F1, Ferrari: 2025 longe do topo

Por a 18 Dezembro 2025 16:54

A Scuderia Ferrari é a equipa com mais história, com mais fãs e com mais prestígio da F1. O seu poderio técnico e financeiro faz dela uma das estruturas mais fortes e respeitadas. No entanto, a Ferrari continua sem encontrar o caminho, rumo aos títulos e, pior ainda, parece não encontrar o rumo para cimentar a sua posição e deixar clara a sua força.

São 17 anos sem títulos para a Scuderia. Mais de década e meia à procura da fórmula certa para o sucesso que era expressão comum em Maranello no virar do milénio. Desde 2008, a Ferrari foi vice-campeã 7 vezes. E desde essa altura que continua sem o plano ideal para regressar ao topo.

A Ferrari saiu de 2025 numa posição desconfortável: continuou claramente integrada no grupo da frente, mas sem nunca conseguir lutar de forma séria pelos títulos. A Scuderia terminou o ano em 4.º lugar no Mundial de Construtores, com 398 pontos. Ao contrário de outros anos em que a equipa italiana conseguiu vencer, este ano terminou sem uma vitória, com apenas uma pole e sete pódios, todos eles pela mão de Charles Leclerc. Lewis Hamilton chegou, mas trouxe com ele um impacto mediático ainda mais pronunciado, o que agravou a perceção dos maus resultados. O sonho depressa se transformou em pesadelo.

Leclerc foi, mais uma vez, o pilar competitivo da equipa com 242 pontos e o 5.º lugar no campeonato, enquanto Lewis Hamilton, na sua época de estreia em vermelho, fechou em 6.º. A época ficou marcada por dificuldades ao nível da execução de algumas corridas e com um carro que deu dores de cabeça no começo da temporada e que depressa foi abandonado, com o foco a mudar-se para 2026. Fred Vasseur foi alvo de imensa pressão especialmente depois da saída de Christian Horner da Red Bull, pressão aliviada pela renovação de contrato. Mas se 2024 foi uma época com pontos positivos, 2025 ficou abaixo da temporada anterior e Vasseur deverá sentir cada vez mais, a pressão interna.

​O SF‑25 nasceu como um carro profundamente revisto face ao SF‑24, com alterações significativas na asa dianteira, suspensão, sidepods e fundo, com o objetivo declarado de aumentar a carga aerodinâmica e, sobretudo, tornar o comportamento mais previsível. Em termos de pontos fortes, a Ferrari conseguiu um monolugar competitivo em curvas de média e alta velocidade, o que permitiu a Leclerc lutar por pódios sempre que a janela de funcionamento era bem acertada. Em stint longo, o SF‑25 mostrou uma ligeira melhoria face ao seu antecessor, com menos “quebras súbitas” de ritmo, o que ajudou a segurar segundos e terceiros lugares, quando a degradação não era extrema.

No entanto, os pontos fracos estruturais do SF‑25 explicam por que motivo a Ferrari ficou presa ao 4.º lugar. Análises técnicas convergem em que o carro sofreu de falta de aderência mecânica em baixa velocidade. O SF‑25 também teve dificuldades para colocar os pneus na janela ideal em qualificação, sobretudo com compostos mais macios, o que impediu a Ferrari de rivalizar com McLaren e Red Bull em “uma volta” de forma consistente. Em corrida, permaneceu a tendência para sobreaquecer pneus traseiros em pistas de tração e sofrer de “graining” em condições frias, levando a quedas acentuadas de ritmo em stints longos. Para agravar, o carro revelou-se muito sensível à altura ao solo (com a dupla desclassificação da China a comprovar isso): pequenas variações fizeram-no sair rapidamente da janela ideal, obrigando a compromissos conservadores de setup e reduzindo a versatilidade entre diferentes tipos de circuito. No geral, a Ferrari teve um carro com base aerodinâmica promissora, mas com uma janela operacional demasiado estreita para lutar por algo mais do que pódios ocasionais.

Nota da equipa: 6/10​

Charles Leclerc – 5.º no Mundial (242 pontos)

Charles Leclerc foi novamente o porta-estandarte da Ferrari. O monegasco somou uma série de pódios – incluindo segundos e terceiros lugares – que o mantiveram na luta pelo top‑5 do campeonato até final. Em qualificação, Leclerc continuou a ser um dos melhores da grelha, extraindo frequentemente mais do SF‑25 do que o carro parecia ter, mesmo em circuitos onde a Ferrari lutava com aderência em baixa velocidade. Mas as fragilidades do monolugar e algum desperdício fizeram desta época mais uma desilusão, de tal forma que já se fala na hipótese de Leclerc se mudar para outras paragens caso a competitividade da Ferrari não cresça de forma inequívoca em 2026. Leclerc é um dos melhores da atualidade, mas a incapacidade da Ferrari tem afastado o monegasco das lutas pelo título.

Nota: 7,5/10

Lewis Hamilton – 6.º no Mundial (156 pontos)

A tão aguardada mudança de Lewis Hamilton para a Ferrari não trouxe o conto de fadas que muitos imaginavam. O britânico terminou o ano em 7.º com 156 pontos, sem qualquer pódio – o que fez dele o primeiro novo piloto da Ferrari em décadas a completar uma época inteira sem subir ao top‑3. Hamilton teve várias corridas em que flutuou entre o 4.º e o 8.º lugar, mostrando ritmo sólido em determinados fins de semana, mas nunca encontrou uma sinergia plena com o SF‑25, especialmente em pistas de baixa velocidade e em situações de qualificação pura. As dificuldades em adaptar-se ao comportamento do eixo traseiro em travagem e à sensibilidade do carro à altura ao solo limitaram-no frequentemente, e algumas más qualificações deixaram-no exposto ao tráfego em corridas onde o ritmo puro poderia ter rendido mais. No balanço final, Hamilton esteve longe do nível de protagonismo a que habituou a F1, com os rumores de uma potencial saída a aumentarem, apesar de a lógica afastar esse cenário.

Nota: 4/10

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