CRÓNICA: Tenha lá paciência, Sr. Toto Wolff…

Por a 30 Novembro 2016 09:52

Nico Rosberg é o novo Campeão do Mundo de F1, merecidamente, pois apesar de todos sabermos que Lewis Hamilton é mais rápido, o filho de Keke Rosberg fez muito para merecer estar onde está. Ninguém que vence nove Grandes Prémios num ano pode ser um ‘mau’ Campeão, e não foi esta a primeira vez que não foi o melhor piloto a chegar ao título, nem será a última.

No entanto, os seus festejos foram ensombrados por uma questão lateral, que não devia ter tido o destaque que teve. É verdade que Lewis Hamilton andou menos do que podia e tentou dessa forma ir buscar o que precisava para ser Campeão. Alguém lhe pode levar a mal? Não! Nunca! Fez o mesmo que Senna em 1990, ou Schumacher em 1994 e 1997. Com as diferenças que se conhecem, pois enquanto Senna mandou Prost propositadamente para fora de pista e resolveu o título logo ali, Schumacher idem, idem, aspas, aspas, se bem que em 1997, saiu-lhe o tiro pela culatra.

Mas Toto Wolff do alto do seu pedestal encheu o peito para desancar o seu piloto, esquecendo-se que 51 vitórias nas últimas 59 corridas, desde o início de 2014, lhe dão uma enorme margem de manobra que podia permitir não colocar a equipa acima da vontade de um seu piloto ser Campeão do Mundo de F1. Não há piloto de F1 que aceite de bom grado uma ordem para não fazer tudo o que pode para vencer um título, e num mundo tão competitivo como é a F1, Wolff devia lembrar-se que a ‘culpa’ de Lewis Hamilton ter perdido grande percentagem das suas hipóteses de ser campeão este ano é totalmente da equipa que lidera, com o motor ‘rebentado’ na Malásia. É verdade que Hamilton não foi o melhor dos colegas de equipa em Abu Dhabi, mas comparando com o que se passava entre Senna e Prost, pareceu uma brincadeira de meninos…

Ninguém causou acidentes, ninguém se aleijou, um perdeu, outro ganhou, fazia assim tanta diferença mais uma ou menos uma vitória? Valeu a pena todo o barulho à volta do caso, quando o que devia ter acontecido era todos olharem para o enorme feito de Nico Rosberg? Sr. Toto Wolff, lamento informá-lo que sendo bom para o seu ‘marketing’ e para as estatísticas as vitórias da sua equipa, continuam e vão continuar a ser os pilotos e terem 99% da importância aos olhos dos adeptos. Este número só não é verdade com três equipas na F1, Ferrari, McLaren e Williams. A ‘sua’ equipa tem que ‘penar’ muito até chegar ao coração dos adeptos como estas há muito chegaram…

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45 comentários

  1. Speedway

    30 Novembro, 2016 at 12:52

    Apesar de ser adepto do Hamilton, simplesmente porque o considero, o melhor piloto desta geração, uma coisa tem de se conceder : quando ele chegou à Mercedes pensaria e pensariam também a maioria das pessoas, que ele iria golear, não dar qualquer hipótese ao Rosberg, que já era centenário nessa altura e nem uma vitória tinha ! O facto é que as coisas não foram assim : O Rosberg fez a vida negra ao Hamilton e esteve sempre muito perto dele em termos de andamento ao longo destes anos. Nem o Hamilton esperaria isso.Surpreendeu sem dúvida.
    Certo também que o Hamilton não pôde ter ou não lhe concederam o estatuto de 1º piloto (como um Stewart, Senna ,Lauda ou Vettell,etc). como o seu palmarés justificava.Trataram-no como um qualquer outro piloto sem palmarés. O Rosberg fez frente ao Hamilton, ajudado pela equipa, talvez, mas o facto é que fazer o que o Rosberg fez e a vida negra em que pôs o inglês, não estará ao alcance de qualquer um. Agora o Nico Rosberg está longe de ser um fora de série, acho que isso é consensual.
    Mas, por exemplo,considero-o bem superior ao Button, que foi outro campeão mundial, não passando dum piloto vulgar.

    • NOTEAM

      30 Novembro, 2016 at 13:22

      O Button fez tudo o que o Rosberg está a fazer, simplesmente na altura a Mclaren não lutava por títulos. Nos 3 anos que foram colegas de equipa, o Hamilton ficou na frente do Button por 2 vezes, em 2011 foi a única em que na frente ficou o Button. Podemos discutir se o Rosberg é melhor ou pior que o Button, mas de vulgar o Button teve pouco!

