Naquela que ficará na história como um dos mais memoráveis finais de campeonato, Elfyn Evans sagra-se Campeão do Mundo de Ralis (WRC) pela primeira vez após um final dramático no Rali da Sardenha. Oliver Solberg assegurou a sua vitória mais agridoce…
Elfyn Evans e o navegador Scott Martin sagraram-se este domingo campeões pela primeira vez na carreira, conquistando o título do Campeonato do Mundo de Ralis num emocionante final de época disputado no Rali da Sardenha. A dupla da Toyota superou um derradeiro contratempo na penúltima classificativa, um furo, e beneficiou de um erro dramático de Oliver Solberg nos metros finais do rali e do campeonato, para erguer o troféu máximo da modalidade.

O furo na penúltima especial e a luta até ao fim
As contas do campeonato ficaram à beira do colapso para Evans na sequência de um furo no pneu dianteiro direito e da respetiva paragem para substituição na penúltima especial do dia, o troço de Osilo – Tergu. Tratou-se do segundo revés consecutivo em derradeiras especiais de ralis para o piloto britânico, após um problema semelhante sofrido na ronda anterior no Chile. Com os pontos de Super Domingo perdidos e uma margem mínima a separar os contendores, a decisão do título ficou entregue aos 7,10 quilómetros da Wolf Power Stage em Sassari – Argentiera.
O erro decisivo de Oliver Solberg
Oliver Solberg cumpriu uma excelente prestação ao volante do seu GR Yaris Rally1 e liderava a classificativa decisiva com uma vantagem de 1,9 segundos sobre o tempo de Evans, a pouco mais de um quilómetro do fim. No entanto, a escassas duas curvas da meta, o piloto sueco escorregou para fora da trajetória e sau de estrada. Embora tenha conseguido regressar à pista e terminar o troço – vencendo o rali – o tempo perdido deitou por terra as aspirações ao título, permitindo a Evans assegurar a coroa mundial, porque o sueco não conseguiu o que precisava, bater Evans na PowerStage. Apesar da vitória final no rali com uma vantagem de 57,6 segundos sobre Sébastien Ogier, Solberg viu o triunfo no campeonato escapar-se no derradeiro momento.

Reações institucionais e historial de resiliência
No rescaldo da conquista, Elfyn Evans confessou acreditar que a oportunidade de vencer o título tinha desaparecido após o furo. «Não creio que a ficha ainda tenha caído. Quer dizer, tinha a certeza quase absoluta de que tinha acabado», admitiu o piloto britânico. Demonstrando fair-play, Evans lamentou o desfecho do adversário direto: «Sinto muito pelo Oliver também – ele fez um fim de semana incrível e custa perder assim tão perto da meta». Com este triunfo, Evans põe fim a um longo historial de segundos lugares no campeonato — onde terminou por cinco vezes na posição de vice-campeão — e torna-se no primeiro piloto britânico a vencer o WRC desde Richard Burns em 2001, e de Colin McRae em 2007.
O pódio final da prova ficou completo com Sébastien Ogier em segundo e Sami Pajari em terceiro, assegurando um pódio inteiramente monopolizado pela Toyota.
Houve mais ralis para lá do título…
O piloto da Toyota, Takamoto Katsuta, finalizou a prova na sexta posição absoluta, logo à frente de Jon Armstrong, da M-Sport-Ford. Ambas as equipas viram os respetivos concorrentes a braços com perdas de tempo avultadas devido a furos sofridos durante o decorrer de sexta-feira.
Os altos e baixos de Neuville e Fourmaux
A fase derradeira do campeonato revelou-se altamente atribulada para a estrutura da Hyundai, que chegou a fechar a jornada de sexta-feira com Thierry Neuville a arrebatar a liderança provisória ao colega de equipa Adrien Fourmaux por uma margem mínima de 0,4 segundos. Contudo, as aspirações de Fourmaux a uma vitória inédita no WRC sofreram um rombo severo após o piloto contabilizar dois furos no sábado. No mesmo sentido, Neuville perdeu o comando para um inspirado Oliver Solberg antes de abandonar a prova devido a um despiste registado na décima primeira especial.
A desistência de Dani Sordo
A armada da construtora sul-coreana ficou ainda marcada por outra baixa de peso no decurso de sábado. O espanhol Dani Sordo foi forçado a abandonar a competição após experienciar fortes dores físicas decorrentes de um embate sofrido durante a sessão de testes (Shakedown).











