F1: Motores a dois tempos são aposta para o futuro

Por a 16 Janeiro 2020 16:00

A busca de uma F1 mais sustentável poderá mudar radicalmente a F1 nos próximos anos. Uma das mudanças poderá passar pelo uso de motores a dois tempos.

Pat Symonds anunciou recentemente que o caminho para tornar a F1 neutra ao nível de emissões de carbono poderá passar pelo uso de motores a dois tempos e de combustíveis sintéticos, ou até hidrogénio:

“Estou muito interessado nos motores de dois tempos“, disse ele, de acordo com a revista MotorSport. “Muito mais eficientes, um ótimo som e muitos problemas com os dois tempos antigos já não são relevantes” .

“Precisamos ver como serão as unidades motrizes do futuro”, disse Symonds. “Na F1, é nisso que estamos envolvidos de momento. Pode ser que a próxima unidade motriz que iremos produzir seja a última a usar hidrocarbonetos líquidos”, continuou ele. “Acho que há uma hipótese muito alta de que ainda possa haver um motor de combustão interna, mas talvez funcione com hidrogénio.”

“Eu acho que o motor de combustão interna tem ainda um futuro longo e acho que tem um futuro mais longo do que muitos políticos imaginam, porque os políticos estão a apostar tudo em veículos elétricos. Não há nada de errado com veículos elétricos, mas há razões para que não sejam a solução para todos “.

Os receios do uso de motores a dois tempos podem parecer lógicos, mas Symonds fez questão de afastar esses receios e de mostrar que a tecnologia também avançou neste tipo de unidades:

“Injeção direta, carga de pressão e novos sistemas de ignição permitiram que novas formas de motores a dois tempos fossem muito eficientes e muito favoráveis ​​em termos de emissões. Acho que há um futuro bom para eles”.

Os motores a dois tempos são mais simples e por isso mais leves , e a relação peso potência torna-se assim mais interessante. Muitos dos defeitos que se apontam aos motores de dois tempos (consumos mais elevados, desgaste mais rápido de componentes, etc), podem ser minimizados com a tecnologia atual.

A F1 já entendeu que perdeu a corrida nos eléctricos. A Fórmula E ganhou o seu espaço e tem exclusividade como competição de monolugares 100% elétricos. Assim a F1 tem de procurar outras vias, e como o ACO está a apostar forte nas células de hidrogénio, os caminhos “disponíveis” são poucos. Mas nem por isso deixam de fazer sentido. Os eléctricos são vistos como solução, mas se a questão for olhada friamente, há mais interrogações do que certezas sobre os novos veículos. O uso de uma unidade motriz híbrida, mais eficiente e com um combustível que seja neutro ao nível de emissões de carbono pode ser a solução a curto prazo que faça mais sentido. E se a F1 em apenas 4 anos conseguiu elevar os níveis de eficiência dos motores de combustão para os 50%, podemos ter a certeza que se a F1 irá acelerar o processo de evolução da tecnologia automóvel, sem perder a relevância.

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50F1
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50F1

Ainda penso que energia eólica combinada com solar ou um motor de combustão interna fornecendo energia para as baterias seria mais o futuro do que o motor de combustão com unidade de potência principal.

m42engine
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m42engine

Energia eólica??

Pity
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Pity

Punham uma ventoinha no Halo 🙂 🙂

z
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z

Se forem para essa possibilidade dos motores a 2 tempos abrem a porta a novos construtores como a zundapp e a Sachs 🙂

sergiomiguel7972gmail-com
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sergiomiguel7972gmail-com

Obrigado Z por me fazer rir. 🙂

luis27
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luis27

E a Kreidler, a Puch,Macal-Minarelli, Piaggio, e a Casal xD

Alfista
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Alfista

Amigo discordo. E a saudosa Macal e casal. Há que investir no prosuto nacional

jpxoné
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jpxoné

Muito bom! 😂

jem
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jem

Está a ficar tudo doido. Esta fobia ambiental (que muitos agradecerão os lucros) está a criar situações ridículas (na minha opinião, e respeito as outras). Na minha terra existem umas provas fantásticas de carrinhos de rolamentos; é só fazer pistas com grandes descidas que permitam fazer uma só subida.

2fast4u
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2fast4u

E passamos a ouvir o relato do GP no rádio

2fast4u
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2fast4u

Não podia estar mais correcta a sua visão, e não nos podemos resignar a achar que a solução foi encontrada com os motores elétricos. O hidrogénio faz muito mais sentido, juntamente com os sistemas de recuperação de energia e baterias a suplementar

z
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z

Agora um pouco mais a sério. Já é tempo da indústria automóvel fazer alguma coisa mais a sério nos motores. Se compararmos um dos primeiros automóveis de combustão interna nos finais do século 19 com um de hoje, à primeira vista dizemos que não têm nada em comum tirando ter 4 rodas, mas não, têm uma coisa em comum que é o funcionamento do motor. Tudo evoluio menos o funcionamento do motor que em termos mecânicos é a “máquina”, de que eu tenho conhecimento, com o pior desempenho pois só produz energia em 25% do seu tempo de funcionamento (1… Ler mais »

Rangercoe
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Rangercoe

Eólicas… Nos F1?
. Caramba nunca tinha pensado nisso. Já me estou a ver no circuito em Monza na reta a olhar pra cima para ver aquele ventoinha gigante passar………..

Roder
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Roder

Beco sem saída

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