Michael Masi tem sido o nome mais referido desde o final da corrida de domingo, a última do ano que decidiu o título. As decisões de Masi não agradaram a todos e a atuação do australiano está agora a ser fortemente questionada.
A polémica instalou-se nas últimas voltas da corrida, quando o Safety Car foi para a pista, após o incidente de Nicholas Latifi. A forma como a direção de corrida quis apressar a saída do SC, para permitir uma última volta levantou muitas questões (pode ler mais sobre o tema AQUI e AQUI). A Mercedes colocou dois protestos, ambos rejeitados pelos comissários, mas a festa ficou estragada pelo episódio que continua a dar muito que falar.
A Mercedes apresentou dois protestos, um alegando que Max Verstappen ultrapassou Lewis Hamilton com o SC em pista, o que foi prontamente rejeitado. Mas o segundo protesto foi mais pertinente. A Mercedes queixa-se que o Diretor de Corrida não respeitou o regulamento que diz que o SC deve fazer pelo menos mais uma volta à pista, depois dos retardatários terem ultrapassado os carros e o SC, regressando à volta do líder, como explicado no Artigo 48.12, do Código Desportivo. Ora com apenas este artigo, o protesto teria de ser aceite, mas há mais artigos que, na visão dos comissários, se sobrepõem, nomeadamente o artigo 48.13 que diz que uma vez que a mensagem “Safety Car in this lap” é enviada, o SC tem de sair e o artigo 15.3 que, resumindo, foi interpretado como dizendo que o diretor de corrida gere a atuação do Safety Car e que a sua autoridade pode sobrepor-se quando o SC está em pista. No fundo o que os comissários disseram é que o Diretor de corrida faz o que quiser com o SC, apesar de haver regulamentação para a sua atuação em pista.
Ora isto vem piorar ainda mais a imagem que os fãs têm dos comissários esta época. Afinal parece que o diretor faz o que lhe convém. Por um lado faz sentido pois no automobilismo cada caso deve ser avaliado segundo as circunstâncias à vista. Mas por outro lado, abre a possibilidade de algumas pessoas suspeitarem que quem manda tem uma agenda e que não precisa de seguir regras, num desporto altamente regulamentado. Houve demasiada dualidade de critérios durante o ano, o que provocou uma confusão desnecessária. O caso do Brasil é sintomático. Lewis Hamilton foi atirado para fora de pista por Max Verstappen e nada aconteceu e por isso Hamilton aproveitou a escapatória na primeira volta da corrida em Yas Marina para ir em frente depois da manobra dentro das leis de Verstappen e em Jidá as várias saídas de pista foram potenciadas pela decisão tomada em Interlagos. Aconteceu o mesmo com os limites de pista que foram demasiadas vezes alterados. A tudo isto, junta-se a postura de Masi, mais aberta e por conseguinte mais exposta à crítica (a transmissão das comunicações entre as equipas e Masi ajudam ainda mais).
Masi tem dois anos à frente da F1, tendo assumido a liderança quando Charlie Withing morreu subitamente no arranque da época de 2019. Não falta experiência a Masi, mas faltará mais ajuda e apoio.
Martin Brundle falou disso mesmo na sua coluna na Sky Sports:
“As últimas voltas em Abu Dhabi, quando os olhos do mundo estavam sobre nós em números espantosos, não foram o nosso melhor momento e algumas coisas têm de mudar este Inverno”, escreveu Brundle. “Certamente confundimos os nossos fãs no domingo. Michael Masi é o director da corrida, substituindo o nosso querido amigo Charlie Whiting que infelizmente morreu no seu quarto de hotel em Melbourne, literalmente na véspera da época de F1 de 2019. Michael tem uma forte história a dirigir os V8 australianos, o que não é exatamente um trabalho sonolento pelo que eu imagino, mas nada como os holofotes e a pressão de multi-biliões de dólares globais de F1. Agora, se Michael quer continuar, e a F1 e o corpo dirigente da FIA querem mantê-lo, então as coisas têm de mudar. O director da corrida precisa agora de um braço direito de confiança e experiente, especialmente na maratona de 23 corridas do próximo ano, incluindo um novo local em Miami. E as equipas devem ser muito limitadas no número de vezes que podem desafiar o Race Control a meio da época, para que sejam utilizadas mais estrategicamente quando há um ponto justo e relevante a fazer. Não podemos simplesmente ter o árbitro a ser intimidado dessa forma”.
O que falhou em Abu Dhabi? Falhou a falta de consistência nas decisões que vimos durante o ano e que foi cozinhando em lume brando uma polémica que a certo ponto parecia inevitável. Falharam as decisões de Masi nas últimas corridas do ano e as decisões dos comissários durante a época toda. Falhou Masi, que ao tentar dar um final épico, esqueceu o bom senso e fez um uso seletivo do que os regulamentos dizem, acabando por prejudicar os pilotos que não puderam anular a volta de atraso e no final, ensombrar a festa. Falhou a forma como Masi foi exposto, sem lhe dar outro tipo de ferramentas ou proteção. Terá falhado a pressão extra de proporcionar um “Grand Finale” aos fãs? Provavelmente. Fica agora a questão. Será que Masi vai continuar? Será necessária uma mudança na liderança das corridas? Dá a sensação que a FIA aburguesou-se nos anos de domínio da Mercedes, que reduziu consideravelmente a pressão na direção de corrida. Não foram feitos esforços para evitar erros que não são novos e que este ano foram exacerbados por uma luta intensa. A Liberty Media fez um trabalho tremendo para colocar a F1 de novo no Topo e esta luta foi o culminar do trabalho desenvolvido. Foi pena que o organismo que mais deveria zelar pela competição tenha metido os pés pelas mãos e estragado a final.










