F1: Andrea Stella – A peça que faltava à McLaren?

Por a 8 Janeiro 2025 14:41

Às vezes, a solução está em casa. São várias as histórias no desporto que nos dão conta de homens e mulheres inseridos numa qualquer estrutura, que assumem cargos de liderança e levam as equipas ao sucesso. O caso de Andrea Stella é um desses. Sob a sua batuta, a McLaren regressou aos títulos. Quem é Stella e como chegou ao leme da McLaren?

Quem é Andrea Stella?

Andrea Stella, nascido a 22 de fevereiro de 1971, em Orvieto, Itália, é o atual Chefe de Equipa da McLaren. Com mais de duas décadas no desporto automóvel, começou a sua carreira na Ferrari em 2000 como Engenheiro de Performance, trabalhando com Michael Schumacher, Kimi Räikkönen e Fernando Alonso. Juntou-se à McLaren em 2015 (acompanhando Fernando Alonso na sua segunda passagem pela equipa britânica), avançando para Diretor de Desempenho em 2018 e Diretor Executivo de Corrida em 2019, antes de ser nomeado Diretor de Equipa em dezembro de 2022. Stella é licenciado em Engenharia Aeroespacial pela Universidade Sapienza de Roma e tem um doutoramento em Engenharia Mecânica.

Como chegou ao topo da McLaren?

A sua chegada ao topo da McLaren foi feita com paciencia, com trabalho árduo e com a confiança total do chefe da equipa, Zak Brown.

Brown é o grande responsável por este sucesso recente da McLaren. O americano entrou na equipa em 2018 e logo na altura procedeu a uma reestruturação que agora dá frutos. Foi foram necessárias algumas tentativas para chegar aos homens certos. Éric Boulier e Jost Capito tiveram passagens breves pela liderança da equipa, mas foi com Andreas Seidl que a McLaren voltou a encontrar um rumo. Com o alemão, a equipa subiu gradualmente de performance e os resultados melhoraram. Começaram a surgir os primeiros pódios e as primeiras vitórias. Mas Seidl saiu da equipa para assumir o projeto Audi, o qual liderou por pouco tempo. Parecia que a fórmula de sucesso que Brown finalmente tinha encontrado estava em causa. Mas a escolha de Stella acabou por se revelar acertada.

“A mais importante foi a entrega da gestão da equipa a Andrea Stella”, disse Brown à Auto Motor und Sport sobre os marcos mais importantes no caminho para o sucesso da equipa. “O processo começou em 2019, mas foi interrompido. O meu primeiro chefe de equipa, Eric Boullier, nunca teve uma verdadeira oportunidade. Chegou numa altura de grande agitação. Tinha feito um bom trabalho na Lotus, mas connosco estava no olho de um furacão. O seu sucessor, Jost Capito, não era o homem certo para o cargo. Na verdade, ele já estava fora antes de começar. Também James Key, que entrou ao mesmo tempo que Seidl acabou por ter uma passagem breve e desapontante.

Andreas Seidl era já carta fora do baralho antes da saída para a Audi

Em 2019, tínhamos Gil de Ferran, Pat Fry, Peter Prodromou, Neil Houldey e Andrea Stella na nossa equipa de gestão. Esta equipa foi responsável pelo nosso sucesso em 2021. Eles construíram o carro de 2020, que foi adotado como base para 2021 devido às restrições da Covid. A única coisa nova foi que substituímos o motor Renault por um da Mercedes. Andreas Seidl e James Key juntaram-se a nós em 2020 e inicialmente assumiram o projeto de 2021, uma vez que já tinha sido concebido pela nossa equipa de 2019.

Em 2022, voltamos a ter um retrocesso e esse foi o trabalho das novas pessoas. Quando a atualização não funcionou no GP de França, a meio da época, e não gostei da reação da equipa de gestão, percebi que tínhamos de mudar. Foi por isso que quis regressar à minha equipa de 2019. Depois, o Andreas teve uma oportunidade na Audi. Podia tê-lo mantido, mas queria uma mudança na equipa.”

