A Ferrari enfrenta problemas sérios e a diferença para as adversárias é demasiado grande. A falta de potência do motor italiano é motivo de preocupação.
Não está fácil a vida para a Ferrari, que desde a investigação da FIA sobre a legalidade do seu motor nunca mais encontrou a mesma performance. A diferença de velocidade nas retas é gritante e fala-se que a unidade motriz italiana tem menos 40 a 45 cv de potência comparando com as rivais. Mais ainda, a diferença de andamento para a Mercedes deverá rondar um segundo.
As melhorias trazidas para a segunda prova na Áustria foram minimas e traduziram-se num incremento de 0.1 seg. por volta, muito pouco para o que se esperava. Não parece haver um problema especifico que possa ser melhorando a curto prazo. O carro é fundamentalmente lento e a raíz deste problema estará na falta de força do motor.
É fácil apontar o dedo aos pilotos. Sebastian Vettel borrou a pintura na primeira prova, Charles Leclerc igualou o colega de equipa na segunda. Mas o problema da Ferrari não é, nem nunca foi os pilotos. Uma equipa que nos anos mais recentes teve nos seus quadros um Fernando Alonso no topo da sua forma, Kimi Raikkonen, Sebastian Vettel não pode apontar o dedo à peça que fica entre o volante e o banco. O problema é profundo, minimizou-se com a Maurizio Arrivabene e agora voltou a acentuar-se com Mattia Binotto.
A Ferrari tem uma estrutura de topo, com muita capacidade e talento mas, por algum motivo, todo esse potencial está a ser desperdiçado. E quando há potencial não aproveitado, tendencialmente o problema está na chefia ou no modelo aplicado.
Binotto é parte da solução e não do problema. A sua calma é fundamental para a equipa não perder o norte e a forma como colocou a equipa técnica a trabalhar de forma mais solta ajudou a que a Ferrari se aproximasse da Mercedes desde 2017. Mas por algum motivo, este ano a Ferrari meteu os pés pelas mãos e desde a investigação ao motor ficou claro que o truque que lhes dava vantagem foi eliminado e assim ficaram a perder. Nada que não aconteça na F1, mas seria o mesmo que a Mercedes ficar sem o DAS e perder performance. Nesse cenário a Mercedes encontraria certamente uma solução em algumas semanas. A Ferrari, apesar dos avisos nos testes em Barcelona não o conseguiu fazer.
Bem ao estilo latino, poderá haver vontade de fazer rolar algumas cabeças, mas essa instabilidade não trará nada de bom, mais nesta fase fundamental em que se começa a preparar 2022. Binotto é a solução, mas talvez precise de mais ajuda do lado da gestão da equipa. Talvez seja preciso um pulso mais forte. Arrivabene tinha muitos defeitos e a sua saída não foi lamentada por muitos, mas tinha a liderança que Binotto ainda não conseguiu demonstrar. As dores de cabeça da Ferrari são mais profundas do que possa parecer à primeira vista e precisam de ser tratadas o quanto antes.










