Lando Norris venceu, domingo, o Grande Prémio dos Países Baixos, em Zandvoort, somando a segunda vitória consecutiva na Fórmula 1 depois do triunfo na Hungria e reforçando a confiança da McLaren no rumo da temporada. O britânico, que partiu da pole position, viu a liderança escapar-se após o segundo arranque, mas recuperou com uma ultrapassagem decisiva a Kimi Antonelli (Mercedes) e cruzou a meta com uma vantagem confortável de 11 segundos.
Andrea Stella, diretor de equipa da McLaren, não poupou elogios ao piloto: “Penso que o Lando está a conduzir e a operar a um nível muito elevado, em sentido absoluto, em ‘modo’ Campeão do Mundo de Fórmula 1. Penso que ele está a conduzir ao nível de um Campeão do Mundo”, afirmou após a prova.
Ultrapassagem decisiva e gestão de pneus distinguem Norris
A corrida não foi linear. Depois de um arranque inicial e de uma bandeira vermelha, Norris perdeu a liderança para Antonelli no segundo arranque. A McLaren optou por manter o piloto na pista com pneus duros, enquanto a Mercedes geria a estratégia de forma diferente.
Stella explicou que a chave esteve na capacidade de Norris extrair mais ritmo com o composto duro do que o rival: “Nos pneus duros, penso que o Lando teve algo a mais em termos de compreensão de como usar este composto”, disse o italiano. Essa diferença permitiu ao britânico aproximar-se, ultrapassar Antonelli e, pouco depois, Lewis Hamilton, que ainda não tinha parado nas boxes e ficou numa posição desfavorável.
Mesmo com Antonelli a voltar às boxes para pneus frescos, Norris manteve ritmos semelhantes e controlou a prova até ao fim, passando por duas fases de Safety Car virtual sem sobressaltos.
“Algo fez clique” após início de 2026
Stella destacou ainda a evolução contínua de Norris ao longo da temporada. “O que mais gosto na jornada do Lando na Fórmula 1 é que ele continua a melhorar. Penso que, especialmente após o início da temporada de 2026, algo fez clique. É quase como se visse o Lando a ficar mais forte corrida após corrida”, sublinhou.
O diretor de equipa realçou que o fim de semana em Zandvoort não parecia, à partida, propício à luta pela vitória, tendo em conta o desempenho no Sprint. A McLaren investiu, porém, em compreender melhor a exploração dos pneus e a melhoria do carro. “Quando tens condições em que o carro desliza na corrida, não há muita aderência, então penso que ele é o mestre neste tipo de condições”, acrescentou.
Pacote de atualizações da Hungria começa a dar frutos
A vitória em Zandvoort confirma o impacto do pacote de atualizações que a McLaren introduziu no Grande Prémio da Hungria, onde Norris conquistou a primeira vitória da equipa em 2026. No início do ano, a McLaren esteve fora dos pódios e, no Grande Prémio da China, nenhum dos dois carros conseguiu sequer iniciar a prova. A evolução técnica tem permitido, agora, lutar regularmente pela frente.
Norris soma, em 2026, duas vitórias em Grandes Prémios e um triunfo no Sprint, aproximando-se da liderança do campeonato, embora ainda a 83 pontos de Antonelli.
Stella evita falar de título e foca-se em Monza
Apesar do momento positivo, Stella recusou entrar em especulações sobre o campeonato. “A nossa abordagem real é apenas uma corrida de cada vez. Não há muito mais que possas influenciar além de maximizar o que vem a seguir”, explicou.
O próximo desafio é Monza, um circuito com exigências muito diferentes de Zandvoort e da Hungria. “Se pensarmos nas exigências de Zandvoort e da Hungria, e depois pensarmos nas exigências de Monza, estamos num regime completamente diferente. Se conseguirmos confirmar as nossas melhorias em Monza, então… sim, podemos olhar com algum otimismo para o restante da temporada”, disse.
Stella admitiu, contudo, que há áreas a confirmar. “Sabemos que o arrasto não é necessariamente um ponto forte do nosso carro, por exemplo. Há muita travagem [em Monza], o que também não é um ponto forte. Há, portanto, um conjunto de coisas que precisamos de confirmar à medida que avançamos para a próxima corrida”, concluiu.
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