E se a filosofia do Mercedes W13 já tiver ‘condenado’ a época?

Por a 6 Abril 2022 17:18

Num excelente artigo no The Race, Gary Anderson deixa pistas muito interessantes que explicam o porquê da época da Mercedes já poder ter “ido ao ar”.

Obviamente que ainda há tempo para resolver as questões, o problema é que essa resolução pode não ser nada fácil, tudo por causa do caminho que a Mercedes seguiu.

Se em 2014 trabalhou de forma tão perfeita que ganhou uma vantagem que durou vários anos, não vamos ao ponto de dizer que a época está perdida, nem faria sentido, mas as probabilidades disso acontecer são significativas.

Tudo porque por muito bom que tenha sido o trabalho no túnel de vento e no CFD, se o conceito aerodinâmico escolhido, a filosofia do monolugar, tiver sido mau, pouco há a fazer a partir daqui. Veja-se o caso da Aston Martin o ano passado. Depois do carro que tiveram em 2020 (ainda como Racing Point) recorde-se do que lhes sucedeu em 2021 já como Aston Martin.

Ou seja, quando é escolhida a filosofia, tudo o resto é feito a partir daí e mesmo que o que for feito seja perfeito, se o conceito inicial é mau, está tudo estragado.

Portanto, como diz Gary Anderson: “onde se começa dita onde se acaba, por isso a visão inicial é crítica para o resultado final e, por sua vez, para o desempenho do carro”. É uma frase que, provavelmente, diz tudo, pois as equipas seguem um caminho e depois tentam otimizar essa solução: o desempenho final do carro é a soma de todas as suas partes.

Tudo isto para dizer que a Mercedes pode tentar muita coisa e nunca conseguir chegar a lado nenhum. Se assim for, até para o ano…

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23 comentários

  1. NOTEAM1 NOTEAM1

    6 Abril, 2022 at 17:45

    Antes da primeira grande actualização a fazer no carro, que normalmente acontece em Barcelona, não dou a Mercedes como “morta”.

    • Paulo Brasil

      7 Abril, 2022 at 10:26

      Para os “iluminados” e profetas da desgraça andm com o terço na mão a rezar que tudo de errado depois de um ano de Masi…A mercedes vai dar a volta por cima …. Aguardem

  2. Honda Power

    6 Abril, 2022 at 18:03

    Incrível como numa época onde estaram dos carros mais bonitos da história da F1… a Mercedes tenha construido um dos carros mais feios de sempre… e que ainda por cima peca em performance… pior só a McLaren.

    • Paulo Brasil

      7 Abril, 2022 at 10:21

      Ainda pior és tu que és mais feio de todos… ahahahahah tens as orelhas muitos grandes dá muito downforce, muito arrasto as perde-se velocidade de ponta… ahahahahahah… Só podes ser adepto da RBR não dizes nada que presto… És bola

      • Honda Power

        7 Abril, 2022 at 13:44

        O teu neurôniosito só dá para o insulto… se tivesses pelo menos dois, já tinhas reparado que sou adepto da Honda e não da RB, aliás, eu criei esta conta exactamente para defender a Honda do tempo da McLaren, quando toda a gente atacava a Honda.

  3. McFamba

    6 Abril, 2022 at 18:33

    Verdade mas todos sabem que qualquer equipa, seja em que modalidade for, nunca fica sempre lá em cima! O ciclo acaba. Outro virá se trabalharem para isso ou se a Mercedes se mantiver na F1. Nada de novo, quem não compreendo isto, pouco compreende de nada!

  4. Frenando_Afondo™

    6 Abril, 2022 at 19:47

    Faz parte. Não é nenhum drama. É descobrir outro caminho e seguir em frente. Todos os problemas que resolvam esta época vão ser muito úteis para 2023, assim que não é desperdício de trabalho como foi em 2021 para muitas equipas.

