Um Fórmula E Gen3 Evo consegue completar uma corrida com 38,5 kWh, uma quantidade de energia equivalente à contida em cerca de quatro litros de gasolina. Para Florian Modlinger, responsável pelo programa de Fórmula E da Porsche, este é um dos argumentos menos valorizados do campeonato. A chegada do Gen4 promete dar uma nova dimensão a essa base tecnológica, juntando-lhe um aumento significativo de desempenho.
Com até 600 kW (mais de 800 cv) em Attack Mode, tração integral permanente, novos pneus e maior carga aerodinâmica, a próxima geração representa uma das transformações mais profundas da história da Fórmula E. O objetivo já não passa apenas por demonstrar a viabilidade da competição elétrica, mas por elevar a velocidade e alargar as possibilidades desportivas do campeonato.
Longe vão os tempos em que eram necessários dois carros por piloto para completar uma corrida, numa altura em que as dores de crescimento eram sentidas de forma muito mais viva e a desconfiança era do tamanho da ambição dos organizadores. A evolução aconteceu ao ritmo da tecnologia, à medida que as baterias iam ganhando autonomia e perdendo peso. Mas o maior truque da Fórmula E sempre foi outro: reduzir perdas e recuperar energia.

97% de eficiência da bateria às rodas
Em fevereiro, quando o desenvolvimento do Gen4 ainda decorria longe da competição, Modlinger já destacava a eficiência alcançada com a geração anterior e explicava as prioridades para o novo carro:
“Com o carro atual, a eficiência do nosso sistema de transmissão é superior a 97%. Da bateria às rodas, menos de 3% da energia utilizada é perdida — algo próximo da perfeição e uma vantagem fundamental da propulsão elétrica. No nosso plano de desenvolvimento para a GEN4, a par de novos ganhos de eficiência nos componentes do sistema de transmissão, focámo-nos no potencial em termos de peso, durabilidade e custos — à semelhança dos veículos elétricos destinados à estrada. Ao mesmo tempo, os 600 kW representam um aumento de 71% na potência no Attack Mode. No geral, creio que é justo falar de uma revolução.”
From his very first win to his most recent 🏆 Pascal Wehrlein has dominated the track #FormulaE https://t.co/MP8jVCCZzV
— Formula E (@FIAFormulaE) October 18, 2026
38,5 kWh: a comparação com quatro litros de gasolina
Nas declarações ao e-Formula.news, Modlinger destacou a relação entre a energia disponível e o tempo durante o qual um Fórmula E consegue competir. Para tornar os 38,5 kWh mais compreensíveis, recorreu à quantidade de gasolina com conteúdo energético equivalente.
“Se colocasse um carro de Fórmula 1 em pista com quatro litros de combustível, estaríamos a falar da mesma quantidade de energia. Na Fórmula E, corremos durante 50 a 52 minutos no Mónaco. Cada um pode calcular por si até onde chegaria um carro de Fórmula 1 com quatro litros de combustível”, afirmou.
Esta comparação, apesar de surpreendente, deve ser colocada no devido contexto. Os monolugares de Fórmula E têm capacidade de regenerar energia na travagem e cerca de 50% da energia usada em corrida é recuperada na travagem. Além disso, os níveis de performance não são comparáveis. No entanto, os quatro litros de combustível ilustram a impressionante capacidade dos monolugares de Fórmula E de aproveitarem ao máximo a energia disponível.
The GEN4 liveries for the 2026/27 season so far 📸 #FormulaE https://t.co/gjRagpzUwb
— Formula E (@FIAFormulaE) October 20, 2026
Gen4 acrescenta desempenho à eficiência
A nova geração traz novos argumentos, no maior salto de performance da história da competição. A FIA anunciou uma velocidade máxima superior a 335 km/h e uma aceleração dos 0 aos 200 km/h em 4,4 segundos, menos 1,5 segundos do que o Gen3 Evo. Com mais potência, mais aerodinâmica, mais eficiência, a Fórmula E pode começar a alargar os seus horizontes, olhando para circuitos tradicionais como potenciais palcos. E essa pode ser a porta que trará mais fãs e mais interesse ao campeonato.
Se a espetacularidade dos carros e das corridas não desapontar, poderemos ter uma era de maior interesse pela competição. E com isso, a tecnologia pode ser devidamente reconhecida e apreciada. Os testes coletivos de pré-temporada no Circuito del Jarama, perto de Madrid, previstos para novembro, permitirão observar os novos monolugares num contexto de preparação conjunta das equipas. A estreia competitiva está agendada para 18 de dezembro, em Jidá, na Arábia Saudita.
Para Modlinger, porém, a Fórmula E não deve comunicar apenas a velocidade que está prestes a ganhar. Deve também explicar melhor o que já consegue fazer com a energia de que dispõe.
“Esta eficiência global do veículo — o tempo durante o qual conseguimos correr com tão pouca energia — é algo que, na minha opinião, deveria ser divulgado de forma muito mais ampla”, defendeu.










