizou a posição da Pirelli de forma simples e clara:
“A Pirelli é criticada de qualquer forma. Se há muita degradação, dizem que não se pode atacar; se não há degradação, dizem que é aborrecido”.
A Pirelli parece ter encontrado um bom compromisso do qual não quererá abdicar, mesmo em 2026, ano em que teremos pneus com medidas ligeiramente mais pequenas e carros com uma exigência aerodinâmica diferente. Talvez assim as corridas possam ganhar mais sal, aos olhos de alguns (não se pode dizer que a época tenha sido recheada de corridas aborrecidas). Mas do lado da Pirelli, haverá sempre uma balança muito precária para tentar equilibrar.
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