A McLaren saiu sem pontos do Grande Prémio do Azerbaijão. Lando Norris abandonou depois de ser atingido na colisão entre os dois Alpine, enquanto Oscar Piastri perdeu uma oportunidade de pódio ao bloquear as rodas na primeira curva. O australiano cruzou a meta em 14.º, mas foi classificado em 13.º após uma penalização aplicada a Gabriel Bortoleto.
Os dois MCL40 arrancaram bem: Piastri subiu ao segundo lugar e Norris ao quarto. A falta de velocidade nas retas, porém, deixou ambos sob pressão. O britânico perdeu posições para Isack Hadjar, Max Verstappen e Lewis Hamilton antes de se estabilizar em sétimo; Piastri conseguiu defender o segundo lugar durante grande parte da prova.
A McLaren dividiu as estratégias de partida: Norris começou com pneus médios e Piastri com macios. Depois de cerca de 30 voltas, o britânico entrou na escapatória da primeira curva e danificou os pneus. Aproveitou a entrada do Safety Car, motivada pelo acidente de Alex Albon, para montar macios e regressou à pista em nono.
No reinício, Norris procurou ganhar terreno pelo exterior da primeira curva, mas Franco Colapinto bloqueou as rodas e atingiu o outro Alpine, de Pierre Gasly. Este acabou por embater no McLaren e projetou Norris contra as barreiras. “Ainda estávamos em posição de somar um bom conjunto de pontos. Ver a minha corrida terminar por ter sido atingido é extremamente dececionante. Não há nada que possamos fazer quando somos passageiros num incidente destes“, afirmou o britânico.
Erro retirou pódio a Piastri
Piastri fez uma primeira parte de corrida forte. Resistiu à pressão dos Red Bull e aproveitou o ritmo no segundo setor para defender o segundo lugar, apesar da desvantagem do McLaren em velocidade de ponta. Uma paragem durante o período de Safety Car permitiu-lhe conservar a posição.
No reinício, o australiano teve dificuldades com os pneus médios e perdeu um lugar para Verstappen. Manteve-se em terceiro após o segundo reinício, mas bloqueou as rodas na travagem para a primeira curva quando defendia a posição de Hadjar. Entrou na escapatória, danificou os pneus e caiu para o fim de um pelotão ainda compacto.
“Tínhamos ritmo para estar no pódio e estávamos em posição de o conseguir. A primeira parte da corrida foi muito forte, mas os pneus médios não me pareceram tão bons na segunda”, explicou Piastri. “O bloqueio de rodas na primeira curva atirou-nos para o fim do pelotão com os pneus danificados e, a partir daí, pouco mais podíamos fazer.”
O australiano recuperou algumas posições, mas não voltou aos lugares pontuáveis. Apesar do desfecho, destacou o andamento mostrado ao longo do fim de semana: “Aprendi muito e sinto-me mais confortável a extrair o ritmo do nosso carro.”
Atualizações não compensaram limitações
Andrea Stella reconheceu que a McLaren também teve responsabilidade no resultado. “Deixámos a vida demasiado difícil aos nossos pilotos. As limitações do nosso conjunto ficaram expostas: demasiada resistência aerodinâmica, velocidade insuficiente nas retas e falta de ritmo nas curvas. Isso obrigou-os a passar a corrida a defender-se, em vez de progredirem”, afirmou o chefe de equipa.
As atualizações introduzidas em Baku funcionaram como previsto e acrescentaram desempenho, segundo Stella. Não foram, contudo, suficientes para compensar as características do circuito. “Vemos Baku como um circuito particular e olhamos para o futuro com otimismo. As atualizações funcionaram como pretendíamos, mas precisávamos de um passo maior para que o impacto fosse evidente aqui”, explicou.
Stella elogiou ainda a corrida de Piastri até ao erro: “Oscar fez uma corrida brilhante até ao bloqueio da roda dianteira, mostrando o piloto rápido e preciso que conhecemos.” A avaliação não elimina o custo do incidente: depois de passar grande parte da prova entre os primeiros, o australiano terminou sem pontos.
No entanto, o erro de Piastri tem de ser realçado. Os 66 pontos de diferença entre o australiano e o colega de equipa fazem se sentir nestes pormenores. Tem faltado consistência a Piastri e num dos fins de semana em que a diferença de andamento em corrida foi mais clara, não aproveitou a oportunidade com mais um erro que custou caro nas ruas da capital azeri. Piastri não tem comprometido os objetivos da equipa, mas esperava-se algo mais do australiano por esta altura. A hierarquia não é oficial na McLaren, mas os resultados de 2026 são claros até agora e Piastri ainda não encontrou a forma da primeira metade de 2025. Baku deram uma excelente amostra do que pode fazer. Mas o erro voltou a colocar em causa a confiança do #81.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA








