F1, Balanço da Época 2024: Alpine

Por a 18 Dezembro 2024 11:07

2024 foi um ano tremendamente difícil para a Alpine. Além das prestações em pista, os homens e mulheres da equipa francesa tiveram de gerir a instabilidade que, mais uma vez, se instalou no seio da equipa e que motivou mais mudanças. O final acabou por ser surpreendentemente positivo, com um inesperado sexto lugar.

O regresso da Renault à F1 como equipa de fábrica pareceu sempre “amaldiçoado”. Quando a marca francesa regressou em 2016, muitos esperavam que fosse para recriar os tempos de 2005 e 2006 em que a Renault se impôs. Havia uma questão de orgulho ferido, com um divórcio litigioso com a Red Bull, que tratou de criticar de forma quase ininterrupta as capacidades da unidade motriz francesa. Desde então que a Renault, que se transformou depois em Alpine, tem mostrado uma face pouco recomendável. A instabilidade interna foi quase sempre uma constante, com trocas frequentes nas chefias. Mesmo quando Luca de Meo, CEO da Renault, se envolveu mais no dossiê F1, os mesmo problemas persistiram e a equipa nunca mostrou capacidade para lutar por pódios, quanto mais por títulos. Houve alguns sucessos pontuais que mantiveram a chama acesa, mas nunca com a regularidade desejada. Assim, em 2024 deu-se o ponto de rotura.

O ano começou francamente mal, com as primeiras cinco corridas a não devolverem nenhum ponto à estrutura gaulesa e na pausa de verão, com 13 corridas feitas, a Alpine pontuara cinco vezes, acumulando nove pontos. Foi esta péssima primeira metade de época que terá sido a gota de água que provocou o fim do projeto como conhecido até então. A Renault decidiu terminar o programa de Unidades Motrizes, transformando a Alpine numa equipa cliente, que passará a ser fornecida pela Mercedes a partir de 2026, sendo 2025 um ano de transição, ainda com a unidade motriz Renault. Muitos rumores surgiram sobre uma potencial venda da Alpine, nomeadamente à Hitech, estrutura que estava entre as interessadas em ingressar na F1. Para já, o plano é terminar este ciclo regulamentar e diminuir o investimento, recebendo unidades motrizes da Mercedes a partir do novo ciclo regulamentar. Também na estrutura de liderança houve mudanças (mais uma vez), com Oliver Oaks (vindo da Hitech) a entrar para o cargo de diretor de equipa e com Flavio Briatore a assumir um papel de conselheiro, regressando à F1, depois da vergonha do Crashgate.

A entrada de Briatore e Oaks não trouxeram grandes mudanças nas performances em pista, com a Alpine a denotar as mesmas dificuldades. Até a corrida do México (20ª do ano) a equipa tinha 14 pontos marcados. No entanto, surge o GP de São Paulo e a chuva brasileira abençoou a Alpine que num fim de semana fez 35 pontos, graças ao duplo pódio de Esteban Ocon (2º) e Pierre Gasly (3º). Nas últimas três corridas, a Alpine ainda pontuou mais duas vezes, conquistando 16 pontos que permitiram ficar à frente da Haas, assegurando o sexto posto.

Esta reviravolta deve-se muito a Pierre Gasly. O francês voltou a ser um dos melhores em pista, conseguindo extrair tudo do seu monolugar. Foi o mais regular da dupla de pilotos e conseguiu várias vezes andar em lutas que não eram as suas. Já Esteban Ocon foi menos regular, não conseguindo prestações tão interessantes quanto as de Gasly. Talvez por isso a equipa não renovou o contrato com Ocon (que irá para a Haas em 2025). A Alpine conseguiu um alinhamento de pilotos interessante, com uma dupla francesa, talentosa e capaz. Mas a relação entre ambos, já com cicatrizes profundas do passado, nunca foi a mais próxima e houve alguns momentos de tensão em pista. No entanto, correu melhor do que muitos esperariam e a imagem de Gasly e Ocon abraçados num pódio dificilmente seria imaginada no início desta parceria.

A Alpine termina bem o ano, mas isso não pode mascarar o resto da temporada. Se a equipa quiser ser competitiva tem de encontrar o rumo. Talvez as últimas corridas tenham dado um vislumbre do que é preciso fazer no futuro. Para 2025 Gasly mantém-se e entra em cena Jack Doohan, produto da academia, que terá de provar o seu valor.

Notas

Alpine – Nota 6

Pierre Gasly – Nota 8

Esteban Ocon – Nota 6

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