Stella finalmente preparado

“Ao contrário de 2019, Andrea Stella sentia-se agora preparado para assumir o cargo de Diretor de Equipa”, afirmou Brown, quando relembrou a proposta de entregar a liderança da equipa ao italiano. “Falámos sobre o seu novo papel durante uma semana. Depois ele sentiu-se confortável com isso. Ele é muito honesto consigo próprio e não é de se deixar levar pelo ego.

A sua primeira tarefa no início de 2023 foi reorganizar o nível de gestão. Conseguiu tirar o máximo potencial de todos. Disse-me desde o início que teríamos um péssimo início de época em 2023. E foi assim que aconteceu. E depois falou-me desta incrível curva de desenvolvimento do carro. Era quase demasiado bom para ser verdade. Mas eles mantiveram a sua palavra”.

O momento que definiu a liderança de Stella

Andrea Stella não é um líder que “fique bem na câmara”. Ao contrário de líderes como Christian Horner que assumem uma persona em frente às câmaras e usam o seu tempo de antena para fazer jogos políticos e enviar mensagens, Stella nunca pareceu ser um líder de frases fortes e de momentos de comunicação de relevo. Muitos duvidavam da sua capacidade para liderar a equipa, talvez por desconhecerem a sua capacidade e se focarem apenas no que viam. No entanto, houve um momento que marcou a diferença, como explicou Brown:

“Completamente fora do seu habitual, Andrea anunciou publicamente que a corrida na Áustria [2023] seria o ponto de viragem para nós”, disse Brown. “Na verdade, funcionou lá com um carro, mas eu ainda estava cético. Sempre tivemos resultados muito bons nesta pista. Depois veio Silverstone e ambos os carros estavam na frente. Percebi então que eles me tinham dito a verdade. E as coisas têm vindo a melhorar desde então. Na verdade, estamos um ano adiantados em relação ao planeado. O carro atual foi desenvolvido no antigo túnel de vento. O novo só entrou em funcionamento em 2023. Rob Marshall só começou a trabalhar connosco no início de 2024.”

O braço direito ideal de Brown

A McLaren é agora uma máquina cada vez mais bem afinada, que já mostrou potencial para chegar aos títulos de forma regular. Faltam ainda alguns pormenores, mas certamente que a equipa conhece agora melhor as suas forças e fraquezas. Brown considera Stella o seu melhor braço direito, uma parceria fundamental para a boa gestão da equipa:

“Não se pode comparar os chefes de equipa de hoje com os do passado”, afirmou Brown. “As equipas tornaram-se demasiado grandes para que pessoas como Ron Dennis possam controlar tudo. Se quisermos fazer as coisas bem, temos de ter um chefe de equipa e um diretor-geral. Andrea só cuida da equipa, eu cuido do resto. Tenho a sensação de que trabalho para a equipa e não o contrário. O meu trabalho é apoiá-lo. Com os recursos financeiros, com as questões políticas.

“Se Andrea se distraísse com trabalho mediático, marketing, contactos com acionistas ou patrocinadores, não conseguiria fazer o trabalho que faz. Com ele, eu sabia no que me estava a meter. As nossas personalidades encaixam-se bem e complementamo-nos no nosso trabalho. O mesmo se aplica aos outros diretores. Se queremos ser bem sucedidos, temos de ter uma cultura em que as pessoas confiem umas nas outras.”

A McLaren encontrou o seu rumo. Com Stella, chegou finalmente ao topo. Uma caminhada longa, dura, com muitos momentos baixos. Stella chegou à McLaren num dos piores momentos da sua história. Cresceu com a equipa que antes era vista como uma sombra do que foi e agora já é considerada uma das favoritas. Stella é apenas um nome dos muitos que permitiram este crescimento. Mas assumiu, dentro e fora da estrutura, um papel importante, com a ajuda fundamental de Brown, que é o homem-chave deste regresso aos triunfos. Stella era a peça que faltava, que entrou no momento certo, com a preparação certa. Terá de manter o nível da equipa nas próximas épocas, mas a confiança de Brown é um sinal claro que o italiano é fundamental nesta estrutura.

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