Os automóveis da marca chinesa vão deixar de poder entrar na Base Aérea de Kadena, em Okinawa, no Japão, devido a preocupações de segurança relacionadas com câmaras, sensores e recolha de dados. A decisão das forças armadas dos EUA entra em vigor na próxima segunda-feira, dia 26, e aplica-se a veículos particulares, táxis, viaturas de empresas, entregas e carros utilizados por prestadores de serviços.
Esta decisão é conhecida num momento de crescente escrutínio norte-americano sobre tecnologia chinesa ligada ao automóvel. Em junho, o Departamento da Defesa dos EUA incluiu a BYD numa lista de empresas que considera terem ligações ou prestarem apoio ao setor militar chinês, juntamente com nomes como NIO, Alibaba e Baidu. O fabricante rejeitou essa classificação e anunciou que recorreria aos meios administrativos e legais disponíveis.
Segundo a informação divulgada pelas autoridades militares norte-americanas no Japão, a preocupação está relacionada com a possibilidade de câmaras, sensores e outros sistemas instalados nos automóveis recolherem informação sensível dentro da base e a transmitirem para o exterior. A porta-voz de Kadena, a tenente-coronel Alli Stormer, afirmou apenas que estes automóveis representam “um risco inaceitável e não mitigado” para o pessoal e para a missão da instalação, sem detalhar o cenário concreto que motivou a decisão.

Localizada na ilha de Okinawa, a Base Aérea de Kadena constitui um dos principais centros do poder aéreo norte-americano na região do Pacífico e ocupa uma posição estratégica junto ao Mar da China Oriental. Entretanto, a BYD continua a expandir a sua presença internacional. A marca ultrapassou a Tesla nas vendas mundiais de automóveis 100% elétricos em 2025 e continua empenhada no reforço da atividade em mercados como a Europa e o Japão. No segundo, as domésticas mantêm-se dominantes, mas o fabricante chinês decidiu atacá-las até no território dos “kei cars”, com o pequeno citadino elétrico Racco apresentado em julho”.
O episódio de Kadena tem um precedente em sentido inverso. Em 2021, a China restringiu temporariamente a entrada de automóveis da Tesla nalguns complexos governamentais e militares devido a preocupações relacionadas com as câmaras montadas nos carros. As limitações foram levantadas em 2024, depois de os Tesla produzidos na China terem cumprido os requisitos locais de segurança de dados.










