F1, McLaren: A confirmação de um trajeto impressionante

Por a 21 Dezembro 2025 17:12

A McLaren viveu em 2025 uma das épocas mais dominantes da sua história, conquistando o Campeonato de Construtores com uns esmagadores 833 pontos, devolvendo também o título de pilotos a Woking pela primeira vez desde 2008 e consolidando o seu regresso ao topo do desporto.

Foi o culminar de uma caminhada que começou no fundo da grelha, que exigiu tempo, paciência e uma visão bem definida. Um projeto que, em 2018, era dito que levaria 5 anos a colocar a equipa no topo. Cinco anos depois, a McLaren venceu o título de construtores, e este ano, juntou o bicampeonato de construtores com o título de pilotos.

O MCL39 afirmou-se como a referência técnica incontestável da grelha: um carro versátil, extremamente eficaz na gestão de pneus em corrida, e com uma janela de funcionamento notavelmente alargada que permitiu aos pilotos maximizar o potencial em qualquer circuito. A equipa geriu uma rivalidade interna intensa, mas profundamente produtiva, com Norris e Piastri a somarem 14 vitórias combinadas (7 cada) e a mantarem-se na luta pelo título até à derradeira volta em Abu Dhabi. Apesar de alguma vulnerabilidade residual em velocidade de ponta nas retas longas, a consistência, fiabilidade e versatilidade do pacote McLaren foram imbatíveis, permitindo à equipa dominar de forma clara o segundo e terceiro lugares (Mercedes com 469 e Red Bull com 451). Excelente trabalho de toda a equipa com destaque para os líderes, Zak Brown e Andrea Stella.

Andrea Stella, Team Principal, McLaren F1 Team, and the McLaren team celebrate in Parc Ferme

O MCL39 afirmou-se como uma evolução profunda e bem-sucedida do MCL38 campeão, corrigindo a principal fragilidade do seu antecessor: o comportamento em baixa velocidade e a previsibilidade nas transições. A McLaren reformulou conceitos-chave de suspensão, geometria e aeroelasticidade, criando um carro capaz de rodar baixo e estável, com uma janela de funcionamento muito mais ampla do que a dos seus rivais.

Entre os pontos fortes destacam-se a previsibilidade dinâmica, uma extraordinária gestão de pneus em corrida — apoiada por um sistema de arrefecimento altamente eficiente —, excelência em curvas rápidas sem comprometer em demasia as secções lentas, e uma fiabilidade superior, praticamente sem abandonos mecânicos.

Os pontos menos positivos foram relativos: menor velocidade de ponta em pistas de potência pura devido a opções estratégicas de maior carga aerodinâmica; alguma sensibilidade ao ar sujo no início do ano, parcialmente resolvida com evoluções; e dificuldades pontuais em aquecer pneus em qualificações com temperaturas mais baixas.

No balanço global, o MCL39 revelou-se o carro mais completo da grelha, competitivo em quase todos os tipos de circuitos e condições, consolidando a McLaren como referência técnica e desportiva.

Juntou-se a isso um trabalho muito bom da equipa com execuções boas na grande parte do ano. Nota negativa para os problemas nas paragens nas boxes que, a certo ponto da época, provocaram alguns prejuízos. Destaque para as “regras papaia” famosas pela frequente indefinição do que eram. Tratava-se apenas de uma filosofia arriscada, raramente usada na F1, mas que tentou dar sempre igualdade de tratamento a ambos os pilotos, arriscando até o desejado título de pilotos. A McLaren foi firme nesse desígnio e conseguiu ter sucesso quando muitos previam fracasso.

Lando Norris – Campeão do Mundo (423 pontos)

Lando Norris alcançou a glória máxima ao sagrar-se Campeão do Mundo com 423 pontos, superando Max Verstappen por uma margem mínima de dois pontos numa final de Abu Dhabi tensa. O britânico somou 7 vitórias e 18 pódios ao longo da época, mostrando uma evolução mental notável para lidar com a pressão do título e para ultrapassar uma fase inicial em que estava claramente atrás de Piastri em ritmo puro. Norris foi particularmente forte na segunda metade da época, ganhando ímpeto quando Piastri perdeu gás. A sua regularidade nos pódios (18 contra 16 do colega) e a capacidade de pontuar em dias em que o McLaren não era mais rápido foram a chave para o triunfo final.

Aos 25 anos, Norris provou ser capaz de lidar com o maior peso mental de uma luta por campeonato, mantendo a compostura e a velocidade num momento em que Verstappen estava ao auge da sua performance. O britânico conseguiu trabalhar e eliminar o ponto fraco que era a sua força mental. O arranque menos bem conseguido obrigou-o a trabalhar afincadamente essa arma, o que se revelou fundamental para a reta final que valeu o título. A vitória de Norris não é unânime, nem o #4 (agora transformando em #1) é figura consensual, ao contrário de outros tempos. Mas este titulo poderá ter o condão de nos mostrar mais do piloto, agora com o principal objetivo conquistado.

Nota: 9/10

Oscar Piastri – 3.º no Mundial (410 pontos)

Oscar Piastri confirmou o seu estatuto de estrela em ascensão, terminando em 3.º lugar com 410 pontos, a escassos 13 pontos do campeão, numa performance que deixou claro que poderia ter vencido o título em outras circunstâncias.

O australiano liderou o campeonato durante mais de metade da temporada, impulsionado por uma sequência extraordinária de 7 vitórias e dominância de ritmo puro que o colocava frequentemente à frente de Norris em qualificação. Piastri mostrou-se muitas vezes o piloto mais rápido e parecia estar destinado ao título. No entanto, pagou o preço de alguns erros estratégicos em momentos chave e de uma quebra de forma, permitindo que Norris recuperasse e consolidasse a liderança nas últimas corridas. Ainda assim, as 7 vitórias e 16 pódios o colocam como responsável por aproximadamente metade do total de 14 vitórias McLaren no ano, sublinhando o seu contributo imenso para o título de construtores. Piastri tem todos os argumentos para ser um crónico candidato. Teve de dar um passo no seu processo de maturação numa fase crucial da época e que lhe custou o sonho. Mas o talento e a qualidade do piloto são inegáveis.

Nota: 8/10

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