José Pedro Fontes terminou o Rali Seis Cidades Norte de Portugal em quarto lugar, após uma luta intensa com Pedro Meireles. Depois do descontentamento do dia anterior, os troços mais resistentes e mais conhecidos de domingo permitiram esquecer a polémica e focar apenas no plano desportivo, onde tivemos um duelo muito interessante até ao fim.
José Pedro Fontes é habitualmente muito transparente nas suas emoções à saída do carro. Se o discurso é breve e o rosto fechado, as coisas não correram bem. Quando é mais expansivo é porque o resultado agrada mais. Assim, à chegada ao pódio, em Guimarães, persistia a dúvida: Que Fontes teríamos no final do rali? O sorriso quando abriu a porta dissipou qualquer dúvida.
Apesar de ter ficado atrás de Meireles no confronto direto, a intensidade da luta, e as diferenças mínimas do duelo pelo pódio afastaram uma potencial “azia”. Assim que viu o seu adversário, Fontes trocou logo duas piadas e um caloroso cumprimento entre dois pilotos, satisfeitos pelo espetáculo que protagonizaram. Uma bela imagem que também é uma boa ilustração do que é o CPR. Na análise ao fim de semana, Fontes considerou justo o triunfo de Meireles, mas mostrou-se também otimista quanto ao que pode fazer na última prova do ano.
AutoSport: Depois de uma excelente luta, que animou a tarde e o rali, que balanço fazes desta prova?
Resposta: Tudo o que já dissemos sobre a presença do Campeonato Nacional nesta prova não vale a pena repetir. Ficou demonstrado hoje que, se tivéssemos saído todos juntos, se calhar esta prova teria sido mais emocionante. Foi uma luta muito engraçada com o Pedro desde ontem e acho justo que, nesta nossa luta, ele tenha ficado à frente. Ontem [sábado] teve dois furos. Hoje [domingo], de manhã, tentámos ganhar alguma vantagem, mas ele anda sempre muito bem aqui e foi mais forte do que nós. Parabéns a ele.
AutoSport: E o carro? Ainda estás num processo de aprendizagem, mas já começas a conhecê-lo melhor? Correspondeu ao que esperavas nestas condições duras?
Resposta: Gostei bastante do carro. Foi pena não termos podido perceber melhor, porque ontem as condições estavam, de facto, desastrosas. Ribeira de Pena foi o pior troço que fiz na minha vida, não só porque estava destruído, mas também porque, pessoalmente — e isso já é subjetivo —, não gosto daquele tipo de troço. A conjugação das duas coisas foi para esquecer. Foi sobreviver. Sinceramente, acho que avaliar os carros nestas condições é muito subjetivo. Hoje, em troços que conhecemos bem e que estavam praticáveis, gostei bastante do carro. Tem um potencial muito grande, que também se vê nos tempos do Sarrazin e do Rossel.
Fiquei contente por, de manhã, andar bastante perto do Rossel. Não é a primeira vez que ele passa naquele troço, porque já fez o Rali de Portugal, e nós conseguimos andar ali a dois ou três segundos, a um segundo. Acho que não está mal para quem tem quase 51 anos.
AutoSport: E agora segue-se o Vidreiro, num terreno de que gostas mais e já com alguma experiência no carro.
Resposta: É o terreno de que gosto mais. Já temos alguma experiência com o carro e a luta pelo campeonato promete ser ao rubro. Vamos tentar acabar o campeonato o melhor possível, estar na luta pela vitória e esperar que seja uma grande festa dos ralis.
Foto: Zoom Motorsport








