NOTA: Imagem exercício de IA
Apesar de ter ressurgido nos últimos dias, o cenário de um possível abandono da Ford pela M-Sport para uma parceria com a Lynk & Co no Campeonato Mundial de Ralis (WRC) permanece, neste momento, como um mero rumor. Não existem quaisquer sinais oficiais ou indícios dessa possibilidade por parte de nenhuma das entidades envolvidas. As informações disponíveis resumem-se a notícias e comentários de bastidores que especulam sobre esta hipótese para o novo ciclo regulamentar WRC27, enquanto a M-Sport mantém a continuidade com a Ford como o seu plano principal.
Em maio, questionámos Richard Millener, da M-Sport, sobre o rumor da Lynk & Co, e a sua resposta foi inequívoca: “Não há verdade nisso. Tem havido interesse de alguns parceiros diferentes nos regulamentos e na compreensão do campeonato e para onde se está a ir. Por isso, penso que isso é positivo, mas o Malcolm (Wilson) trabalhou com a Ford durante mais de 25 anos, e ele não quer mudar. Portanto, o objetivo número um é tentar ver se há algo lá, na Ford. Mas, neste momento, estamos apenas a investigar as oportunidades e nos próximos meses, precisamos de tomar uma decisão para a M-Sport, se fazemos o nosso próprio carro ou se nos associamos a alguém.”
É importante notar que estas declarações foram feitas em maio, e a situação pode ter evoluído desde então.
Origem recente do rumor Lynk & Co
O ressurgimento deste rumor deve-se, sobretudo, a uma notícia da TuttoRally, amplamente reproduzida por vários meios de comunicação. Esta notícia descreve a Ford como um participante improvável no WRC27 e aponta a Lynk & Co como o construtor que a M-Sport estará a considerar para o novo regulamento. A peça sugere que a M-Sport poderia desenvolver um carro WRC27 com carroçaria e branding Lynk & Co, à semelhança do modelo que já utilizou no GT com a Bentley. Naturalmente, diversos outros meios ecoaram esta ideia, referindo-se a futuros WRC27 baseados numa carroçaria Lynk & Co, sempre num tom de “grande rumor”, como seria de esperar.
As declarações mais recentes de Richard Millener e da M-Sport
Desde maio, a posição de Millener tem sido consistente: o “Plano A” é manter a parceria com a Ford e desenvolver em conjunto um novo carro para o WRC27. Contudo, no podcast “SPIN, The Rally Pod” (DirtFish), Millener foi explícito ao afirmar que uma eventual parceria com a Lynk & Co só seria considerada na ausência de qualquer possibilidade de futuro com a Ford, ou seja, como uma solução de recurso e não como um objetivo atual. Em discussões públicas recentes, incluindo fóruns que abordam este rumor, reforça-se a ideia de que Millener considera “totalmente incorreta” a narrativa de que a decisão de abandonar a Ford pela Lynk & Co já estaria tomada.
Contexto: Ford, WRC27 e a necessidade de alternativas
O rumor ganha força devido a sinais de um possível desinvestimento da Ford no WRC. Estes incluem o fim do ciclo de homologação do Fiesta Rally2 sem um sucessor claro, o reforço de programas noutras frentes (como a Fórmula 1 com a Red Bull a partir de 2026 e as pick-ups Raptor em ralis-raid), e cortes progressivos no orçamento destinado aos ralis. Paralelamente, o WRC prepara o novo quadro técnico para 2027 (WRC27). A M-Sport, sendo uma empresa privada, precisa de garantir a sua continuidade com um construtor quando este regulamento entrar em vigor, o que a leva a admitir “considerar outras opções” caso a Ford não acompanhe.
A Lynk & Co surge como uma candidata credível, tendo construído um currículo sólido no WTCR/TCR World Tour (nove títulos em sete temporadas). Esta trajetória demonstra capacidade técnica e interesse em programas de fábrica, embora nada tenha sido anunciado no contexto dos ralis.
Conclusão
Em suma, não existem sinais concretos de um acordo entre a M-Sport e a Lynk & Co para o WRC27. A prioridade absoluta da M-Sport continua a ser a continuidade da parceria com a Ford. No entanto, é lógico que, nesta fase, as conversações já tenham decorrido, e tanto a manutenção da M-Sport com a Ford como a existência de negociações com a Lynk & Co são possibilidades.
Após tantos anos e uma história tão rica no WRC, questiona-se se faria sentido a Ford retirar-se numa altura em que o WRC se torna financeiramente mais acessível e os novos regulamentos permitem uma redefinição das estratégias. Esta é uma possibilidade, claro, o que justifica a existência de um “plano B” face à incerteza da Ford.
É certo que 2027 será um ano de transição no WRC, com a Toyota provavelmente a destacar-se da concorrência, o surgimento de novos projetos a ter em consideração, os Rally2 Kit WRC e Rally2 mais próximos da frente, e novos nomes a emergir, enquanto a Hyundai estará ausente. Em 2028, o cenário começará a estabilizar, e em 2029, os regulamentos do WRC abrir-se-ão a todos os tipos de motorizações, prometendo um futuro totalmente novo para os ralis.











