F1, Limites de pista: Um mal necessário, ou excesso de zelo? (Sondagem)

Por a 4 Julho 2023 09:30

Começa a ser um clássico em Red Bull Ring. Os limites de pista tornam-se no centro das atenções e a respetiva aplicação de penalizações estraga o espetáculo, que na pista austríaca costuma ser de qualidade. Este ano voltamos a ter polémica, com um tema que continua a ser delicado e de resolução aparentemente difícil.

Os limites de pista são um tema capaz de fazer arrepiar os fãs da F1. O que deveria ser simples, acaba por se tornar complicado… não fosse isto a F1. Durante algum tempo a postura da FIA era flexível. Demasiado até. Os limites de pista mudavam de pista para pista e, não poucas vezes, de dia para dia. Ora um desporto, seja ele qual for, não pode mudar de regras de um dia para o outro, correndo o risco de se ouvirem acusações de favorecimento de uns em detrimento de outros. Mais ainda, é necessário estabilidade, pois as mudanças constantes por vezes surpreendem os mais distraídos, que se vão queixar que as regras não eram assim antes e que ninguém os avisou. É o equivalente a mudar as regras do fora de jogo no futebol de jogo para jogo.

Nos últimos anos, a FIA tem adotado uma postura mais assertiva, especialmente com a entrada de Niels Wittich e de Eduardo Freitas. As regras são claras, as linhas brancas que delimitam a pista, são os limites e se os carros passaram para lá desse limite têm de ser advertidos ou penalizados. A postura foi inicialmente elogiada, pois finalmente chegou à consistência que se pretendia nesta regra. Mas a sua aplicação revelou-se mais difícil.

O exemplo da Áustria é sintomático. Mais de 1200 casos de abuso de limite de pista foram reportados e mais de 100 voltas apagadas. Um exagero, exacerbado pelo protesto da Aston Martin, que levou a FIA a aplicar ainda mais penalizações com Esteban Ocon a chegar ao absurdo de 30 segundos de penalização por essa infração (feita de forma repetida). E, mais uma vez, a F1 pecou, pois o resultado final sofreu alterações, o que estraga o espetáculo.

Então o que fazer? Não haver limites de pista? Mudar a aproximação? Ou manter? Deixar de aplicar limites de pista parece ser a solução menos interessante. São os limites de pista que fazem a diferença entre os bons e os muito bons. Sem isso, um piloto com menos talento pode tentar travar mais tarde, sem ter arte para isso, mas não sendo penalizado, pode ganhar uma vantagem face ao piloto mais talentoso que consegue manter-se nos limites estabelecidos. Manter os limites atuais deveria ser a solução certa e os piloto teriam de se adaptar a esta realidade. É verdade que não é fácil manter o carro nos limites, mas é isso que distingue a qualidade dos pilotos. Mas para termos cenas como as que vimos na Áustria, talvez seja necessário repensar, ou na abordagem à regra, ou na abordagem dos pilotos. Se em vez da linha branca estivesse um muro, ninguém arriscava tanto e o limite estava bem definido.

A mudança de aproximação a esta regra pode passar por duas vias: ou se mudam os traçados e se colocam caixas de gravilha nas zonas mais críticas e isso vai implicar que algumas pistas terão de optar entre a F1 e o MotoGP (pois o MotoGP não quer caixas de gravilha), o que é injusto para uma infraestrutura cujo investimento é de milhões e que perde uma forma de rentabilizar e recuperar o dinheiro investido. Talvez a melhor solução seja um limite de pista com tolerância. Primeiro definir de forma clara o limite. É a linha branca? É o corretor? Idealmente será sempre a linha branca. E depois encontrar forma de distinguir o que é um abuso de limite de pista e o que é uma saída de pista por outros motivos, que não devem ser penalizados. Por fim, encontrar um compromisso que sirva a todos. Aplicação de uma tolerância de alguns centímetros, por exemplo.

Não podemos voltar a ver o que aconteceu em Red Bull Ring. A F1 tem perdido algum gás com o domínio de Max Verstappen. Se este tipo de queixas continuar, alguns dos novos fãs (e até mesmo os mais antigos) poderão perder a vontade de ver. Não faltam outras opções de entretenimento. A FIA tem de estabelecer uma regra bem definida, sem excesso de zelo. Os pilotos têm de a respeitar e aceitar.

