F1: Momentos marcantes do GP de Portugal
Apesar de contar “apenas” com 18 edições, o GP de Portugal é rico em história e em momentos marcantes que definiram a história da F1 e que fazem da prova portuguesa um marco indelével da história da competição.
Boavista, Monsanto, Estoril e Portimão são os palcos destas incríveis histórias, com a garantia que em 2027 poderemos ver mais episódios marcantes, novamente no Autódromo Internacional do Algarve, um regresso elogiado quase unanimemente. Mas antes de olhar para o futuro, fazemos uma breve passagem pelo passado:
1958: O fair-play de Moss
Mike Hawthorn (Ferrari) e Stirling Moss (Vanwall) são os protagonistas do primeiro grande momento em Portugal, na estreia da competição em solo nacional. Hawthorn terminou em segundo lugar, atrás de Moss, mas foi inicialmente desqualificado por alegadamente ter sido empurrado por espetadores em sentido contrário da pista, após o seu carro ter ficado parado. Moss, rival direto de Hawthorn na luta pelo título, interveio junto dos comissários para defender que Hawthorn tinha agido corretamente, testemunhando que o britânico da Ferrari empurrou o carro sozinho e apenas na berma. A desqualificação foi revertida, Hawthorn manteve os sete pontos do segundo lugar e, no final da temporada, venceu o Mundial por apenas um ponto de vantagem sobre… Moss. Este episódio tornou-se um dos maiores exemplos de fair-play na história da F1.
1959: A única passagem por Monsanto
Depois da Boavista, o GP de Portugal mudou-se para Lisboa, realizando-se no Circuito de Monsanto. Foi a terceira vez que Monsanto recebeu o GP de Portugal (tinha havido edições em 1951 e 1954), mas a primeira com carros de F1 e a primeira a contar para o Mundial, como oitava de dez corridas da temporada. O piloto português Mário de Araújo Cabral (conhecido como “Nicha Cabral”) correu em casa pela primeira na sua carreira na F1, terminando em 10.º lugar num Cooper-Maserati com o número 32. Stirling Moss venceu a corrida pela segunda vez consecutiva.
1984: A decisão de título mais renhida da história da F1
O GP de Portugal de estreia, realizado no Estoril, foi a última corrida da temporada e decidiu o Mundial numa margem sem precedentes. Alain Prost venceu a prova, mas Niki Lauda terminou em segundo lugar e conquistou o terceiro título mundial por apenas meio ponto — até hoje a margem mais pequena de sempre num campeonato de pilotos.
1985: A primeira vitória de Ayrton Senna
No ano seguinte, Senna conquistou a sua primeira vitória na Fórmula 1 em Estoril, numa atuação majestosa sob chuva torrencial ao volante do Lotus 97T. O brasileiro largou da pole, liderou todas as voltas e fez a volta mais rápida — o primeiro Grand Slam da sua carreira — e terminou com mais de um minuto de vantagem sobre o segundo classificado, Michele Alboreto. Senna consideraria esta uma das suas melhores corridas de sempre.
1986: A fotografia icónica dos “quatro fantásticos”
Durante o fim de semana do GP de Portugal de 1986, foi tirada uma das imagens mais emblemáticas da história da F1: os quatro maiores pilotos da era — Senna, Prost, Piquet e Mansell — juntos no paddock. Senna conquistou a pole, mas ficou sem combustível na última volta enquanto defendia a terceira posição (caindo para quarto), permitindo que Prost e Piquet subissem ao pódio atrás do vencedor Mansell.

1988: Senna vs. Prost, capítulo I
A rivalidade entre Ayrton Senna e Alain Prost começou a se intensificar no GP de Portugal de 1988, quando uma manobra agressiva de Senna sobre Prost marcou a primeira grande crise entre os companheiros da McLaren. Apesar do domínio absoluto da equipa naquele ano, com 15 vitórias em 16 corridas, a disputa pelo título era acirrada, com Senna ligeiramente à frente no campeonato.
Em Portugal, Prost largou na pole e, após uma relargada, ultrapassou Senna, que tentou fechá-lo de forma controversa no muro dos boxes, gerando fortes críticas. Prost seguiu para uma vitória tranquila, enquanto Senna teve um desempenho muito abaixo do esperado, perdeu várias posições, se envolveu num toque com Nigel Mansell e terminou apenas em sexto, quase uma volta atrás do francês.