  5. Scb

    6 Abril, 2022 at 20:06

    Não acredito que a Mercedes não consiga dar a volta. Poderá não lutar pelo título (eu acho que ainda irá) mas irá lutar por vitórias.
    Se derem a época como terminada mais cedo, terão mais tempo para preparar a próxima. Não vejo drama, só pena da McLaren não estar minimamente competitiva (essa sim parece completamente arrumada).

  6. RedDevil

    6 Abril, 2022 at 20:09

    Pelo título do artigo e pelo assunto em questão… esperava algo técnico… uma (ou várias) razão para o conceito ser “defeituoso”…
    Essa argumentação com “lapalissadas” não vale… a astróloga Maya faz igual…

    • ...

      6 Abril, 2022 at 21:58

      Já tu devias ter falado com a Maya antes de teres dito que o “conceito” do w13 ia arrasar a concorrência…lol

      • RedDevil

        7 Abril, 2022 at 0:07

        outra vez?
        já te disse para esperares umas corridas…
        Podia-te explicar porque é que acredito no conceito da Mercedes (minimização do drag)… mas ias continuar a não perceber…

        • ...

          7 Abril, 2022 at 9:28

          lol pelos vistos percebes muito da poda…o Newey ao pé de ti não deve passar de um aprendiz, já eu nem isso, pois ia “continuar a não perceber” a tua “sábia” explicação … Se quiseres falar de minimização de drag devias saber que não se consegue apenas ao reduzir os flancos. O drag advém de toda a área do carro (vista de frente) e que mesmo com os flancos minimizados facto é que os pneus traseiros estão lá para causar drag, ou seja, não há drag por causa dos flancos mas acaba por haver por causa dos pneus traseiros…A Tyrrell com o P34 tentou reduzir o drag com a frente carenada e com pneus mais pequenos mas quando o fluxo de ar chegava aos pneus pneus traseiro lá estava o drag…acontecia era apenas mais atrás. Por outro lado, olhando para os carros deste ano, todos excepto os MB têm os flancos escavados com o objectivo de direcionar/forçar o fluxo de ar dos flancos para baixo, desta forma ajuda (tal como as saias faziam nos carros asa de 1977 a 82) a selar o fluxo de ar que está a passar na parte de baixo do carro criando assim um efeito de solo sem fugas e consequentemente mais estável. O facto do MB não ter flancos escavados deverá ser uma das causas do porpoising, pois não tem o fluxo de ar (vindo dos flancos) a selar o ar que está por baixo do carro, e acredito que mais tarde ou mais cedo os MB terão flancos semelhantes aos outros carros.

          • RedDevil

            7 Abril, 2022 at 13:24

            Não percebo muito mas percebo o suficiente para poder formar uma “opinião” sem copiar as opiniões dos outros…
            No campo técnico as “opiniões” valem 0 (zero)… o que conta é a física…
            No que respeita a drag…
            O drag são perdas… quanto mais se tem, maior tem que ser o fluxo energético (vulgo potência) para o compensar… como temos limites de fluxo energético (100kg/h de combustível) e de energia total (110 kg de combustível), a minimização dessas perdas é muito importante…
            O drag tem 2 origens… tensões normais (devido aos efeitos da pressão) e tensões de corte (devido aos efeitos da viscosidade do ar). Não é só a secção frontal que conta… toda a superficie e todas as arestas contam.
            Os pneus não ficam “escondidos” por trás dos flancos, vão buscar alguma redução de drag mas pouca (com flancos maiores)… não há volta a dar… estão lá e têm um efeito brutal (ver transformação de Joukowski)… meter um “balão” á frente deles não faz reduzir significativamente o drag dos pneus e aumenta drásticamente o drag total pela adição do “balão”…
            Em relação ao Newey… sim… ele tentou reduzir ao máximo a secção frontal… não teve foi uma equipa de engenharia que lhe conseguisse compactar a mecânica como a Mercedes fez… no tempo da Renault, o Newey chegou a referir esse problema, a Renault não colaborava muito nas pretensões aerodinâmicas da RB…

          • ...