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15 comentários

  1. Cágado1

    4 Julho, 2023 at 10:47

    Manter genericamente a regra; procurar pôr correctores que efectivamente atrasem o andamento; até que isso seja possível, aceitar que pode haver algumas excepções, onde a fiscalização seja inviável na práctica, como neste caso. Em termos de longo prazo, procurar soluções tecnológicas mais avançadas, seja com novos materiais, seja actuando electrónicamente para evitar vantagem nos excessos.

    • Danny Ric Fan Club

      4 Julho, 2023 at 17:01

      Já houve correctores para evitar as saídas de pista. Eram os sausage kerbs. O Red Bull Ring tinha-os, bem como Monza e Silverstone. Em Monza, o toque entre o Hamilton e o Verstappen deveu-se a um destes limitadores. Noutras pistas foi frequente os carros voarem quando os pisavam. A oposição dos pilotos e equipas foi de tal ordem que os removeram da maioria dos circuitos.

  2. Miguel Costa

    4 Julho, 2023 at 11:09

    Manter a regra, na minha opinião, não havendo correctores que atrasem de forma óbvia a velocidade do carro, levando a que sejam evitados pelos pilotos. Nesta pista as curvas 9 e 10 foram as mais visadas, mas houve alguém que disse (acho que foi o comentador convidado na SportTV) que a curva 7 era onde se ganhava mais tempo ao ultrapassar os limites de pista e onde quase todos o faziam, mas como a câmera não apanhava, foram passando. Mais uma vez, acho que se o primeiro e segundo classificado não foram penalizados, fica provado que é possível fazer o GP com bons resultados sem ultrapassar, vezes sem conta, os limites de pista.

    • Pity

      4 Julho, 2023 at 11:27

      Concordo, mas ponho uma questão: se tivéssemos tido um fim de semana normal, com três treinos livres, será que teríamos assistido a esta palhaçada? Como diz, e bem, os dois primeiros “aguentaram-se” dentro dos limites. São os outros pilotos uns aselhas a conduzir, ou têm carros mais difíceis de afinar? Lembrei-me deste ponto pelas declarações do Hamilton e extrapolei para os outros. É normal um piloto ou outro exceder os limites de pista, mas tantos e tantas vezes? O Ocon, então, foi um festival…

      • Miguel Costa

        5 Julho, 2023 at 11:58

        Eu discordo da questão da afinação dos carros, os respectivos colegas do Max e Leclerc tem o mesmo carro, estilo de condução diferente, verdade, mas o carro é igual, o Russell também, e não considero nenhum dos seus colegas de equipa aselhas. O maior exemplo disso foi, na minha opinião o Lando Norris, em dois onboards dele (ocasiões diferentes), vê-se que ele vai ultrapassar os limites de pista e instantaneamente levanta o pé para corrigir, a tal questão de que mais vale perder meio segundo do que 5, ou 10, até porque ali, curvas 9 e 10, ninguém vai ultrapassar.

  3. NOTEAM1 NOTEAM1

    4 Julho, 2023 at 11:24

    No caso de RB ring, claramente excesso de zelo, para não lhe chamar outra coisa.
    É evidente que noutras pistas, em determinadas curvas, em circunstâncias que envolvem lutas entre pilotos em pista, evidentemente que faz sentido haver limites de pista.
    No caso da última corrida, já começa a ser norma sempre que ali se corre, estas limitações revelam-se impraticáveis.
    É muito complicado para os pilotos se manterem dentro dos limites de pista naquelas curvas, pelo que se devia normalizar a situação.
    Há uma outra forma de resolver o “problema”, voltar aos anos 90 e colocar um corrector mais estreito com relva e gravilha imediatamente a seguir.

    • A.Pires

      4 Julho, 2023 at 14:42

      Esta é também a minha opiniao. Cada pista ,suas regras. Torna-se dificil encontrar uma regra universal que seja ao mesmo tempo dissuasora do abuso mas que não tenha o efeito nefasto que hà nesta pista. Fàcil? Claro que não……

  4. Leandro Marques

    4 Julho, 2023 at 13:54

    Os atuais pneus são enormes. 18” deram azo a que a visibilidade se tornasse muito complicada, daí não se poder comprar com carros de gerações anteriores (os de 13” duraram décadas).
    Os pneus medem 305mm de espessura nos dianteiros e 405mm nos traseiros. Tendo isso em conta, defendo uma linha interior com guia sonora (como nas auto estradas comuns que avisam a saída de faixa) com 15cm de forma a o piloto sentir que está no limite, 5cm sem nada e depois a linha delimitadora atual. Penso que isto ajudaria ao espetáculo.
    Seja isto ou não aplicado, e crendo que as pistas poderão não ser alteradas devido a outras provas motorizadas se desenrolarem nos circuitos, penso que o limite deveria ser inflexível em qualificação e em corrida só haver aviso / penalizacao caso houvesse nítida vantagem por ter ultrapassado o limite (ultrapassagem ou caminho atalhado).

