Por José Caetano
Ao dia de hoje, existem mais dúvidas do que certezas sobre a organização da 49.ª edição do Rali Dakar, a oitava consecutiva na Arábia Saudita, uma vez que as tensões no Médio Oriente e na região do Golfo Pérsico, em vez de diminuírem, aumentam de dia para a dia, mas a prova da Amaury Sport Organization (ASO) inscrita no Campeonato do Mundo de Ralis-Raides copromovido por Federação Internacional do Automóvel (FIA) e Federação Internacional de Motociclismo (FIM) mantém-se agendada para a 1 a 15 de janeiro de 2027, com partida e chegada a King Abdullah Economic City, cidade na margem do Mar Vermelho, com 8390 km distribuídos por um prólogo e 13 etapas, num total de 5320 km ao cronómetro.
Mantendo-se o programa, o que é muito provável, considerando, por exemplo, o cancelamento da ronda de encerramento do WRC de 2026, que estava marcado para a Arábia Saudita, de 11 a 14 de novembro, a Toyota, marca que conta com quatro vitórias na competição, apresentar-se-á à partida, na categoria experimental Dakar Future Mission, que tem um percurso específico de cerca de 1000 km, com um protótipo que recorre à tecnologia de pilha de combustível (FCEV), que transforma hidrogénio armazenado a bordo na energia armazenada na bateria que alimenta os motores elétricos.
O DKR GR FC Hilux da Toyota GAZOO Racing tem como objetivo de demonstrar a viabilidade da tecnologia numa das provas mais exigentes do desporto automóvel. A Toyota, entretanto, anunciou os quatro parceiros oficiais de projeto que utiliza como base a Hilux de competição, que conta com motor V6 biturbo a gasolina: Jameel Motorsport, DENSO, TOYO TIRES e IAV. O protótipo está a ser desenvolvido pelo centro europeu de Investigação e Desenvolvimento da marca japonesa, localizado nas proximidades de Bruxelas, na Bélgica. Também na agenda, montagem final nas instalações europeias do fabricante e programa de testes antes da participação no rali.
Na tecnologia FCEV, o hidrogénio armazenado a bordo reage com o oxigénio do ar, produzindo eletricidade para alimentar o sistema de propulsão. Durante o funcionamento, a única emissão local resultante desta reação é vapor de água, não existindo, por isso, libertação de CO2 pelo sistema de escape. A Toyota ainda não divulgou as especificações técnicas definitivas do protótipo, nomeadamente a potência dos motores elétricos, a capacidade de armazenamento de hidrogénio, a autonomia ou o peso do protótipo. E a marca também não comunicou os nomes dos membros da tripulação.

No entanto, sabe-se que o programa de desenvolvimento está focado na redução das dimensões do sistema de pilha de combustível, na melhoria da refrigeração e no aumento da fiabilidade de todos os componentes, fatores muito importantes numa competição em que as temperaturas elevadas, a areia e as vibrações colocam à prova a resistência das máquinas.
A título de referência, a DKR GR Hilux utilizada na categoria principal do Dakar de 2026 dispõe de um V6 3.5 biturbo, motor derivado do que equipa o Land Cruiser 300, com 359 cv e 620 Nm. O chassis é tubular, a transmissão utiliza uma caixa sequencial de 6 velocidades e as suspensões independentes apresentam um curso de 350 mm. A massa mínima regulamentar é de 2010 kg. Estes dados dizem respeito ao modelo de combustão interna e não à nova versão a hidrogénio.
Mission 1000: laboratório tecnológico
A DKR GR FC Hilux não participará na categoria principal do Dakar (Ultimate), mas na criada em 2024 para permitir a participação de modelos experimentais equipados com tecnologias de propulsão alternativas. São admitidos automóveis, motos e camiões elétricos, híbridos ou alimentados por hidrogénio, num percurso próprio que acompanha o do Dakar apenas parcialmente.
No plano da Toyota para a DKR GR FC Hilux, participação em 13 etapas, num total de 1000 km de competição, o que representa um desafio muito diferente do que enfrentam os automóveis inscritos na categoria Ultimate. Para 2027, a organização do Dakar decidiu reforçar a componente competitiva da Mission 1000, introduzindo provas de velocidade e classificações diárias por pontos, com penalizações pelo incumprimento dos percursos definidos.
Outra novidade no regulamento é a possibilidade de um dos projetos participantes em 2027 poder ser selecionado para integrar o Dakar de 2028 com condições regulamentares específicas, num conceito inspirado na iniciativa Garage 56 das 24 Horas de Le Mans, a corrida-rainha do Mundial de Resistência (WEC), que também é destinada à participação de máquinas com tecnologias inovadoras.

Os quatro parceiros no projeto da Toyota
A Jameel Motorsport, organização saudita ligada ao desenvolvimento do desporto motorizado, a DENSO, fabricante japonês de componentes automóveis, a TOYO TIRES, fabricante de pneus, e IAV, empresa alemã de engenharia, são os quatro parceiros oficiais da Toyota neste projeto.
Esta iniciativa representa a primeira utilização conjunta de hidrogénio e pilhas de combustível pela Toyota nas suas atividades de competição, complementando a experiência que a marca já acumulou com motores de combustão alimentados por hidrogénio, nomeadamente em corridas de resistência no Japão.
A realização do Dakar-2027 está confirmada, mas a avaliação da situação geopolítica na região pode obrigar a organização a reavaliar as condições de logística e segurança nas próximas semanas. De acordo com diversas fontes, e como o AutoSport informou oportunamente, a ASO dispõe de percurso alternativo para o rali, confirmando-se a impossibilidade de realizá-lo na Arábia Saudita, que atravessa três países: Portugal, Espanha e Marrocos.









