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CPR 2RM: João Rodrigues foge, título quase no ‘papo’

José Luis Abreu by José Luis Abreu
28 Setembro, 2026
in Destaque Homepage, Newsletter, Ralis
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CPR 2RM: João Rodrigues foge, título quase no ‘papo’

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Quatro vitórias consecutivas transformaram João Rodrigues no homem forte do Campeonato de Portugal de Ralis 2RM. Depois do Rali da Água, o piloto do Peugeot 208 Rally4 soma 125 pontos, mais 49 do que Pedro Silva e mais 57 do que Hélder Miranda, mas o sistema de descartes (atirar provas fora) e as três provas ainda por disputar deixam a discussão matematicamente aberta. Contudo, só matematicamente porque ao piloto de Mafra basta um segundo lugar numa das três provas que faltam, para assegurar o título das 2RM.
No CPR 2RM, contam apenas os seis melhores resultados (‘atiram-se’ fora duas provas) pelo que as contas são mais fáceis de fazer para o líder do campeonato.

João Rodrigues e Bruno Carvalho não se limitaram a aproveitar os problemas dos adversários: desde o Rally de Lisboa, venceram em contextos muito diferentes, com domínio absoluto em casa, autoridade em Castelo Branco, maturidade numa estreia exigente na Madeira e velocidade acompanhada de gestão em Chaves-Verín.
A sequência de quatro triunfos fez do líder a referência desportiva do campeonato e colocou todos os rivais numa posição em que já não basta serem regulares — precisam de ganhar (e muito) e esperar por vários erros ou azares do piloto de Mafra.

Há uma precisão importante no enquadramento: o Rali da Água foi a sexta ronda realizada no contexto do CPR absoluto, mas apenas a quinta prova efetivamente disputada pelo CPR 2RM. O Rallye Vidreiro, inicialmente previsto para abrir a época, foi adiado devido aos efeitos da tempestade Kristin e passou para 20 e 21 de novembro; por isso, após Aboboreira, Lisboa, Castelo Branco, Madeira e Água, continuam a faltar Algarve, Seis Cidades e Vidreiro.

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Classificação atual
A classificação provisória após o Rali da Água apresenta João Rodrigues destacado, Pedro Silva promovido ao segundo lugar e Hélder Miranda relegado para terceiro após o abandono em Chaves-Verín. Pedro Câmara é quarto, a 65 pontos do comando, enquanto Rafael Cardeira fecha o primeiro grupo com 45 pontos

Tabela do Campeonato

Uma época em cinco actos

Aboboreira: Câmara abre o jogo
A temporada começou no Rali Terras d’Aboboreira com Pedro Câmara e João Câmara a assumirem imediatamente o papel de protagonistas. O jovem açoriano venceu a primeira classificativa, geriu a resposta de Hélder Miranda e conquistou as 2RM por apenas 4,4 segundos, acrescentando também os triunfos na Peugeot Rally Cup Portugal, na Peugeot Rally Cup Ibérica e na categoria Júnior.
Hélder Miranda saiu da ronda inaugural como o adversário mais próximo e somou ainda os três pontos da Power Stage, enquanto Emanuel Figueiredo completou o pódio. João Rodrigues teve um arranque condicionado por um contratempo mecânico e perdeu mais de um minuto na primeira especial, mas recuperou até ao quarto lugar; Pedro Silva, por sua vez, caiu de quarto para oitavo devido a problemas no último troço.
A primeira prova deixou duas mensagens. Câmara tinha velocidade para discutir o título e Rodrigues, mesmo num dia adverso, conseguia limitar os estragos. Esse quarto lugar, acrescido de um ponto extra, viria a ser o único resultado do atual líder fora do primeiro posto.

Lisboa: a primeira demonstração
No Rally de Lisboa, João Rodrigues transformou o conhecimento das estradas de Mafra e da região saloia numa exibição categórica. Venceu dez das onze especiais e terminou com 58,6 segundos de vantagem sobre Danny Carreira, iniciando a série de quatro triunfos que o levou ao comando destacado do campeonato.
A prova alterou também a hierarquia entre os candidatos. Pedro Câmara, vencedor da Aboboreira, capotou logo na primeira especial e abandonou, enquanto Pedro Gastão chegou ao terceiro lugar das 2RM, Pedro Silva foi quarto e Rafael Cardeira quinto; Hélder Miranda, embora terceiro entre os concorrentes da Peugeot Rally Cup Portugal, ficou mais atrás na classificação global das 2RM.
Danny Carreira protagonizou aqui o ponto alto da sua temporada. O segundo lugar valeu-lhe 20 pontos, mas ficou isolado entre três abandonos — Aboboreira, Castelo Branco e Rali da Água — que impediram uma campanha consistente.

Castelo Branco: Rodrigues distancia-se
Em Castelo Branco, João Rodrigues assumiu a liderança na segunda classificativa e terminou com cerca de 1m34s de vantagem para a concorrência mais próxima. Pedro Silva começou com um toque que colocou em risco a continuidade, mas recuperou em estradas que conhecia bem e alcançou um segundo lugar determinante para as contas do campeonato.
A disputa pelo terceiro lugar prolongou-se até à última especial. Hélder Miranda bateu Anton Korzun por menos de sete segundos, enquanto os abandonos de Rafael Cardeira, devido a uma falha nos travões, e de Danny Carreira, por avaria mecânica, retiraram dois potenciais candidatos aos lugares de honra.
Pedro Câmara não participou, privilegiando o programa nos troféus Peugeot. A ausência ajudou Rodrigues a ganhar espaço no CPR 2RM, mas não retirou valor ao triunfo: o piloto de Mafra foi novamente o mais rápido e não deu oportunidades aos adversários presentes.

Madeira: vitória com maturidade
A estreia de João Rodrigues no Rali da Madeira poderia ter sido um ponto vulnerável, mas tornou-se numa das suas vitórias mais significativas. Depois de Rafael Cardeira ganhar a superespecial inicial, Rodrigues passou para a frente na terceira classificativa, respondeu à pressão de Anton Korzun e Pedro Câmara e chegou ao final com 15,9 segundos de vantagem.
Korzun, vencedor das 2RM na edição anterior, começou por ser o perseguidor mais próximo, mas abandonou após um acidente. Câmara aproximou-se a apenas 2,4 segundos, porém Rodrigues respondeu, aumentou a diferença para sete segundos no final do primeiro dia e para 18,5 na manhã seguinte, antes de gerir até à meta.
Pedro Câmara foi segundo e Hélder Miranda terceiro, a mais de dois minutos. Pedro Silva terminou em quarto e manteve a linha de regularidade; Rafael Cardeira conseguiu chegar ao fim apesar de um capotamento que comprometeu o resultado, enquanto Korzun voltou a sair de uma prova sem pontos relevantes para a geral.[4][11]

Água: domínio e reviravolta
No Rali da Água, João Rodrigues venceu sete das dez classificativas, somou os três pontos da Power Stage e terminou 41 segundos à frente de Pedro Silva. Luís Caetano completou o pódio e venceu entre os Júniores, confirmando a melhor prestação da sua época.
O líder teve, ainda assim, um aviso. Na superespecial, com os pneus ainda frios, travou tarde para uma rotunda e perdeu momentaneamente o controlo do Peugeot; não houve danos nem risco para o público, e o incidente não alterou o resultado final.

A grande viragem aconteceu atrás. Hélder Miranda terminou o primeiro dia a 12,1 segundos de Rodrigues e apresentava-se como o principal desafiante, mas sofreu uma violenta saída de estrada na primeira passagem por Alto Tâmega, no início de sábado. Miranda e Mariana Machado saíram ilesos, porém o abandono entregou a segunda posição do campeonato a Pedro Silva.
Anton Korzun também abandonou após um acidente na PEC8 quando discutia o segundo lugar com o Lancia de Pedro Silva. Pedro Câmara perdeu tempo com um furo no primeiro dia, terminou apenas em sétimo entre os pilotos pontuáveis, mas reduziu os prejuízos ao marcar dois pontos na Power Stage.

Os protagonistas

João Rodrigues: ritmo e controlo
O percurso do líder divide-se em duas fases muito claras: recuperação na Aboboreira e domínio nas quatro provas seguintes. O Peugeot 208 Rally4 venceu em Lisboa, Castelo Branco, Madeira e Água, permitindo a Rodrigues juntar quatro resultados máximos consecutivos a um quarto lugar.
Os 125 pontos incluem 11 obtidos em Power Stages, sinal de que a vantagem não nasceu apenas da regularidade ou dos abandonos alheios. Rodrigues tem sido rápido no momento de atacar, mas também soube gerir quando a margem e os riscos o aconselharam, como aconteceu na Madeira e depois do acidente de Miranda em Chaves-Verín.
A diferença essencial face aos adversários está na combinação entre andamento e ausência de resultados nulos. Câmara, Miranda, Cardeira, Carreira e Korzun perderam pontos com acidentes, avarias ou ausências; Rodrigues terminou sempre e, desde Lisboa, terminou sempre em primeiro.

Pedro Silva: consistência contra velocidade
Pedro Silva e Valter Cardoso constituem a principal alternativa classificativa ao líder, mesmo sem terem vencido. O Lancia Ypsilon Rally4 HF — a grande novidade técnica do pelotão — começou com um oitavo lugar condicionado por problemas finais na Aboboreira, mas depois somou um quarto em Lisboa, um segundo em Castelo Branco, um quarto na Madeira e outro segundo no Rali da Água.
A subida ao segundo lugar é o prémio da regularidade. Em Castelo Branco, Silva recuperou de um toque que quase ditou o abandono; em Chaves-Verín, manteve-se na luta com Korzun e capitalizou os acidentes do ucraniano e de Miranda, terminando a 41 segundos do vencedor.
O desafio agora é transformar presença constante no pódio em vitória. Com 49 pontos de atraso, repetir segundos lugares não será suficiente: Silva precisa de se aproximar do ritmo de Rodrigues nas provas de terra e, ao mesmo tempo, continuar a evitar os resultados nulos que afetaram quase todos os outros candidatos.

Hélder Miranda: do equilíbrio ao revés
Hélder Miranda foi o piloto mais consistente do primeiro bloco da época. Terminou a Aboboreira a apenas 4,4 segundos de Câmara, foi terceiro em Castelo Branco e repetiu o pódio na Madeira, resultados que o mantiveram como perseguidor direto de Rodrigues antes do Rali da Água.
A campanha também revelou alguma irregularidade: em Lisboa, não conseguiu acompanhar a frente das 2RM, e em Chaves-Verín o esforço para manter o ritmo terminou num acidente aparatoso quando estava a 12,1 segundos do líder. O abandono fê-lo cair para terceiro, com 68 pontos, mas o resultado nulo poderá ser descartado no cálculo final. A deslocação ao Algarve, em terra, surge como oportunidade de reação. Miranda e Mariana Machado já assumiram publicamente a vontade de regressar nesse piso, mas precisam de conjugar a velocidade exibida na Aboboreira e no primeiro dia do Rali da Água com uma margem de segurança maior.

Pedro Câmara: um programa dividido
Pedro Câmara é, em velocidade pura, o adversário que mais perto esteve de quebrar a sequência de Rodrigues. Venceu a Aboboreira, aproximou-se a 2,4 segundos na Madeira e acabou essa prova apenas 15,9 segundos atrás, mas a campanha nacional foi fragmentada pelo capotamento em Lisboa, pela ausência em Castelo Branco e pelo furo no Rali da Água.
O quarto lugar e os 60 pontos não contam toda a história porque o objetivo prioritário está na Peugeot Rally Cup Ibérica. Câmara saiu o Rallye Villa de Llanes no comando desse troféu, com 50 pontos, depois de vencer na Aboboreira e ser segundo no Rallye Rías Baixas, onde ganhou também a Power Stage.
Essa opção estratégica reduz a pressão pelo CPR 2RM, mas torna Câmara um elemento decisivo nas provas em que participa. Mesmo sem ser o rival mais próximo em pontos, tem andamento para retirar vitórias e pontuações de Power Stage a Rodrigues, Silva ou Miranda.

Rafael Cardeira: rapidez sem recompensa
Rafael Cardeira ocupa o quinto lugar com 45 pontos e uma sequência de resultados que mostra competitividade, mas também oportunidades perdidas: sétimo na Aboboreira, quinto em Lisboa, abandono em Castelo Branco, sexto na Madeira e quinto no Rali da Água.
Em Castelo Branco, uma falha nos travões interrompeu a prova quando estava bem colocado; na Madeira, um capotamento destruiu as possibilidades de um resultado mais forte, embora tenha conseguido levar o Peugeot até ao final. Os dois episódios explicam por que razão o ritmo mostrado em vários troços não se traduziu numa posição mais elevada no campeonato.

