F1: Fernando Alonso a caminho da corrida n.º 400
Fernando Alonso é uma das grandes referências da F1. Apesar das estatísticas não o mostrarem, o seu enorme talento é respeitado pela grande maioria. No México, irá fazer a sua corrida n.º 400.
Até ao momento, 399 GP, 32 vitórias, 22 poles, 106 pódios em 21 épocas, representando seis construtores. Os números de Alonso já são respeitáveis, mas o que fez em pista desde 2001, merece ainda mais respeito.

Fernando Alonso, nascido em Oviedo, Espanha, em 1981, começou a sua carreira na F1 com a Minardi em 2001, mas ganhou destaque na Renault, vencendo dois Campeonatos do Mundo consecutivos em 2005 e 2006, tornando-se o campeão mais jovem da altura e pondo fim ao domínio de Michael Schumacher.
Alonso correu por várias equipas de topo, incluindo a Renault, McLaren, Ferrari, Alpine e Aston Martin. Durante a sua carreira, além das espetaculares exibições em pista, notabilizou-se pelos atritos que foi colecionando nas equipas por onde passou. Competidor feroz, nunca deixou nada ao acaso e fez questão de virar as equipas por onde passou, para si. Sempre foi um dos piores colegas de equipa para se ter, “sugando” toda a atenção da maioria das equipas por onde passou. Temível dentro e fora de pista, Alonso foi colecionando fãs, à mesma velocidade que colecionava “haters”. A Renault foi buscá-lo à Minardi e com razão, pois Alonso foi um dos pilares do sucesso da equipa. Na McLaren encontrou um jovem Lewis Hamilton e uma estrutura que olhava com carinho para a jovem estrela, numa relação que se tornou demasiado tensa para continuar. Regressou à Renault onde ainda ficou ligado ao caso “Crashgate”.

Com a estrutura francesa já em declínio, pouco conseguiu fazer, mas a Ferrari abriu-lhe as portas e de 2010 a 2015 era nele que os tifosi depositavam todas as esperanças, mesmo quando a equipa não apresentava um carro capaz de se bater com os McLaren ou Red Bull que lideravam essa época. Sem sucesso na Ferrari, regressou à McLaren para a reedição da pareceria McLaren-Honda. Um plano excelente na teoria, mas muito mal aplicado, que resultou na pior fase da McLaren desde o início dos anos 80, quando Ron Dennis pegou nas rédeas da equipa. Saiu da F1 desiludido com a impossibilidade de lutar por título.
Tentou conquistar a Triple Crown, mas não teve sorte em Indianapolis. Em Le Mans, venceu duas vezes. Ainda teve tempo para se aventurar no Dakar, mas a F1 falou mais alto e em 2021 regressou à Alpine, à casa onde teve os maiores sucessos. Mas a Alpine é muito diferente da Renault de 2005 / 2006, muito menos capaz e competitiva. Alonso mostrou que não perdeu qualidade e Lawrence Stroll chamou-o para o projeto Aston Martin, onde tenta regressar às vitórias… e aos título.
É esta sede de vencer que mantém intacta. Com 43 anos, mantém-se competitivo, rápido e mais motivado do que nunca. Alonso quer deixar a F1 em grande, quer voltar a vencer e quer, pela última vez, tentar um título, num carro que lhe permita isso. A entrada de Adrian Newey na Aston Martin poderá dar mais força ao espanhol que quer pendurar o capacete com três campeonatos em seu nome.

No ano da sua estreia, o AutoSport dizia isto do jovem espanhol que se estreou pela Minardi:
“Se para o telespectador Alonso foi um piloto que só apareceu quando era dobrado pelos primeiros, quem pôde observar na pista o seu andamento só tem os maiores elogios para o jovem espanhol, verdadeiramente espantoso no controlo que tem sobre o seu carro. Mesmo com um chassis que deixou de evoluir muito cedo e dispondo do pior motor do plantel, Alonso conseguiu performances assinaláveis, como em Indianapolis quando se qualificou à frente de Villeneuve. Nas corridas Alonso foi evoluindo ao longo do ano, acabando por conseguir efetuar os 300 quilómetros dum Grande Prémio sempre a fundo e sem cometer erros, coisa que só está ao alcance dos pilotos que são, de facto, especiais. Será uma pena que Alonso pare de correr em 2002, mas espera-se que quando voltar aos Grande Prémios o espanhol tenha carro para andar nos lugares da frente, porque o talento e a maturidade estão lá”.
Alonso pode não ter os números que o seu talento merece, mas fez, continua a fazer história na F1 e mantém a vontade de voltar ao topo. Uma atitude impressionante de um predestinado que vai chegar às 400 corridas, mais do que qualquer outro piloto.





