Domenicali: “A indústria automóvel é diferente” e a F1 vai ter de se adaptar
A F1 enfrenta as primeiras dores de crescimento, muito pronunciadas, desta nova regulamentação, pensada para dar mais ênfase a um motor com uma forte componente eletrica. Mas o mercado mudou e a F1 poderá (e deverá) acompanhar essa mudança.
Quando as discussões sobre o novo regulamento agora em pista começaram, o mundo era diferente. Com mudanças cada vez mais rápidas e um mercado cada vez mais dinâmico, a F1 e as marcas não tiveram em conta a fragilidade relativa do mercado dos elétricos.
Apesar de aplicada de forma diferente, a base do envolvimento das marcas nas corridas foi sempre assente na premissa “vencer ao domingo, vender à segunda”. Na F1 essa premissa é aplicada à tecnologia, à inovação e à exposição mediática. Assim, as marcas optaram por um caminho onde a eletrificação era a componente chave do regulamento. Foi este regulamento que permitiu que a Audi e, depois, a Cadillac se interessassem e ingressassem na F1. Mas o cenário da indústria automóvel mudou.
Elétricos perderam força
É agora assumido que a eletrificação não mostrou o ritmo esperado e que os motores a combustão ganharam nova vida. O que antes era uma espécie destinada à extinção mantém-se com força renovada, motivados pelo fracasso parcial da aposta nos elétricos e pela esperança dos combustíveis sintéticos. Com o novo regulamento, a F1 quis deixar a porta aberta à combustão com os sintéticos, mas apostou na eletrificação, que tem dado dores de cabeça nestas primeiras corridas. Ainda estes motores não tinham visto a luz do dia e já se falava em colocá-los de parte e apostar nos V8.

Novos motores para breve?
E essa via poderá mesmo acontecer. Ou outra até, mas é bem possível que a eletrificação, tal como no mundo atual, receba um “downgrade” no próximo regulamento. Stefano Domenicali, em entrevista à Motorsport.com, abriu a porta a essa possibilidade. Explicou porque é que a F1 optou por este caminho e o que pode acontecer no futuro:
“Acho muito importante lembrar porque é que mudámos o regulamento em conjunto, como ecossistema. Não nos podemos esquecer que a governação do nosso desporto não é apenas decidida pela FIA, mas por nós e pelas equipas.
Portanto, a questão central do regulamento é que, há cinco anos, os fabricantes de automóveis acreditavam que a única forma de progredir e manter-se no desporto automóvel era ter uma divisão 50/50, ou seja, tentar encontrar o equilíbrio certo entre o motor de combustão interna e a eletrificação. Esse era o ponto crucial.
É por isso que estamos aqui hoje para discutir o regulamento, os aspetos técnicos, que precisam definitivamente de ser melhorados, porque esta mudança radical nunca foi tão grande. Mas foi essa a razão desta mudança radical. Não nos podemos esquecer disso. Agora, se observar o que está a acontecer no contexto da indústria automóvel, verá que é diferente.
Atualmente, a indústria automóvel está a voltar a dar prioridade aos motores híbridos e aos motores de combustão interna com combustíveis sustentáveis, algo que sempre considerámos crucial para o futuro, como sempre dissemos desde o início. Assim, espero que a discussão sobre as novas unidades motrizes, que a FIA terá o papel de coordenar, seja definitivamente diferente”.

Tarefa difícil para a F1
A tarefa da F1 não é fácil. Para garantir o interesse de novas marcas, tem de apostar em, pelo menos, algum nível de relevância da sua tecnologia. Não é justificável que uma marca invista milhões num desporto se não tirar proveito de toda a investigação feita para criar novos produtos ou, pelo menos, versões melhoradas.
Mas o momento do mercado automóvel é de indefinição. Os elétricos eram “a” aposta e agora perderam força. Os motores de combustão tinham de acabar, mas agora conseguiram sobreviver por mais uns anos. As marcas que antes apostavam apenas em elétricos olham agora para os híbridos como a solução para vender mais. Neste contexto, como poderá a F1 escolher a filosofia para a próxima regulamentação? Nunca será uma escolha fácil e óbvia.
E, sem qualquer dado que suporte esta teoria, parece que esta regulamentação vai ter vida curta, com cada vez mais vozes a mostrarem-se interessadas num regresso a unidades motrizes que ainda contemplem eletrificação, mas com uma componente de combustão mais forte. Domenicali disse pouco, mas o suficiente para perceber que o futuro poderá seguir essa via.
Foto: MPSA e Honda
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suki
16 Abril, 2026 at 13:37
Pois, quando os carros forem autónomos, também vamos ver corridas de F1 com carros autónomos, sem pilotos humanos!…
galileufigarogmail-com
16 Abril, 2026 at 14:50
A fórmula 1 não tem nada que se adaptar. A fórmula 1 deve liderar. É um desporto e é líder na tecnologia. Se passa pela electrificação, são os adeptos que decidem. Basta começarem a deixar as tribunas vazias e o dinheiro começar a faltar. Não nos atirem areia para os olhos. Os adeptos não são parvos.