    • Furelli GP

      4 Julho, 2023 at 15:58

      Tendo a concordar com o ponto dos pneus porque dificulta sempre a visão, mas em relação às guias sonoras, não funcionaria e eu explico porquê: os correctores nessas zonas já têm indicadores sonoros, com uma largura bastante grande e, à velocidade a que os carros passam, parecem demasiado estreitos. Estamos a falar de carros que passam ali a velocidades tão elevadas (e não falo só nos F1, mas em quase todos os fórmulas e a maioria de GTs e protótipos) que não dá para corrigir o que quer que seja. Além disso, tecnicamente, no automobilismo as curvas não se abordam da mesma forma que se conduz um carro normal (nem mesmo quando se conduz rápido). Os pilotos não se orientam pela pista em si mas por pontos de referência. No caso das curvas do Red Bull Ring, antes de virar o carro, a visão do piloto já está no ponto de saída, que por vezes não é visível (caso da última curva) e obriga o piloto a imaginar onde está. Enquanto isso, há todo um jogo de travagem, apex e aceleração que, dependendo de vários factores, pode não correr tão bem e fazer alargar a saída. E tudo isto é influenciado por factores como posicionamento do carro, temperatura/desgaste dos pneus (e tipo de pneus), concentração e confiança (o mais importante nesta pista). Se houvesse ali um muro ou gravilha, a cautela seria outra. Não havendo, há mais liberdade para confiar e arriscar. Cada fracção de segundo conta e quando um carro alarga à saída, não dá para corrigir até porque há uma certa subviragem e força centrífuga.

  5. ...

    4 Julho, 2023 at 14:31

    A regra é igual para todos e está bem como está, e se uns conseguiram não ser penalizados… Isto resume-se apenas a uma coisa: pilotos a tentar tirar vantagem. Curioso é que em pistas citadinas e nas zonas de gravilha ou relva os pilotos conseguem manter-se dentro dos limites da pista e não se vê nada disto…

  6. Furelli GP

    4 Julho, 2023 at 15:36

    Por mim, era adoptar a filosofia do IMSA/Indycar. Não há limites. Depois, para certas zonas, se necessário aplica-se relva ou gravilha para penalizar de forma natural. Isto, claro, para limites exteriores. E usando o bom senso. Em circuitos como Paul Ricard, pode-se introduzir uns mecos na parte de fora que são obrigados a contornar caso saiam da pista. Outra abordagem, num polo oposto, é utilizar um sistema de pontos, semelhante ao que há no SimRacing, mas que a F1 tem recursos para fazer: Se o carro passa a totalidade dos limites, é aplicado um ponto. Ao fim de X pontos é mostrada a bandeira preta.

  7. edgarmiguel469gmail-com

    4 Julho, 2023 at 17:36

    Travem mais cedo e n encima das curvas. Tenham mãozinhas!! Os limites de pista é para cumprir. Regras sao regras

  8. simiao jms

    4 Julho, 2023 at 18:14

    Penalização em zonas onde se ganhei tempo… Talvez, ou então esse limite com um corrector mais alto de modo a que possa danificar o chassi, por exemplo…

  9. Manuel Araujo

    4 Julho, 2023 at 18:40

    Acabar com estas regras absurdas… e deixar correr com respeito e lealdade …. vejam a INDY sempre abrir….

  10. F1 FOR FUN

    6 Julho, 2023 at 14:07

    2 metros de relva e corretores mais estreitos, se as pistas não aceitarem bye bye, escolham entre a Moto GP e a F1. Retirar as regras e temos palhaçadas como as corridas de NASCAR e Indycar no COTA. Mesmo assim onde há relva e gravilha a FIA adora apagar os tempos na mesma.

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