O GP do Catar ficou marcado pelas condições extremas que os pilotos encontraram em pista, com o calor a complicar sobremaneira a tarefa dos pilotos, que chegaram ao fim da corrida exaustos e muitos deles tiveram de ir ao posto médico. Alguns pilotos do passado minimizaram esse facto, mas George Russell não ficou muito contente com o que ouviu.
“Se estivermos em boa forma, não ficamos doentes. É um problema de condição física e uma questão circulatória” disse Gerhard Berger no seu comentário após a corrida do Catar. Martin Brundle foi menos incisivo nas críticas e afirmou que “são corridas como a do catar e dias muito chuvosos que fazem com que os pilotos de F1 pareçam os heróis e atletas que são.”
George Russell rebateu as críticas afirmando que não se tratou de um problema de falta de preparação:
“Eu treino para o calor”, contrapõe Russell. “Treino com três camadas de roupa antes destas corridas quentes. Faço uma grande quantidade de saunas para me adaptar ao calor. Estes tipos que estão a comentar isto, nós estamos a fazer voltas 20 segundos mais rápidas do que eles, nas curvas a atingir forças de 5G, em todos os aspetos. É claro que temos de ser gladiadores, mas quando se trata de calor, o corpo apenas aguenta o que é possível”.
Russell acrescentou: “No campeonato do mundo de futebol, os jogadores fizeram duas pausas de três minutos para beber água durante o jogo. Fizeram uma pausa de 15 minutos ao intervalo, e nós conduzimos a fundo durante 90 minutos, num circuito de alta velocidade e muito apoio aerodinâmico, com uma temperatura e humidade horríveis.”
“Qualquer um pode dizer o que quiser, mas também os carros de corrida dos anos 80 e 90 não tinham todas as caixas de eletricidade à volta do cockpit, aquecendo-o, e não tinham o sistema de direção assistida a funcionar a 50-60 graus, irradiando calor. Temos linhas hidráulicas à volta do cockpit que estão a 120 graus, por isso o cockpit estava a aproximar-se dos 60 graus Celsius durante a corrida. E temos roupa interior à prova de fogo mais grossa do que alguma vez usaram. Desde o acidente de (Romain) Grosjean, as roupas ignífugas são substancialmente mais grossas. Portanto, as pessoas podem dizer o que quiserem, as coisas são diferentes agora, da mesma forma que eram diferentes há 40 anos.”
Russell referiu o caso de Alex Albon que sofreu de um golpe de calor:
“Sei, pelos pilotos, que alguns dos que sofreram um golpe de calor também ficaram doentes na semana seguinte”, observou.
Alex Albon também comentou o assunto:
“Não está relacionado com a condição física, é pura exaustão pelo calor. Toda a gente está a desmaiar no chão a tentar despir a roupa depois da corrida, por isso não é realmente uma questão de condição física. É uma daquelas coisas que não podemos comunicar porque somos as únicas pessoas que conduzem, por isso, quando dizemos que é mau, espero que as pessoas acreditem na nossa palavra e saibam que não estamos a ser divas.”