            7 Abril, 2022 at 15:24

            O drag é a resistência de um corpo em movimento, causa perdas (quanto maior for o drag maior é a perda) mas não é a perda propiamante dita, essa perda que de facto existe é consequência do drag…E de facto não é só a secção frontal que conta, daí eu ter dito que era toda a àrea do carro vista de frente, chamemos-lhe a silhueta do carro. O que dizes do balão à frente do pneu está correcto mas esqueces-te que os flancos “escavados” têm como função desviar o fluxo de ar que iria contra os pneus traseiros, (reduzindo assim o drag dos mesmos). Esse mesmo fluxo de ar desviado ao ser forçado para o solo faz uma “barreira” que evita que o fluxo de ar da parte de baixo do carro saia pelas laterais maximizando assim o efeito de solo que nestes carros é fundamental para se andar na frente…

  7. ...

    6 Abril, 2022 at 22:00

    Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe!

    • Scirocco

      7 Abril, 2022 at 8:03

      Fantástico que sobre um ditado popular haja pessoas que deêm um comentário negativo (ou positivo já agora)

  8. Miguel Costa

    6 Abril, 2022 at 23:31

    Pode acontecer à Mercedes o mesmo que aconteceu à antiga Brabham quando Gordon Murray criou o conceito inovador com o BT55, o carro super baixinho que tinha o motor BMW inclinado para caber, o que fazia verter óleo e falhar, andaram várias corridas a tentar resolver o problema e acabaram por abandonar esse chassi depois da morte do De Angelis e voltar ao carro antigo, porque simplesmente não resultava, apesar de ser um conceito totalmente inovador e diferente, algumas ideias usadas nesse Brabham BT55 foram re-utilizadas depois no McLaren MP4, com os resultados que conhecemos. Embora a Mercedes não possa voltar ao carro antigo, tem meios e pessoas para desfazer o que está mal, o problema da unidade motriz da Mercedes que me parece a menos veloz do grid é que pode ser mais difícil de resolver. Agora descartar a Mercedes já acho demasiado prematuro.

    • ...

      7 Abril, 2022 at 0:19

      O BT55 foi utilizado durante toda a época de 86, excepto no GP da Grã Bretanha em que Patrese guiou o BT54. Apesar de Gordon Murray ter reclamado para si a orientação técnica e de ter afirmado que o conceito do MP4-4 de 88 foi baseado no BT55, facto é que o carro foi desenhado por Steve Nichols e sua equipa sem que o BT55 ou Murray tivessem tido alguma influência.

      • Miguel Costa

        8 Abril, 2022 at 9:48

        Realmente tem razão em relação à utilização do BT55, apenas na GB o Patrese utilizou o BT54 enquanto o Warwick o BT55, que se revelou mais rápido e foi até ao fim da temporada com algumas alterações, especialmente na caixa de velocidades. Mas ainda hoje existem duas versões sobre quem realmente criou o McLaren MP4-4, e segundo o Murray ele criou o projecto e o Nichols trabalhou nele sobre a supervisão do Murray, já o Nichols diz que o projecto inicial realmente era do Murray (com a tal filosofia do carro baixinho com menos distância entre o fundo do carro e o topo), mas quem o desenvolveu foi ele.

  9. Patucho10

    7 Abril, 2022 at 0:19

    A partir de Barcelona vamos ver como está a Mercedes, porque desde o inicio até Barcelona são 2 meses de campeonato, então já têm muita informação para poder superar os problemas encontrados no W13 e melhorar a performance, caso isso não se verifique então a próxima época começa bem sedo.

  10. Scirocco

    7 Abril, 2022 at 8:00

    A grande questão é se o Lewis vai querer fazer mais uma época se esta ficar definitivamente comprometida. A sua vontade de bater o recorde que lhe falta, poderá não ser suficiente para andar mais um ano a tentar. Lewis já é, para os padrões da F1, um veterano e começar de cá de baixo novamente não lhe deve ser muito atractivo.
    Até por este prisma esta época está a ser uma cx. de surpresas.

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