Petter Solberg mostrou-se orgulhoso do percurso do filho, Oliver Solberg, apesar da perda do título mundial de ralis para Elfyn Evans nas duas últimas curvas da derradeira especial do Rally Italia Sardegna. Oliver venceu a prova e terminou a primeira época completa no Rally1 como vice-campeão, depois de recuperar uma desvantagem de 21 pontos e levar a decisão até ao último troço do campeonato.
Oliver Solberg e o navegador Elliott Edmondson chegaram à Sardenha na situação mais difícil entre os três candidatos ao título. A dupla estava 21 pontos atrás do líder, Elfyn Evans, mas começou a recuperação ao vencer a especial de abertura, seguindo depois para a liderança do rali.
No início do último dia, Solberg comandava a prova e Evans ocupava o quinto lugar. A diferença virtual entre ambos no campeonato tinha descido para seis pontos, deixando a decisão dependente dos pontos atribuídos no Super Domingo e na Power Stage.
A situação voltou a alterar-se na penúltima especial. Um furo obrigou Evans a parar para substituir uma roda, fazendo-o perder cerca de dois minutos e afastando-o dos lugares pontuáveis no Super Domingo. O galês manteve o quinto lugar da geral, mas partiu para a última especial com apenas um ponto de vantagem virtual sobre Solberg.
A Wolf Power Stage, com 7,10 quilómetros, passou assim a decidir diretamente o campeonato: quem fosse mais rápido entre Evans e Solberg conquistaria o título mundial. Evans completou primeiro o troço e admitiu que a sua prestação não tinha sido suficientemente boa.
Solberg atacou depois o tempo do adversário. A pouco mais de um quilómetro da meta, seguia 1,9 segundos à frente de Evans, mas saiu de estrada para a areia nas curvas finais. O piloto conseguiu regressar ao percurso e terminar a especial, embora os 8,9 segundos perdidos tenham entregado o título a Evans e ao navegador Scott Martin.
Apesar do incidente, Solberg venceu o Rally Italia Sardegna com 57,6 segundos de vantagem sobre Sébastien Ogier. O resultado confirmou-o como vice-campeão do mundo no final da primeira temporada completa no principal escalão do WRC.
Petter Solberg destaca atitude do filho
Campeão mundial em 2003, Petter Solberg acompanhou os últimos quilómetros com uma combinação de expectativa, orgulho e desilusão. O norueguês revelou que o filho acreditava na conquista mesmo quando os 21 pontos de atraso tornavam o objetivo difícil.
“Estou orgulhoso”, escreveu Petter Solberg. O antigo piloto destacou o facto de Oliver e Edmondson terem levado a luta pelo campeonato “até à última especial do último rali” na primeira temporada completa no WRC, considerando que estiveram perto de “tornar possível o impossível”.
Petter salientou ainda a motivação e a paixão de Oliver pelos ralis, que considera superiores às que ele próprio tinha enquanto piloto. Admitiu a desilusão pelo desfecho, mas mostrou-se convicto de que a dupla voltará mais forte.
O antigo campeão recordou também que Oliver ganhou o rali e terminou o Mundial no segundo lugar. “Ele deve estar muito orgulhoso, mas é difícil perceber isso imediatamente”, afirmou, depois de revelar que o filho estava 1,9 segundos à frente a cerca de 200 metros da chegada.
Petter felicitou ainda Elfyn Evans e Scott Martin, considerando-os vencedores merecedores depois de vários anos a perseguirem o título. Agradeceu igualmente o apoio da Toyota ao longo da temporada.
Oliver sem arrependimentos
Pouco depois da decisão, Oliver Solberg admitiu que precisava de tempo para assimilar o resultado. “Tentei o meu melhor até ao fim. Dói muito, mas não tenho arrependimentos”, afirmou o piloto de 25 anos.
Solberg explicou que teria sido mais difícil aceitar a derrota se não tivesse arriscado o suficiente. Apesar da desilusão, mostrou-se orgulhoso por ter chegado à última especial com possibilidades de conquistar o campeonato e disse querer retirar os aspetos positivos da época para voltar a tentar no futuro.
Evans reconheceu também que julgava ter perdido o título depois da sua passagem pela Power Stage. O novo campeão afirmou que Solberg realizou “um fim de semana incrível” e lamentou que o adversário tivesse ficado sem o título tão perto da meta