  2. Gerhard Berger

    30 Novembro, 2016 at 13:12

    Nem mais, excelente crónica. Há malta que parece que vê F1 à 2 dias…

  3. [email protected]

    30 Novembro, 2016 at 13:34

    Eu não sei se o autor deste artigo é empregado ou patrão. Se for empregado, o seu patrão vai ficar a saber que concorda que se desobedeça às suas ordens. O que não deve ser agradável.
    Não condeno a atitude do Hamilton, nem a Mercedez, o que se condena é não ter obedecido a uma ordem que lhe foi transmitida por quem lhe paga.

  4. João Pereira

    30 Novembro, 2016 at 14:41

    Concordo com tudo o que se diz neste artigo, mas ao referir Senna em 1990, acho que devia ter mencionado a manobra de Prost em 1989, sem a qual duvido que Senna alguma vez tivesse feito a alguém o que fez a Prost em 1990. É preciso lembrar também, que Prost foi pioneiro (que eu me lembre) ao tentar (e conseguir) ganhar o campeonato com uma manobra do género, pelo que a omissão da sua manobra na chicane de Suzuka em 1989, é privá-lo de um crédito bem merecido, até porque a coisa acabou por resultar na torre de controle de Suzuka depois dele ter lá ido conversar com JMB, coisa que até já na altura era proibida por regulamento. Belo “professor”, ricos ensinamentos sim senhor!

  5. simr

    30 Novembro, 2016 at 16:51

    Se em 2014 fosse o carro do Hamilton a quebrar em abudabhi, ui ui o que se falaria mas como existe a ideia pré concebida de que o Hamilton é o mais rápido pronto siga lá dizer que é o melhor e é o piloto que merece ganhar tudo e se não ganha é porque a pista está inclinada mas o que tenho visto nos últimos anos é que em termos de voltas mais rápidas e poles não tem havido grande diferença entre os dois pilotos da mercedes.

  6. asfalto

    30 Novembro, 2016 at 20:38

    Vi uma analise que fizeram sobre os acontecimentos hamilton vs rosberg, a conclusão foi. O Hamilton não respeita o rosberg, não receia atirar-lo fora da pista, e numca lhe acontece nada. O rosberg evita sempre o contacto e quando ele acontece é sempre ele que fica a perder, como aconteceu de ser penalizado por alargar uma travagem, e por exemplo no Canadá e em mais alguns, o hamilton fez o mesmo e não se passou nada.

  7. MVM

    30 Novembro, 2016 at 23:29

    É de uma enorme puerilidade – e estou a ser educado – dizer-se que a culpa de um motor partido é da equipa.
    Já agora, a culpa de o Nico ter tido problemas mecânicos no GP de Abu Dhabi de 2014, privando-o de tentar lutar pelo título, é de quem? Do próprio Nico?
    Deixe as teorias da conspiração para os lunáticos.

  8. Frenando_Afondo™

    1 Dezembro, 2016 at 19:34

    Quero ver se alguma corrida o Rosberg fizer o mesmo, se o alarido é tanto e se o Toto diz alguma coisa. Provavelmente fazem como em Barcelona, distribuindo as culpas.
    Provavelmente acusam o Hamilton de ter usado um cabo para travar Rosberg e assim repartir a culpa. Depois vem o Lauda dizer aos microfones que a culpa era toda do Hamilton (como fez em barcelona) e pronto, caldinho de pressão montado mais uma vez para o inglês.

    O Rosberg pode bloquear, fechar a porta como quiser, que assim que Hamilton faz uma, a Mercedes faz logo um grande circo à volta disso. Mesmo depois de terem feito mais uma dobradinha de títulos (lembram-se? Eles ganharam os títulos e era a última corrida).

    Continuam lá com a palhaçada que perdem um dos melhores pilotos do plantel, tudo porque não obedeceu ordens que implicitamente desconfiavam das capacidades do vosso melhor piloto. Afinal ele só ganhou 31 corridas em 59 possíveis (frente às 20 de Rosberg), coisa pouca não é Wolff? Tu que tanto gostas de estatísticas e vitórias.

    Toma outra estaística Wolff: O Hamilton este ano ganhou 10 corridas, quase tanto como o Rosberg em 2014 e 2015 combinados!!! (11 vitórias) Mas isso não interessa, o que interessa é que abrandou o ritmo e quase tirou uma vitória à Mercedes que estava à rasquinha por pontos.

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