F1: Dedo em riste, 22 corridas depois

Por a 23 Setembro 2019 17:45

A espera foi longa, penosa e por vezes difícil de adjectivar. Sebastian Vettel passou por aquela que foi, provavelmente, a pior fase da sua carreira, onde as críticas, as dúvidas e a pressão foram aumentando. Foi preciso regressar a Singapura, uma pista que conhece bem e uma das mais difíceis do campeonato, para voltar a esticar o indicador.

Não foi um fim de semana fácil para Vettel, que tinha tudo para fazer a pole, mas que perdeu essa oportunidade com uma segunda tentativa completamente falhada na Q3. Muitos terão suspirado quando viram os dois primeiros sectores do alemão e o seu regresso antecipado às boxes. Parecia ser mais um daqueles fins de semana em que iria ser alvo de críticas e contestação pelo fraco rendimento.

Mas por algum motivo, a sorte de Vettel mudou. A estratégia que a Ferrari montou para segurar a liderança funcionava na perfeição e o ritmo sonolento que Charles Leclerc colocava em pista deixava a estratégia trancada para os homens da frente, num traçado em que a posição em pista é fundamental, dada a dificuldade em ultrapassar.

A Ferrari teve de responder à Red Bull que tentou o undecut ao alemão para proteger o lugar no pódio e mandou entrar Vettel no último instante. Mas o ritmo na volta de saída de Vettel foi monstruoso, de tal forma que até Leclerc ficou para trás, já sem pneus para tentar compensar os quase quatro segundos perdidos para o seu colega de equipa. O jovem piloto queixou-se da estratégia, mas até a equipa terá ficado surpreendida com o ritmo à saída das boxes de Vettel. Foi esse momento que virou a corrida.

O alemão encontrou-se finalmente numa posição que tão bem conhece… na frente da corrida, “apenas” com necessidade de gerir. Só ele saberá a pressão e o nervosismo que terá enfrentado. Mas estava escrito que Vettel teria de ganhar… Aquela ultrapassagem a Pierre Gasly poderia ter deitado tudo a perder, pois uma distracção do francês ou um toque mais intenso poderia deitar a corrida por terra. Quantas vezes Vettel arriscou e se deu mal no último ano e meio? Mas ali arriscou e deu-se bem, numa prova quase irrefutável que o azar do alemão não tinha seguido viagem com ele até Singapura.

Vettel teve sorte, a melhor estratégia, mas teve também muito mérito, voltando a mostrar em pista as características que fizeram dele tetracampeão e que o levaram a mostrar o indicador em riste por 53 vezes, a contragosto de muitos. Vettel fez por merecer esta vitória, pelo talento, mas também pela paciência que teve e pela resiliência que mostrou. O seu festejo pouco efusivo e visivelmente emocionado mostra bem a importância daquele momento. Uma espécie de “ainda estou aqui… ainda estou vivo”.

Daniel Ricciardo disse que bastava uma corrida para que Vettel regressasse aos velhos tempos. Talvez apenas uma não seja o suficiente e se Vettel conseguir outra vitória em breve, escorraçará os fantasmas que o assolam de uma vez. E a Ferrari volta às luzes da ribalta de forma fulgurante e melhor que isso, tem agora os dois pilotos motivados para o resto da época.

Esta vitória de Vettel pode ter sido um dos momentos mais marcantes da época. O momento em que um campeão se reencontrou consigo, o momento em que a Ferrari voltou a poder contar com Vettel, que tão importante pode ser para o futuro da Scuderia. Das 53 vezes que Vettel ergueu o dedo do primeiro lugar do pódio, esta terá sido das poucas vezes em que a maioria dos fãs sorriram. A Ferrari regressou em Spa, Leclerc afirmou-se em Monza e Vettel renasceu em Singapura, tudo isto sob o olhar calmo de Mattia Binotto. O que nos reserva o resto da época? Talvez uma amostra do que a F1 deveria ser sempre, com grandes lutas na frente.

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