F1: McLaren tem ainda de crescer
Os GP da Itália e da Rússia mostraram bem a situação atual da McLaren. Uma equipa claramente melhor, cada vez mais perto das equipas de topo… mas ainda com muito para crescer.
Com dois fins de semana seguidos na luta pela vitória, sendo que num deles foram bem sucedidos, a McLaren deu um claro sinal de que o seu crescimento é cada vez mais palpável. Já longe vão os tempos em que a equipa tinha fins de semana maus em que nem o ritmo, nem a estratégia, nem as paragens nas boxes resultavam. Mas também ainda mais longínquos são os tempos em que a McLaren lutava por vitórias e títulos.
A McLaren tem muito pouco do que era em 2012, ano da última vitória na F1, antes do fim de semana de Monza. É agora uma equipa completamente reestruturada, com uma nova filosofia, nova chefia e novo staff. Usando a comparação com o mundo futebolístico, é o equivalente a começar do zero com um novo plantel, equipa técnica e direção. Ou seja, apesar de ser uma das equipas mais antigas do grid, a McLaren tem inexperiência em algumas áreas.
Não há dúvida que há muito trabalho bem feito e Monza mostrou os pontos fortes da equipa. Uma dupla de pilotos talentosa que soube lidar com a pressão e com as exigência da corrida e uma equipa que soube jogar as suas cartas no momento certo. Mas é preciso relembrar que Monza sorriu à equipa de Woking, não só por ter características que beneficiavam o seu carro, mas também pelos erros que a Mercedes e Red Bull cometeram. A vitória foi brilhante e com todo o mérito, mas com menos pressão do que seria expectável. Em Sochi voltamos a ver laivos de brilhantismo por parte de toda a equipa, mas houve hesitação no processo de decisão quando a chuva começou a cair. E aí sim, sentiu-se alguma inexperiência. Por parte de Lando Norris, que quis ficar em pista, mas essencialmente por parte da equipa, que a certo ponto perdeu o controlo das operações e nunca mais foi capaz de o recuperar. E se do lado de Norris vimos uma chamada às boxes perfeita (antes da chuva cair), quer na execução, quer no timing, com Daniel Ricciardo vimos problemas na troca de pneus (algo que não aconteceu só à McLaren). Foram pequenos erros que, somando tudo, mostram que ainda há trabalho pela frente.
Parece que na área técnica a McLaren começa a ter cada vez mais força, e a forma como tem evoluído o carro mostra que há muito trabalho bem feito, que poderá melhorar ainda mais com o novo túnel de vento e novo simulador. Nesse aspeto a McLaren parece estar mais perto do topo. Basta analisar o ritmo de evolução do carro, as soluções engenhosas apresentadas, assim como a fiabilidade que a McLaren tem apresentado. 2022 será o grande teste, mas pelo que já vimos, há motivos para otimismo. Na vertente desportiva, falta algo… algo que só a experiência de lutar constantemente por vitórias trará, algo que Red Bull e a Mercedes têm para dar e vender. O pior momento já passou, a reestruturação está concluída e o momento da equipa é de crescimento. Mas, apesar de falarmos da McLaren, estamos perante uma equipa que começa pela primeira vez em muitos anos a incomodar as equipas grandes. E é normal que vá cometer erros nas primeiras vezes. Faz parte do percurso que Zak Brown avisou que a equipa tinha de percorrer, quando em 2018 disse que a equipa precisava de cinco anos para voltar ao topo. E mesmo depois dessa viagem feita, para chegar ao nível da Red Bull e da Mercedes, será necessário vermos Andreas Seidl e Zak Brown noutra luz. Christian Horner é um animal político, que usa as influências e os media como poucos, Toto Wolff é o homem que trabalha nos bastidores mas que este ano está a sentir ( e a responder) como se enfrenta uma “guerra total”. A estrutura da McLaren só estará 100% pronta para enfrentar todos os fins de semana a Mercedes e a Red Bull, quando as souber enfrentar também nesse campo. Mas até lá chegar terá de aprimorar outros pormenores. Não é algo que aconteça rapidamente. Mas a amostra é muito positiva.
“Estamos a construir isto juntos, estamos a aprender com os erros que estão a acontecer, e penso que é isso que se vê em termos de resultados”, disse Seidl, citado pela Motorsport Week. “Estamos em melhor posição, tivemos boa fiabilidade, o que é fundamental para conseguirmos marcar estes pontos a toda a hora. Penso que nós – apesar do que aconteceu no final da corrida – temos uma equipa de corrida que, por vezes, está em sintonia com a estratégia, com decisões de pneus durante a corrida, por isso estou muito satisfeito com o progresso que estamos a fazer. Mas, claro, em termos das equipas que estão à nossa frente no campeonato, ainda temos défices em todas as áreas, e é por isso que é importante depois de um fim-de-semana como em Monza ou na pole position, a primeira coisa a fazer é analisar o que se poderia ter feito melhor porque há sempre algo que se poderia ter feito melhor. O momento em que se está satisfeito com o que se alcançou é o início do declínio, por isso é assim que o abordamos”.
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI




