F1: Esteban Ocon conta as consequências de um dos acidentes mais fortes da sua carreia
Os acidentes fazem parte da vida de um piloto, mas as suas consequências são, por vezes, assustadoras. A segurança nos monolugares de F1 é cada vez maior e tem garantido que pilotos sobrevivam a incidentes violentos que, noutros tempos, teriam desfechos bem mais dramáticos. Mas, ainda assim, esses acidentes trazem sempre uma “fatura” a pagar.
Esteban Ocon revelou que um aparente acidente “inofensivo” durante os treinos para o Grande Prémio de Miami de 2022 teve consequências físicas mais graves do que inicialmente imaginava.
Na altura a correr pela Alpine, Ocon perdeu o controlo do carro na Curva 14 durante o Treino Livre 3 e embateu de lado contra o muro de betão, sofrendo forças de 51G, com o assento e a caixa de pedais do A522 destruídos. Apesar do choque, foi autorizado a participar na corrida, partindo do fundo da grelha e terminando em oitavo lugar, marcando pontos.
O piloto francês revelou recentemente que o impacto lhe causou lesões nos joelhos, dificuldade em andar e sintomas físicos intensos, incluindo “colapso no duche” logo após o acidente. Ocon considerou o incidente “não tão impressionante” visualmente, mas admitiu que os efeitos no seu corpo foram significativos, destacando os riscos ocultos de acidentes em Fórmula 1.
“Já sofri alguns acidentes graves”, disse Ocon no canal Legend do YouTube, em entrevista a Guillaume Pley. “Bate na madeira, estes acidentes nunca foram muito violentos, apesar de alguns ultrapassarem os 40G e outros deixarem-me mesmo atordoado. Por vezes, a minha visão ficava turva ou tinha dores de cabeça durante três, quatro dias…”
“Já estive em acidentes de 41 G. Quem viu o acidente, não achou assim tão impressionante, mas bati num muro de betão. Isto foi em Miami, no TL3, em 2022. Saí, bati no muro. Bati com os dois joelhos e mal consegui andar depois. Lembro-me que, na manhã seguinte, estava no duche e desmaiei. Perdi o equilíbrio e caí. Não estava nada bem. Consegui, largando em último, terminar em oitavo nessa corrida. Urinava vermelho, o que não foi nada bom!”
O que implica um impacto de 51G?
Para a maioria das pessoas, um impacto de 51G é algo inimaginável. Quando travamos subitamente um automóvel comum a partir de 50 km/h, a força máxima raramente ultrapassa os 1,5 a 2 G. Num acidente de 51 G, a energia transferida para o corpo é mais de 25 vezes superior à que sentiria numa travagem extrema. É como, durante um décimo de segundo, carregar um automóvel ligeiro sobre os ombros. Imagine que pesa 70 kg. Em 51 G, durante uma fração de segundo, o seu corpo é pressionado como se pesasse 3.570 kg.
A preparação física dos pilotos de Fórmula 1 é determinante para reduzir os riscos e as consequências de acidentes de alta intensidade, nos quais são expostos a forças de dezenas de G.

Preparação física fundamental
O desenvolvimento muscular focado no pescoço, costas e zona abdominal permite absorver parte das forças de impacto, protegendo articulações, órgãos internos e prevenindo lesões cervicais graves. Esta resiliência muscular é fundamental para que o corpo suporte desacelerações súbitas e impactos brutais.
Além da prevenção de lesões, a boa condição física contribui para uma recuperação mais rápida, diminuindo o risco de fraturas, lesões musculares e cranianas, mesmo após situações-limite. O condicionamento cardiovascular e a resistência ajudam também a suportar o stress físico e mental de corridas longas e exigentes.
Sem esta preparação, os pilotos estariam significativamente mais vulneráveis a ferimentos graves ou fatais, tornando a condição física um pilar essencial da segurança e da longevidade na carreira na Fórmula 1.

Bater, desmaiar e regressar à pista
Todos olham para a vida de piloto e admiram o ‘glamour’, a fama e a sorte de estar no maior palco do mundo. Mas os sacrifícios são raramente mostrados. No caso de Ocon, perder consciência, urinar sangue e as dores, faria certamente a maioria ficar de cama nesse dia. Ocon foi para pista e voltou a enfrentar forças violentas. É esse o preço a pagar para estar no topo. Competir, mesmo longe da forma ideal e mesmo assim conseguir um bom resultado. É este sacrifício que, por vezes, é esquecido. E a juntar a esta exigência, há a pressão mediática, as responsabilidades para com a equipa, os patrocinadores, os fãs. Não é por acaso que apenas os melhores chegam ao topo.
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI




