F1, Ferrari: “Este é um teste vital para o limite orçamental”

Por a 1 Outubro 2022 12:45

É a mais recente polémica na F1, com o potencial de desestabilizar e até comprometer o futuro do limite orçamental na F1 e a Ferrari está atenta ao que se vai passar nos próximos dias.

Surpreendentemente, uma vez que os dados fornecidos pelas equipas são confidenciais e apenas a FIA tem acesso a eles, surgiram rumores que duas equipas não cumpriram com o limite orçamental em 2021, ano em que foi implementado pela primeira vez. Esses rumores apontam que a Red Bull e a Aston Martin não cumpriram com o limite estabelecido. A Red Bull já negou veementemente essas acusações, a FIA afirmou que a avaliação ainda decorre e que toda a especulação não será tida em conta para os resultados que poderão ser anunciados na quarta-feira.

Como seria de esperar, esta questão do limite orçamental iria ser usada como arma de arremesso político entre equipas e a única coisa que podia evitar isso seria uma aplicação clara das regras. Mas, como sempre dito pelas equipas, este tipo de fiscalização seria sempre complicada de fazer, algo que a Ferrari fez questão de realçar várias vezes.

O limite orçamental tem de ser cumprido, mas há uma tolerância de 5% em que as penalizações são menores. Ou seja, as infrações são definidas como ‘menores’ ou ‘materiais’, com opções de punição para o primeiro nível que vão desde repreensões a deduções de pontos e limitações em futuros testes aerodinâmicos ou outros testes e/ou uma redução no limite de custos do ano seguinte. Exclusão de corridas ou exclusão do campeonato também podem ser consideradas para infrações “materiais”.

As penalizações não estão claramente definidas para evitar que as equipas façam uma avaliação do que podem gastar a mais, sendo as penalizações ainda toleráveis. No entanto, 5% do limite orçamental de 2021 equivale a 7.25 milhões de dólares, o que é uma quantia substancial. E esta “tolerância” irá dar muito que falar.

Laurent Mekies considera que este é um teste de fogo para a validade do Limite Orçamental e poderá colocar em causa o futuro do limite:

“É um teste vital para o limite orçamental”, disse Mekies, citado pela The Race “E se não passarmos esse teste, então é provavelmente o fim, porque as implicações são enormes”.

“Estamos preocupados? Sim. A preocupação vem de, se pensarmos no nível de restrições que têm sido impostas às grandes equipas, então apercebemo-nos do tempo por volta que alguns podem ganhar se não aplicarmos o limite rigorosamente. Fomos muito afetados, portanto qualquer milhão, qualquer fuga vai transformar-se em alguns décimos de segundo no carro. Se pensar na quantidade de tempo de volta que está nesse tipo de números [financeiros], 7 milhões equivalem a 70 engenheiros, que poderiam permitir ganhos em tempo por volta”.

“Há muitas vantagens em ter o limite orçamental, somos totalmente a favor desse conceito, de o aplicar da forma mais severa e transparente possível, porque é o caminho a seguir, desde que consigamos passar neste teste de stress.”

Mekies reforçou a ideia da severidade das penalizações a aplicar e referiu que qualquer mudança ou compromisso poderá ser também fatal para o limite orçamental:

“O que não queremos é que a regra mude a meio da época, que encontremos um compromisso e que de repente as regras sejam diferentes, não só no que diz respeito à época de 2021, mas também como resultado para 2022 e talvez para 2023. Portanto, essa é a chave”, disse Mekies. “Qual é a vantagem que estás a levar para o campeonato seguinte? É provavelmente a primeira [pergunta] para a qual queremos a resposta. Então, se houve uma infração em 2021, que vantagem foi transportada para 2022 e para 2023? E depois temos de discutir o tempo de aplicação da penalização e como tornar a penalização significativa”.

Não é difícil de entender o que está aqui em jogo. A Red Bull, que venceu o título de pilotos com Max Verstappen de forma polémica, poderá estar no centro de um furacão com a Mercedes atenta (pode tentar reverter a decisão do campeonato de 2021) e a Ferrari atenta (quanto do dinheiro supostamente usado a mais terá sido aplicado no carro de 2022 e que implicações para 2023, podendo afetar a classificação deste ano?). Já era um dado adquirido que a aplicação desta regra seria sempre complicada, mas todos tinham a esperança que a FIA tivesse a capacidade para policiar e aplicar as regras. É de facto um teste de fogo para esta regulamentação, mas já começa mal, com uma fuga de informação que aparentemente não deveria ter acontecido.

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2 comentários

  1. RedDevil

    1 Outubro, 2022 at 14:51

    Este devia estar preocupado é com o F75… e deixe os problemas orçamentais para outros..
    Esta anedota (mais o Binotto) conseguiram ficar em 6º lugar com um orçamento de 500M…
    Na situação em que a Scuderia está… o orçamento é irrelevante… com muito ou pouco dinheiro… a asneira está sempre garantida…

  2. [email protected]

    1 Outubro, 2022 at 17:41

    Quando a MB e a Ferrari concordam em acabar com a vantagem financeira que dispunham aparecem uns chicos espertos e desonestamente fazem tábua rasa das regras colocando-se numa situação de vantagem. Isto merece um castigo exemplar o qual não pode ser menos que a desclassificação do campeonato transacto, dedução de pelo menos de 30% dos pontos deste campeonato e subtração do excedido no orçamento do próximo ano. Se assim não fôr vamos assistir a cada vez maiores “derrapagens” de orçamentos e tal ideia só terá servido para a RB recuperar uma competitividade que já não tinha há bastante anos..

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