F1: Novo carro não será uma “revolução” apesar de mudar “95% dos componentes”, diz Vasseur
Ainda antes de começar a temporada de 2023, a Ferrari identificou as áreas que tinham sido alvo de muita atenção no monolugar comparativamente ao carro do ano anterior. A equipa italiana trabalhou na fiabilidade do seu potente motor ao mesmo tempo que a aerodinâmica foi repensada. Enrico Cardile, diretor técnico da Ferrari, referiu em fevereiro passado que a equipa conseguiu encontrar mais ‘downforce’ com design do SF-23, que era mais radical do que o antecessor. No entanto, como sabemos agora, a temporada começou mal para a equipa de Maranello e apesar de terem vencido em Singapura, o carro do próximo ano tem de ser muito diferente e mostrar mais ritmo competitivo. Confirmado por Frédéric Vasseur está que a equipa vai alterar “95% dos componentes” no seu novo carro. Ainda assim, o responsável da Scuderia não quer sugerir que se trata de uma revolução, uma mudança de conceito ou filosofia.
À entrada da segunda metade da temporada, o mesmo Cardile prometeu que o carro da equipa para 2024 seria “um carro totalmente novo”, uma vez que os italianos decidiram começar do zero com o atual regulamento técnico, afirmando em agosto, que “o nosso principal ponto fraco está nas características aerodinâmicas”. Cardille sublinhou ainda que “tem sido bastante claro – desde os testes de pré-época no Bahrein – que não estávamos ao nível que esperávamos, a nossa fragilidade vem daí. Por isso, toda a atenção e todo o esforço têm sido concentrados em melhorar as características aerodinâmicas do carro”.
Tendo sido dado como uma das figuras de proa da Ferrari que podia deixar a equipa depois de uma entrada com o “pé esquerdo”, Enrico Cardile já tinha sublinhado em fevereiro que o “carro de 2023 é uma evolução do que usamos no ano passado, mas na realidade, foi completamente redesenhado”. Muito parecido com algo que disse Vasseur no evento em Maranello, onde confirmou a data de lançamento do próximo monolugar. Espera-se que as alterações às limitações do carro de 2023 resultem num design marcadamente diferente para o próximo ano, embora Vasseur não queira falar de revolução. ”Temos os mesmos regulamentos há três anos seguidos, não se pode mudar muito a situação. Mais uma vez, [o que tentamos melhorar] são décimos de segundo, o que significa que estamos à procura de 0,1 ou 0,2 por cento de desempenho. De certeza que temos de dar um passo e não subestimo esse passo. Estamos a mudar 95% dos componentes do carro, talvez se possa considerar que é uma revolução, não sei se será”.
Cabe à Ferrari e à Mercedes, que têm todos os anos o objetivo de discutir o título mundial – McLaren e agora a Aston Martin estão no lote das equipas da frente, mas parece ser ainda precoce apontar a tal objetivo – fazer um bom trabalho durante o inverno para desenvolverem e produzirem carros que possam competir com a Red Bull, tentando quebrar o ciclo vitorioso dos austríacos. “A expectativa é que estejamos concentrados em nós próprios, estamos a dar um bom passo em frente, mas no final é sempre uma questão de comparação. Podemos melhorar 100 vezes, mas se os outros melhorarem 120 vezes vamos parecer estúpidos, se eles melhorarem 80 vezes vamos parecer mega-heróis”, afirmou Vasseur, acrescentando que o “mais importante é continuar a insistir, continuar a desenvolver, ter os pilotos no projeto e estarem totalmente envolvidos no desenvolvimento. Até agora, estamos a ir na direção correta”.
Carlos Sainz, que experimentou a versão de simulador daquele que será o carro de 2024, afirma que este se parece muito diferente do seu antecessor.
A Ferrari criou algumas expectativas à entrada de 2023 que não foram correspondidas em pista. O monolugar herdou alguns dos problemas do carro de 2022 e a equipa não foi capaz de os resolver com a época a decorrer e apesar de haver uma dose de confiança no projeto de 2024, mantém-se a prudência em Maranello, havendo a necessidade de perceber em pista, nos testes do Bahrein, se o monolugar da próxima temporada realmente faz a diferença.
Foto: Philippe NANCHINO/MPSA




