Há temporadas que se medem em pontos e outras que se medem em memória. A de Filipe Albuquerque, piloto de Coimbra, que há duas décadas corria com as cores da Red Bull, pertence às segundas. Foi a de um jovem que, à entrada do último fim de semana, estava a dezoito pontos do líder e que saiu da pista com duas coroas: o título da Eurocup Fórmula Renault, somado ao do Campeonato do Norte Europeu da mesma categoria.
O fim de semana em que tudo se resolveu
Para chegar ao céu, foi preciso antes passar pelo inferno. Na jornada anterior, recorda o piloto, «tudo correu mal» e a distância para o líder cresceu até àqueles dezoito pontos. Poucos teriam apostado numa reviravolta.
A resposta veio no asfalto, com a frieza de quem sabe o que quer. Albuquerque assinou as duas poles e, com elas, o que descreve como «meio caminho andado para triunfar nas duas corridas». Venceu no sábado e, no domingo, selou o campeonato. «Sempre acreditei que era possível ser Campeão. Quando aqui cheguei comecei a pensar que podia vencer», confessou ao AutoSport, ainda a recompor-se da emoção de um pódio que descreveu como emotivo.
Duas coroas, uma frase simples
Quem espera grandes discursos depois de uma façanha destas encontra a simplicidade de sempre. «Competi em dois campeonatos e venci os dois. É difícil pedir mais», resumiu. A frase diz tudo sobre o rigor de uma época em que a ambição de um jovem piloto se cumpriu à letra.
Um sábado que valia um futuro
Antes do título, já o sábado tinha sido de festa. Depois das poles e da vitória, chegou a notícia que todo o júnior sonha ouvir: «No final a Red Bull disse-me que para o ano eu continuava a correr no Júnior Team». O voto de confiança confirmou que o talento estava à vista de quem decide.
O sonho de olhos postos no chão
O próximo passo está traçado. Albuquerque estará nas World Series, ao serviço da Epsilon Euskadi, uma das melhores formações do campeonato. Mantém, porém, a cautela: «Temos que testar e só depois é que podemos ver quais são as possibilidades em termos de campeonato.» Ainda assim, deixa o sonho espreitar, com um exemplo bem concreto. «O Scott Speed também venceu estes dois campeonatos e, passados dois anos, estava a correr na Fórmula 1», lembrou.
Não era uma promessa, mas sim um mapa possível. E é por isso que esta dupla conquista fica na memória como mais do que um troféu: foi o dia em que um piloto português mostrou que o caminho para o topo também se faz com os pés bem assentes na terra.
Sabemos que o caminho foi diferente do que se antevia na altura, mas não foi pior. Muito longe disso, como Filipe Albuquerque continua a provar.









