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F1, Ferrari – Demasiados erros para lutar pelo título | AutoSport

F1, Ferrari – Demasiados erros para lutar pelo título

Por a 1 Agosto 2022 15:30

O segredo para se lutar por um título é bem conhecido de todos. A consistência é fundamental para conseguir aguentar até ao fim. A falta dela pode fazer desmoronar os sonhos. A Ferrari tem sido “vítima” de falta de consistência e com isso o sonho do título está praticamente acabado. 

Muito se tem falado sobre a Ferrari e têm-se apontado erros à Scuderia. Mas não há um culpado apenas. Não é só Mattia Binotto, ou os estrategas, ou os engenheiros, ou os pilotos. Todos têm responsabilidade.

Para ter uma pequena noção do quão grave é o problema de consistência da Ferrari basta fazer um pequeno cálculo simples. Se somarmos os pontos que os pilotos somariam, caso a corrida terminasse no momento em que abandonaram, conseguimos entender o tamanho do “estrago”.

No caso de Charles Leclerc, contamos três abandonos, dois por motivos técnicos e um por erros próprios. Cada vez que abandonou, estava na liderança da corrida, ou seja, 25×3. 75 pontos que fugiram do piloto monegasco, duas vezes sem culpa e uma vez por um suposto erro seu. A diferença para Max Verstappen é de 80 pontos. No caso de Carlos Sainz tivemos um abandono no nono lugar na Austrália por acidente ( 2 pontos), outro incidente em imola no quarto lugar (12 pontos), um problema hidráulico no Azerbaijão quando era quarto (12 pontos) e uma falha no motor quando era terceiro na Áustria (15 pontos). Ou seja, 41 pontos que se perderam. A diferença para Verstappen é de 100 pontos.

Usando esta teoria, demasiado simplificada para mostrar a quantidade de pontos que a Ferrari perdeu verdadeiramente, chegamos ao número 116.  116 pontos que a Ferrari perdeu. E isto sem olhar às falhas na estratégia com Leclerc no Mónaco e na Hungria, e com Sainz em Paul Ricard. Esta é uma contabilidade que não mostra a verdadeira dimensão do problema da Ferrari. E nas contas das equipas, a Ferrari tem menos 97 pontos que a Red Bull.

De quem é a culpa? De todos. Leclerc falhou, Sainz falhou, a estratégia falhou, os engenheiros falharam com a fiabilidade a liderança tem falhado ao não encontrar soluções para problemas já antigos. Se enumerarmos a lista de falhas estratégicas ao longo dos anos por parte da Ferrari, facilmente chegamos à conclusão que a Scuderia só se pode queixar de si própria. 

O que fazer? Muitas opiniões são ouvidas e lidas, mas talvez a menos radical seja a melhor. Manter as figuras principais e tentar melhorar com a prata da casa. A Ferrari vem de um período conturbado com demasiadas reestruturações. Desde a saída de Stefano Domenicali que a Ferrari nunca encontrou estabilidade com tem agora no reinado de Binotto. O responsável da equipa tem sido apontado como o principal culpado, mas talvez seja mais parte da solução do que do problema. Talvez seja ele o cimento que impede a equipa de claudicar ainda mais e de não estarmos perante mais uma reestruturação da Scuderia. Foi ele que impulsionou a subida de forma da Ferrari em 2017, quando passou a ser diretor técnico da equipa. Foi sob a sua batuta que a Ferrari fez o F75-H provavelmente o carro mais completo do ano. Há muita coisa boa que não pode ser esquecida. Há também momentos maus mas também a Red Bull passou por momentos maus e mantém a sua espinha dorsal praticamente inalterada. A Ferrari só se pode queixar de si própria, mas também deve manter alguma estabilidade para garantir que as lições do presente não sejam esquecidas no futuro. O título deste ano é uma miragem. Mas o potencial para o futuro é incomparavelmente maior do que há um ano. Deitar tudo abaixo agora seria demasiado caro. E esta visão é válida para a manutenção dos pilotos, dos engenheiros da área técnica. Talvez a área estratégica merecesse uma remodelação, pois está visto que é um dos pontos fracos da equipa. Mas a fazer mudanças, só pela certa. São dores de crescimento de uma equipa que insiste em erros, mas que mostra também sinais de alguma evolução. A situação da Ferrari neste momento é má. Interessa não piorar ainda mais e em F1, nem sempre mudar implica melhorar.

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3 Comentários
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Pitão
Pitão
1 mês atrás

,,.

Last edited 1 mês atrás by Carlos Soares
Pitão
Pitão
1 mês atrás

E ainda Silverstone (estratégia, deixaram o Leclerc em pista com Duros qd toda a gente foi em SC meter macios) e Barcelona (motor KO)…

Scb
Scb
1 mês atrás

A Ferrari tem sido consistente a dar tiros nos pés. Se Indianápolis 2005 fosse hoje, arranjariam maneira de ficar fora do pódio.

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