Luís Caetano: crescimento confirmado
Luís Caetano fez o percurso mais claramente ascendente entre os pilotos do segundo grupo. Depois de um nono lugar na Aboboreira, um oitavo em Lisboa e um sétimo em Castelo Branco, não participou na Madeira, mas regressou no Rali da Água com um terceiro lugar absoluto nas 2RM, vitória entre os Júniores e um ponto na Power Stage.
Com 36 pontos, ainda está distante do primeiro grupo, mas o pódio em Chaves-Verín mostra que pode interferir na distribuição de pontos nas últimas provas. A evolução assume particular interesse para o Vidreiro, onde Caetano e Tiago Pereira terão o fator casa e poderão tornar-se adversários diretos dos candidatos ao título.

O pelotão perseguidor
Afonso Santos é sétimo, com 34 pontos, construídos sobretudo através dos quintos lugares na Aboboreira e em Castelo Branco e do sexto posto no Rali da Água. Nuno Coelho segue com 32, depois de ser sexto na abertura, sétimo em Lisboa e quarto em Chaves-Verín, resultado que o recolocou entre os melhores do segundo grupo.
Afonso Seixas e Pedro Gastão estão empatados com 22 pontos, mas por percursos diferentes. Seixas pontuou nas cinco provas, ainda que quase sempre longe dos lugares cimeiros; Gastão concentrou a maior parte da sua pontuação no terceiro lugar obtido no Rally de Lisboa.
Danny Carreira e Anton Korzun são os casos mais evidentes de velocidade anulada por falta de resultados. Carreira foi segundo em Lisboa, mas abandonou as outras três provas em que participou; Korzun marcou praticamente todos os seus 16 pontos com o quarto lugar e os dois pontos extra de Castelo Branco, tendo abandonado Aboboreira, Lisboa, Madeira e Rali da Água.

Contas ainda abertas
A vantagem de 49 pontos dá a João Rodrigues uma margem quase decisiva, mas não encerra matematicamente o campeonato. Cada rali distribui 25 pontos pela vitória e até três na Power Stage, pelo que ainda existem 84 pontos brutos disponíveis nas três rondas finais.
O regulamento determina que o CPR 2RM é composto por oito ralis e que apenas os seis melhores resultados entram na classificação final. Isso significa que Rodrigues tem a vida verdadeiramente facilitada, pois mesmo eliminando os seus resultados mais fracos, dificilmente lhe foge o título. Até ao final do campeonato, basta-lhe um segundo lugar, 20 pontos.
Na prática, o favoritismo é muito grande, está claramente do lado do líder, mas os descartes ainda deixam alguma margem, mas muito pouca para os adversários.

Três terrenos decisivos
O Rallye Casinos do Algarve, marcado para 2 e 3 de outubro, abre a fase final com cerca de 119 quilómetros cronometrados em terra e uma Power Stage em São Marcos da Serra. A mudança de asfalto para terra constitui um teste importante, porque três das quatro vitórias consecutivas de Rodrigues foram obtidas em asfalto e a única ronda de terra já disputada, a Aboboreira, terminou com o piloto no quarto lugar após problemas iniciais.

Segue-se o Rally Seis Cidades Norte de Portugal, integrado no Europeu de Ralis e previsto para 23 a 25 de outubro, novamente em terra. A dimensão internacional, o maior número de concorrentes e a necessidade de gerir o CPR dentro de uma prova ERC poderão tornar a distribuição dos pontos menos previsível.

O Rallye Vidreiro encerra o campeonato em 20 e 21 de novembro, no regresso ao asfalto. Adiada no início do ano devido às consequências da tempestade Kristin na região de Leiria, a prova poderá tornar-se numa verdadeira final, sobretudo se Pedro Silva e Hélder Miranda conseguirem reduzir a diferença nas duas rondas de terra, ainda que se tudo correr normalmente a todos, não têm andamento para o líder do campeonato, mas é nesse tipo de piso que os ralis são mais ‘abertos’.

João Rodrigues chega ao momento decisivo com tudo o que um candidato ao título pode desejar: maior velocidade média, quatro vitórias consecutivas, pontuação forte nas Power Stage e nenhum abandono. Pedro Silva responde com regularidade, Miranda com velocidade já demonstrada, Câmara com capacidade para ganhar corridas e o restante pelotão com potencial para interferir. O campeonato está muito inclinado, mas os pisos de terra, os descartes de duas provas, com três ainda por disputar impedem que a vantagem se transforme já em coroação. Mas essa pode suceder já no Algarve…

Tags: CPR 2RM
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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