Uma das alterações em estudo diz respeito ao formato dos ralis. A estrutura de quinta, sexta e sábado deverá continuar a existir, mas o domingo poderá passar a concentrar-se numa única especial de aproximadamente 30 quilómetros, disputada duas vezes. A segunda passagem funcionaria como Power Stage.
A solução inspira-se em modelos já utilizados, ou em vias de implementação, em provas como os ralis da Finlândia e da Estónia. No Rali da Finlândia de 2026, por exemplo, a especial Himos-Jämsä foi escolhida como a única classificativa de domingo e disputada em duas ocasiões.
A ideia pretende facilitar a deslocação dos adeptos, simplificar a transmissão televisiva e criar uma narrativa mais clara para o último dia de competição. Um programa concentrado permitiria ainda organizar sistemas de estacionamento periférico e transportes coletivos, conhecidos como “park and ride”.
A proposta apresenta vantagens evidentes para a televisão e para o público ocasional. Um domingo com menos deslocações, horários mais previsíveis e uma especial longa disputada duas vezes poderá ser mais fácil de acompanhar, sobretudo para quem não está habituado à complexidade logística dos ralis.
Contudo, a alteração não é neutra do ponto de vista desportivo. O domingo deixaria de ter a mesma variedade de especiais e poderia tornar-se excessivamente dependente de um único troço. Existe ainda o risco de todo o último dia ser encarado apenas como uma preparação para a Power Stage, ainda que se desconheça se continua a haver 5,4,3,2,1 pontos para os cinco melhores do super-Domingo. Ou seja, o último dia a valer 10 pontos.
A concentração do domingo pode ser uma solução eficaz para a televisão e para a logística, mas não é neutra do ponto de vista desportivo. O WRC deve evitar que a Power Stage se transforme no único momento realmente valorizado do último dia, sob pena de o restante rali parecer uma longa preparação para os 30 quilómetros finais.
A solução poderá funcionar, desde que o domingo continue a ter peso real na classificação e que a especial escolhida seja suficientemente exigente para premiar velocidade, consistência e capacidade de gestão.
Se for bem executado, o modelo pode tornar o domingo no momento mais acessível do fim de semana. Uma especial longa, disputada duas vezes, com horário fixo e transmissão integral, poderá oferecer uma narrativa clara ao público sem eliminar a dureza característica do rali. Provavelmente, os organizadores vão ter maior facilidade no domingo com apenas um troço feito duas vezes, mas em contrapartida precisam de um troço mais extenso. Se neste momento está a pensar que Fafe é ‘curto’, é verdade, mas o que seria preciso fazer para aumentar significativamente a quilometragem do troço não era demasiado complicado, ‘bastava’ fazer o final de Montim, ao contrário, ligar à povoação da Lameira com um pouco de asfalto, ou mesmo abrindo um pouco o que existe em terra, daí ao antigo começo de Fafe, utilizar a antiga parte do troço em terra até Paredes, daí ligar mais um pouco em asfalto ao começo do atual Fafe e fazer tudo até ao final. Garantidamente teríamos de mais de 20 Km. Ou então, fazer o atual troço de Fafe, prolongar o final por Lagoa, um bocado em asfalto, e lugar ao troço de Luílhas. Mais de 20 Km novamente facilmente. Soluções não faltam, sem sair de Fafe como PowerStage. Mantinha os ex-libiris e tinham a quilometragem necessária…
Face à transferência do parque de assistência para Viseu, se o rali terminar na zona centro – o que é o mais lógico – o que não falta são troços seletivos que podem ter a quilometragem necessária, a começar por Arganil… já se fez 56.5 Km, portanto…











