Esteban Ocon diz ter recebido comentários abusivos nas redes sociais após o incidente com Pierre Gasly no Grande Prémio do Mónaco, relativamente ao seu carácter, pilotagem e que colocaram a sua carreira em causa.
Bruno Famin expressou a sua indignação numa entrevista em direto nas boxes, amplamente difundida, após o incidente que envolveu Esteban Ocon e Pierre Gasly, apontando o primeiro como o culpado e afirmando que iriam existir “consequências”.
Agora, o piloto francês diz ter recebido comentários abusivos. “Muito se tem dito no rescaldo do Grande Prémio do Mónaco. Embora tenha recebido muitas mensagens de apoio, fiquei profundamente triste com a quantidade de abusos e negatividade que recebi na Internet relativamente ao meu carácter, à minha condução e à minha carreira”, escreveu hoje Ocon na sua página do X. “Graças ao trabalho árduo, ao apoio e aos sacrifícios de muitas pessoas, já participei em mais de 140 Grandes Prémios desde a minha estreia em 2016. Sempre fui um concorrente duro e, como a maioria dos pilotos, tive a minha quota-parte de incidentes”, recordou ainda o piloto da Alpine.
Ocon salienta que teve a “sorte” de ter tido companheiros de equipa “talentosos e experientes, incluindo os vencedores de corridas Daniel [Ricciardo], Checo [Sergio Pérez] e Pierre [Gasly], e um bicampeão, o Fernando [Alonso]” e que é frequente iniciar as “corridas muito perto uns dos outros, o que, em alguns casos, significava algumas batalhas duras em pista e, por vezes, contacto”, acrescentando que “é claro que cometi erros honestos. Não somos robôs; somos atletas que se esforçam ao máximo todos os dias para alcançar os seus sonhos de ganhar corridas. A F1 é um desporto onde as emoções são elevadas e as paixões são profundas”.
No entanto, “as declarações mal informadas e as distorções grosseiras que vi ‘online’ nos últimos dias sobre a minha capacidade de trabalhar com uma equipa foram imprecisas, prejudiciais e danosas”, explica Ocon, argumentando que “desde as minhas primeiras voltas ao automobilismo, abordei este desporto com humildade, profissionalismo e respeito. Estes valores foram-me incutidos desde muito jovem.
Embora cada piloto procure a glória individual, este será sempre, antes de mais, um desporto de equipa. Sempre segui as instruções que me foram dadas e corri para atingir o máximo para e com a minha equipa”.
Recorda ainda que assumiu a responsabilidade do acidente e que apesar da sua desistência, em resultado desse episódio, está satisfeito pela “equipa ter somado um ponto naquele que tem sido um início de época difícil para todos nós”. Ao mesmo tempo escreve que respeita “o Pierre como colega de equipa e como concorrente. Sempre trabalhámos em colaboração e profissionalmente na equipa e assim continuará a ser”.
Para Ocon “não há recompensa sem risco na Fórmula 1 e os inícios de corrida são intensos, ainda mais no Mónaco, onde a volta de abertura pode ditar o resultado final. No fundo, somos todos concorrentes e as corridas duras e justas em todo o pelotão são o que torna o nosso desporto tão fantástico e a principal razão pela qual gosto tanto”. O piloto acaba a mensagem declarando que está ansioso por “competir em Montreal, perante os fantásticos adeptos canadianos, e pelas oportunidades excitantes que o futuro me reserva”.
Quando a manobra de Ocon sobre o colega de equipa Pierre Gasly deu origem a um conflito significativo no seio da equipa, ao mesmo tempo que o segundo conseguiu terminar em 10.º lugar e garantir um ponto crucial para uma equipa que necessitava desesperadamente, insinuando ainda, após a corrida, que Ocon violara um acordo anterior para manter a posição em pista.










