F1: Domínio absoluto da McLaren na primeira metade da temporada
A McLaren escreve atualmente uma das mais belas páginas da sua história. A equipa que bateu no fundo, em 2017 e esteve à beira da falência em 2020, recuperou de forma impressionante, para voltar ao topo da F1.
A história da McLaren na F1 é já longa e remonta a 1966 quando Bruce McLaren deu o seu nome e, mais que isso, o seu espírito a uma estrutura de competição que passou por altos e baixos, mas que se transformou numa das equipas mais bem sucedidas no desporto. 2013 marca o arranque de uma espiral descendente que poderia ter terminado com a equipa. Um ano em que foram tomadas más decisões, que antecedeu a entrada de uma nova parceria, desejada por muitos, sendo a reedição de uma das mais míticas duplas (McLaren Honda), que acabou por não atingir o sucesso desejdo. De 2014 a 2017 a equipa perdeu o norte, foi se afundando, perdendo o brilho de outros tempos.
A chegada de Zak Brown permitiu reverter a situação, mas o caminho foi longo e penoso, passando ainda por uma quase falência em 2020. Com orçamentos muito inferiores aos de rivais como a Mercedes, a equipa de Woking sofria para ser competitiva. A pandemia de COVID-19, embora devastadora para o desporto, acabou por criar uma oportunidade rara: a implementação de limites orçamentais mais rigorosos, essenciais para proteger equipas em dificuldades. Segundo Zak Brown, diretor-executivo da McLaren, o timing foi decisivo para a sobrevivência do grupo.

Desde então, o crescimento da equipa foi tremendo e em 2025 são a melhor estrutura da atualidade. São confortavelmente os líderes com 299 pontos de vantagem para a Ferrari, deixando Mercedes e Red Bull a grande distância. Até agosto, Lando Norris e Oscar Piastri garantiram quase sempre o 1.º e 2.º lugar em pista, consolidando uma liderança absoluta em construtores e pilotos.
O MCL39 é, neste momento, um exemplo de equilíbrio técnico e fiabilidade. A gestão de pneus, especialmente traseiros, tem sido excecional, permitindo à equipa manter desempenho consistente mesmo em pistas onde os rivais sofrem com degradação.
A McLaren também se destacou no desenvolvimento com atualizações que ajudaram, de uma forma ou outra, os pilotos, aliados a uma gestão impecável da sua dupla, deixando que ambos lutem entre si, sem exageros, permitindo boas lutas e oportunidades iguais. Em resumo, uma equipa a roçar a perfeição, o culminar de um trabalho de anos numa estrutura que se soube reinventar.

Lando Norris e os fantasmas que o perseguem
Lando Norris é um produto da McLaren. Foi aposta desde cedo de Zak Brown, que viu nele o futuro campeão da equipa. Cresceu no seio da equipa e passou do tímido e bem-disposto jovem a um dos pilotos mais rápidos da grelha. No entanto, Norris tem revelado algumas fragilidades ao nível mental que o afastam do topo. Em 2024, viu-se isso com a sucessão de poles desperdiçadas e este ano sentiu-se de novo com algumas manobras mal calculadas que o deixaram em apuros. Não há dúvida que Norris tem velocidade para chegar ao título. Resta saber se tem estofo para aguentar a luta com o colega de equipa. As últimas corridas antes da pausa, especialmente a da Hungria, permitiram a Norris sacudir a pressão e ganhar a confiança que parecia perdida. Resta ver se mantém a trajetória ascendente.

Oscar Piastri: Ascensão e Regularidade
Era apenas uma questão de tempo. Oscar Piastri sempre mostrou que tinha o talento para se transformar num candidato ao título. Fez essa transformação em dois anos apenas. Foi aposta da McLaren, num processo que se tornou numa novela, com a Alpine a não largar a jovem estrela facilmente. Os franceses sabiam o talento que tinham em mãos, mas distraíram-se e deixaram escapar um dos melhores valores jovens. A prova está na época que tem rubricado. Começou com nota negativa na Austrália, mas não esmoreceu e seguiram-se oito corridas no pódio, cinco delas no degrau mais alto. Piastri já entende melhor as exigências dos pneus e da F1 e consegue agora mostrar todo o seu potencial. Junta a isso uma postura gélida, aparentemente pouco afetado com o que acontece à sua volta. É talvez o novo “iceman” da F1. Graças a isso é visto por muitos como o grande candidato ao título. Na sua terceira época a tempo inteiro na F1, é um feito tremendo por parte do australiano que lidera o campeonato com nove pontos de vantagem para Norris.

O que esperar do resto da temporada
A McLaren define, neste momento, o padrão da era final do regulamento atual. A equipa domina praticamente todos os circuitos, deixando Ferrari, Mercedes e Red Bull a lutar pelo que resta do pódio. Apenas condições pontuais permitiram o sucesso da Red Bull (Max Verstappen), Mercedes (George Russell) e Ferrari (Charles Leclerc).
A luta interna entre Norris e Piastri vai ser o foco do resto da temporada, tal como a gestão da McLaren, que tem o título de construtores no bolso. O título de pilotos, esse, deverá ser discutido até ao fim.
Notas
McLaren: 9/10
Lando Norris: 8/10
Oscar Piastri: 9/10
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