O WRC e a marca de pneus Hankook debateram os desafios associados ao fornecimento único de pneumáticos no Campeonato do Mundo de Ralis, com especial foco nas dificuldades extremas impostas por provas de terra como o Rali da Sardenha. A questão foi levantada pelo comentador do WRC, Mads Østberg em entrevista a Steven Cho, responsável da Hankook no WRC, centrando-se no delicado equilíbrio entre o desempenho e a robustez dos pneus, necessária para evitar que os furos interfiram constantemente com o desfecho desportivo.
Questionado sobre a dificuldade de conciliar a performance com a segurança e de apurar se a marca pondera inclinar-se mais para o lado da segurança no futuro, Steven Cho reconheceu a exigência do campeonato.
O responsável explicou que se trata de um equilíbrio constante entre o desempenho e a durabilidade, sublinhando que os troços duros de terra — e em particular o Rali da Sardenha — figuram entre os mais desafiantes do calendário mundial: “É uma boa questão. Isto é, claro, um campeonato do mundo e os eventos de terra são, naturalmente, altamente desafiantes. A Sardenha é um dos ralis mais desafiantes do calendário, por isso já esperávamos que fosse muito duro”, começou por dizer Steven Cho, acrescentando que a gestão deste equilíbrio assenta em parâmetros ajustáveis que nem sempre são fáceis de acertar na íntegra.
Para debelar os problemas imediatos registados em piso acidentado, o responsável da Hankook lembrou que a marca disponibilizou recursos adicionais para o evento. “Por agora, penso que o que estamos a dizer é: vamos apenas fazer o que conseguimos com as ferramentas que temos disponíveis, e foi por isso que trouxemos alguns pneus adicionais para o caso de ser preciso e adicionámos as zonas de troca de pneus”, detalhou Cho, fugindo à questão.
Apesar dos contratempos provocados por pedras e furos na Sardenha, a Hankook destaca o interesse competitivo da fase final da época. Steven Cho recordou que a decisão do título mundial se mantém em aberto até ao fecho do campeonato, tal como aconteceu na temporada anterior com a conquista do nono título por Sébastien Ogier.
“Deixemos apenas foco nisso e passemos o evento e, mais uma vez, o mais emocionante é que, tal como no ano passado, chegamos ao último evento com o campeonato ainda em aberto! Há três pilotos que o podem vencer. Foi a mesma história no ano passado quando o Sébastien ganhou o seu nono título”, apontou, concluindo que o campeonato se encontra numa excelente posição enquanto a incerteza sobre o novo campeão perdurar até domingo.
Do que Steven Cho fugiu é evidente: os pneus são maus, porque a marca ainda não encontrou a dose certa entre durabilidade e desempenho. E por isso, de modo a evitar que muitas provas se resolvam devido a furos, que fazem parte do jogo, mas a quantidade absurdamente anormal, tem alterado o normal desenrolar de muitos ralis.
O que Ostberg queria saber é muito simples e nós descodificamos: “se a Hankook fizer pneus mais duráveis, mesmo que tenham menos aderência, não há tantos furos e a aderência é igual para todos”. A probabilidade de furos, também é igual para todos com os atuais pneus, mas vezes demais, é mais uma questão de sorte do que outra coisa qualquer…