Após a corrida, Senna alegou problemas no consumo de combustível do seu carro, levantando suspeitas de que o seu motor teria sido propositadamente desregulado para adiar a decisão do campeonato para o GP do Japão, sede da Honda. O episódio consolidou o início da maior rivalidade da história da Fórmula 1.
1989 e 1991: Desastres de Mansell nas boxes
Nigel Mansell protagonizou dois episódios marcantes em Portugal. Em 1989, falhou o seu pit box, fez marcha-atrás (ilegal nas boxes), foi desqualificado com bandeira preta, mas ignorou-a e colidiu com Senna na primeira curva, pondo ambos fora da corrida e valendo-lhe uma corrida de suspensão. Em 1991, viu a sua roda traseira direita soltar-se nas boxes num fim de semana tenso para a Williams. Mansell e Portugal não rimavam.
1992: O acidente espetacular de Patrese
Riccardo Patrese tocou na traseira da McLaren de Gerhard Berger, e o Williams capotou espetacularmente no ar, deslizando pela reta das boxes. Ambos os pilotos saíram ilesos do incidente dramático.
1993: Prost tetracampeão e despedida
Alain Prost, já tricampeão mundial, regressou à Fórmula 1 após um ano sabático para formar dupla com Damon Hill. Em 1993, ele já somava sete vitórias, mas perdeu a chance de garantir o título antecipadamente em Monza devido a um problema de motor a cinco voltas do fim.
Chegando ao GP de Portugal, Prost tinha uma vantagem confortável de 23 pontos sobre Hill, restando apenas três corridas, num sistema em que a vitória rendia 10 pontos. Antes mesmo da corrida, porém, Prost chamou atenção ao anunciar, na sexta-feira, que se retiraria da competição no final da temporada, encerrando uma carreira de 13 anos na F1. No sábado, classificou-se na primeira fila, logo atrás do companheiro. Schumacher venceu, Prost foi segundo, Hill terceiro e o título foi entregue no Estoril.
1996: A ultrapassagem lendária de Villeneuve
Jacques Villeneuve tinha falado da possibilidade de ultrapassar alguém pelo lado de fora na Parabolica, a curva final rápida do Estoril, mas ninguém acreditou que o tentaria. Durante a corrida, não só tentou como conseguiu ultrapassar Michael Schumacher dessa forma, a caminho da vitória. Foi o último GP de Portugal em Estoril.
Regresso a Portimão (2020–2021)
2020: Lewis Hamilton bate o recorde de vitórias de Schumacher
Na edição de estreia de Portimão no calendário de F1 (o circuito recebeu o GP após 24 anos de ausência de Portugal), Lewis Hamilton conquistou a sua 92.ª vitória na carreira, ultrapassando Michael Schumacher como o piloto com mais triunfos na história da Fórmula 1 — um recorde que Schumacher detinha há 19 anos. Hamilton dominou a prova de forma esmagadora, com uma margem de 25,592 segundos sobre o companheiro de equipa Valtteri Bottas. Hamilton também marcou a pole position com o tempo de 1:16.652 e a volta mais rápida da corrida em 1:18.750, ambos os recordes de pista na estreia de Portimão.
Today's a good time to remember the chaos that happened at the start of the 2020 F1 race in Portugal 😳
Kimi Raikkonen went from P16 to P6
Carlos Sainz went from P7 to P1 pic.twitter.com/OLF7jphj2u
— Daniel Valente 🏎️ (@F1GuyDan) December 16, 2025
2021: Hamilton alcança a 97.ª vitória e lidera o campeonato
Hamilton venceu novamente em Portimão em 2021, desta vez após recuperar da terceira posição inicial (Bottas tinha conquistado a pole) e ultrapassar Max Verstappen no processo. Foi a sua 97.ª vitória na carreira, estendendo a sua vantagem no campeonato sobre Verstappen para oito pontos após três corridas. Hamilton, Verstappen e Bottas ocuparam o pódio pela 15.ª vez em conjunto na história da F1, estabelecendo um novo recorde para o trio mais recorrente em pódios.
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