F1, Balanço da época 2024: Williams
A época 2024 da Williams ficou marcada por altos e baixos. Um arranque difícil no qual a equipa demorou algum tempo em encontrar o rumo certo, uma fase positiva, com algumas boas corridas e bons pontos conquistados e um final dantesco marcado por muito acidentes e, por conseguinte, com resultados muito longe do desejado.
A época começou com Alex Albon e Logan Sargeant, mantendo a dupla de 2023. Albon era escolha óbvia e Sargeant terá mostrado algo que convenceu os responsáveis da equipa. Neste período que antecede os novos regulamentos de 2026, a Williams tem “carta-branca” para experimentar, tentar novas soluções, sem grande foco nos resultados. James Vowles, neste segundo ano ao leme da equipa, reforçou a ideia que a Williams tinha de se focar em melhorar e crescer, sem demasiada pressão. Dadas as forças e fraquezas do monolugar de 2024, a equipa focou-se apenas em pistas específicas para conseguir obter bons resultados.
O plano parecia inteligente, mas esbarrou em vários problemas: a incapacidade de Logan Sargeant tirar mais partido do seu carro e uma falta de sorte (por vezes assustadora) motivada por erros dos pilotos. Nas 14 corridas que fez este ano, o melhor resultado que Sargeant conseguiu foi o 11º lugar no GP da Grã-Bretanha. Alex Albon (16º no campeonato) terminou duas vezes nos pontos e duas vezes à porta do top 10 nesse intervalo de tempo. Durante mais de metade da época, Sargeant foi uma parte do problema, mas não foi o único responsável. Também Alex Albon, apesar de ter conseguido boas prestações, teve alguns incidentes que complicaram a vida da equipa. No entanto, foi ele que guiou a equipa neste ano e deu a esperança necessária para a equipa manter a motivação.
Veio Franco Colapinto e uma injeção de moral. Além de Albon, a Williams tinha agora um segundo piloto que parecia capaz de conseguir chegar aos pontos. O upgrade face a Sargeant foi imediatamente sentido e o GP do Azerbaijão, com a equipa a conseguir dez pontos (seis de Albon, quatro de Colapinto) dava ainda mais força à teoria que a Williams poderia ter um final de época mais forte.
Seguiu-se o descalabro final, com o GP de São Paulo a ser o ponto baixo da época, com incidentes que comprometeram o fim de semana e o resto da temporada. A partir dessa corrida, a Williams entrou em modo sobrevivência, com falta de peças sobressalentes. Foi um fim de época penoso em que a Williams mostrou resiliência, algo que nunca faltou à equipa.
O balanço de 2024 não pode ser positivo. O nono lugar conquistado, face ao sétimo de 2023, sabe a pouco. A evolução que a equipa demonstrou não foi a que todos esperavam. Sim, as evoluções implementadas a meio da época funcionaram, mas as outras equipas deram passos maiores e mais consistentes. E a questão dos pilotos tem de ser destacada. Sargeant nunca mostrou capacidade para se manter na equipa, mas a Williams manteve o norte-americano em 2024,com os resultados que se conhecem. Franco Colapinto começou muito bem, mas evidenciou imaturidade expectável de um jovem estreante. Alex Albon, apesar de algumas corridas muito fortes, deixou algo a desejar, especialmente no último terço do ano e esperava-se um pouco mais, tendo em conta a época que tinha feito em 2023.
James Vowles continua o seu trabalho, e ter conseguido convencer Carlos Sainz a juntar-se à equipa foi um feito tremendo. Mas 2024 vai obrigar a uma reflexão profunda para aproveitar 2025, antes do decisivo ano de 2026, altura em que a Williams terá de mostrar que o trabalho feito valeu a pena.
Notas
Williams – Nota 4
Alex Albon – Nota 6
Logan Sargeant – Nota 2
Franco Colapinto – Nota 5
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Leandro Marques
16 Dezembro, 2024 at 19:54
Faltou um enormissimo ponto baixo. Não ter o carro pronto para o início da temporada que obrigou a nem sequer ter um chassis de reserva e com isso uma prova em que apenas participou um carro. Por muito menos houve um elemento com historial bom da equipa que foi despedido – justamente – uns anos antes.
Mas houve mais pontos baixos do que aqueles que se destacaram no texto. O primeiro carro do atual líder foi um claro downgrade do herdado do Capito que garantiu o sétimo lugar no ano anterior.
O carro herdado do ano anterior é que se destacava em alguns circuitos, o deste ano teve como objetivo não se destacar só em alguns mas sim ser mais uniforme para toda a temporada, isto falhou de forma absoluta. O texto está errado neste ponto.
A escolha da continuidade de Logan, a demora na sua substituição e a altura em que finalmente foi feita foram mais uns quantos erros a juntar a vários que o atual líder tem cometido.
Em resumo foi uma temporada muito má e que não honrou minimamente a história e os pergaminhos de uma das equipas mais vitoriosas da F1.
O chefe de equipa diz que tem um plano a médio longo prazo. Espero muito sinceramente que ele de facto exista e que se veja os resultados práticos desse plano, porque a julgar pelas várias amostras não estou nada confiante.