F1: FIA apresentou as mudanças do regulamento técnico para 2026
A Fórmula 1 prepara-se para uma das maiores transformações da sua história recente com a entrada em vigor do novo regulamento em 2026. Após uma temporada altamente competitiva, o foco desloca-se rapidamente para uma mudança estrutural profunda que abrange, em simultâneo, chassis, aerodinâmica, unidades de potência, segurança e sustentabilidade, inaugurando uma nova era no campeonato.
Formula 1 and the @fia have today revealed the 2026 Technical Regulations.
2026 will see both the chassis and power units updated, in the biggest overhaul of regulations in the sport’s history. These changes will shake up the order and create new excitement, while delivering… pic.twitter.com/zRxRl0sI4f
— F1 Media (@F1Media) December 17, 2025
Mais agilidade, menos peso
Ao contrário de anteriores alterações regulamentares, centradas sobretudo no motor ou no chassis, as regras de 2026 reformulam integralmente o conceito dos monolugares. O pilar central desta revolução é o chamado Nimble Car Concept, que visa inverter a tendência de carros cada vez maiores e mais pesados. Os novos F1 serão 30 kg mais leves, com um peso-alvo de 724 kg (incluindo pneus), mais curtos, mais estreitos e significativamente mais ágeis, com a distância entre eixos reduzida em 200 mm, para 3400 mm. A largura do carro foi reduzida em 100 mm e a largura do piso em 150 mm.

Aerodinâmica ativa
As asas dianteira e traseira foram redesenhadas, com a introdução de elementos ativos, e componentes como a beam wing foram eliminados. Estas alterações resultarão numa redução estimada de até 30% da carga aerodinâmica e cerca de 55% do arrasto, penalizando inicialmente a velocidade em curva, mas promovendo melhor aceleração e potencial de recuperação de tempos com o desenvolvimento técnico.
Outro objetivo central do novo regulamento é melhorar a capacidade dos carros seguirem de perto uns dos outros. Após ganhos iniciais com as regras de 2022, a FIA reconhece que as equipas voltaram a explorar soluções aerodinâmicas que degradaram a qualidade do ar turbulento. Em 2026, o controlo das turbulências será mais rigoroso, com restrições adicionais em áreas críticas como as placas das asas dianteiras, travões e laterais do fundo. Acabaram os complicados fundos com túneis de Venturi e regressam os fundos planos, que geram menos apoio aerodinâmico, mas permitem mais possibilidades de afinação. Os carros não terão necessidade de estar estão próximos do solo e o famoso “porpoising” deixará de existir.

Fim do DRS. Seguem-se Straight Mode / Corner Mode e Overtake Mode
Uma das mudanças mais visíveis será o fim do DRS. No seu lugar surge um sistema de aerodinâmica ativa com dois modos distintos: Straight Mode, para redução do arrasto em reta, e Corner Mode, para máxima carga em curva. Este sistema poderá ser utilizado por todos os pilotos em zonas pré-determinadas, independentemente da distância para o carro da frente, tendo como principal objetivo a gestão eficiente de energia.
A ultrapassagem passará a ser assistida sobretudo pelo novo Overtake Mode, que permite aos pilotos, quando a menos de um segundo do adversário, aceder a energia elétrica adicional. A combinação de maior potência elétrica no carro perseguidor e limitação progressiva no carro da frente deverá criar diferenciais de velocidade suficientes para facilitar manobras de ataque. O Boost Mode será operado pelo piloto, a qualquer altura da corrida, para defender ou atacar, dependendo da posição em pista. Fornece ao piloto a potência máxima do motor e da bateria com o simples toque de um botão, independentemente do local onde se encontra na pista. Os pilotos também terão de gerir a forma como recarregam as baterias, colocando em cima da mesa mais uma variável estratégica.

Mudanças drásticas na Unidade Motriz
Também as unidades de potência sofrem uma reformulação profunda. Mantendo o motor híbrido 1.6 turbo, o novo conceito elimina o MGU-H e reforça drasticamente a componente elétrica, que passa de 120 kW para 350 kW. A potência do motor de combustão interna diminui, resultando numa repartição equilibrada entre energia térmica e elétrica.
Estas regras tornaram o campeonato mais atrativo para novos construtores. Em 2026, a Fórmula 1 contará com cinco fabricantes de motores: Mercedes, Ferrari, Audi, Honda (em parceria com a Aston Martin) e Ford, associada à Red Bull Powertrains. Paralelamente, o campeonato receberá um novo construtor, a Cadillac, que marcará a primeira entrada totalmente nova desde a Haas, em 2016.

Sustentabilidade é um dos pilares
A sustentabilidade é outro eixo central. A partir de 2026, todos os carros utilizarão combustíveis 100% sustentáveis, produzidos a partir de componentes avançados de origem não alimentar ou resíduos, sujeitos a um rigoroso sistema de certificação e verificação independente, garantindo o cumprimento de metas ambientais exigentes.
Segurança mantém-se no topo das prioridades
A segurança também foi reforçada, com estruturas de impacto revistas, maior proteção lateral, aumento das cargas suportadas pelo arco de segurança e novos sistemas luminosos para identificação do estado energético dos carros. Em adição às luzes traseiras, os espelhos retrovisores também terão luzes.
Após três anos de trabalho conjunto entre a FIA, a Fórmula 1 e as equipas, o pacote regulamentar ficou completo no final de 2025, com a aprovação final das seis secções que passam a estruturar os regulamentos técnico, desportivo, financeiro e operacional do campeonato.

“Os carros de 2022 começaram com uma melhoria significativa nas características da turbulência”, explicou Nikolas Tombazis, director de monolugares da FIA. “A carga aerodinâmica a cerca de 20 metros passou de aproximadamente 50% para cerca de 80 a 85%, mas esse valor foi decaindo ao longo do ciclo regulamentar. Acreditamos que, no início do novo ciclo, estaremos mais perto dos 90%, melhor do que alguma vez foi.”
“Aprendemos muito com isso e, ao desenvolver as regras para 2026, esperamos manter essas boas características por mais tempo ou, idealmente, evitar essa degradação”, acrescentou.
“Vai ser bastante diferente, sobretudo em corrida e não tanto na qualificação”, afirmou Simone Resta, diretor técnico-adjunto da Mercedes. “Todos os pilotos vão utilizar asas móveis dianteiras e traseiras em vários pontos da volta e recorrer à energia para ultrapassar. Será potencialmente muito mais imprevisível.”
“Foi feito muito trabalho para criar carros que proporcionem corridas mais próximas”, sublinhou Andy Stevenson, diretor-desportivo da Aston Martin. “Temos grelhas equilibradas, mas podemos melhorar o espetáculo. Quando vejo as tecnologias que estamos a introduzir, fico realmente entusiasmado.”
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