Documentos internos do Grupo Volkswagen apontam para o fim da SEAT como marca de automóveis até ao final de 2029 e para a transferência de recursos para a CUPRA. Oficialmente, a subsidiária espanhola do consórcio alemão, o maior fabricante europeu, garante que ainda não existe uma decisão final, mas admite, pela primeira vez, a “descontinuação gradual” como um dos cenários possíveis. futuro da empresa SEAT S.A. e da fábrica de Martorell não estão em causa.
A SEAT poderá estar a aproximar-se do fim. Confirmando-se esta possibilidade, a marca deverá ser descontinuada, de forma ordenada, até 2029, para concentrar progressivamente na CUPRA todos os recursos que os responsáveis do consórcio consideram estratégicos. A informação ganhou, entretanto, uma nova dimensão. A própria SEAT S.A. publicou esta sexta-feira um comunicado em que reconhece a hipótese de desaparecimento da marca.

A versão oficial é, contudo, muito mais cautelosa do que os rumores na origem das notícias publicadas, sobretudo, na Alemanha e em Espanha, e não refere 2029. A empresa diz que a SEAT tem um roteiro de produto bem definido para os próximos anos, que inclui, por exemplo, a introdução de motorizações“mild-hybrid” (MHEV) do Ibiza e do Arona em 2027, mas reconhece que o futuro após o fim do atual ciclo de produto está em avaliação.
A regulamentação cada vez mais exigente, a pressão associada à eletrificação e o investimento necessário para desenvolver uma nova geração de automóveis tornam, segundo a própria empresa, cada vez mais difícil justificar os investimentos na SEAT.
CUPRA assume protagonismo
A estratégia descrita nos mesmos documentos internos passa por transferir para a CUPRA produtos e estruturas comerciais e produtivas da SEAT que façam sentido economicamente. A marca deverá continuar como independente, com o Grupo Volkswagen a apontar para um volume anual de vendas entre 500.000 e 600.000 automóveis.
A evolução das duas marcas sustenta a estratégia. Criada como entidade (quase) independente em 2018, a CUPRA já entregou mais de um milhão de automóveis e, oficialmente, é apresentada como o principal motor do crescimento da SEAT S.A. O objetivo é atingir uma quota de mercado de 3% na Europa, iniciar a expansão para o Médio Oriente durante o terceiro trimestre de 2027 e, a mais longo prazo, entrar nos EUA, ação que já esteve planeada para o fim da década.
Em 2025, a CUPRA vendeu 328.800 automóveis, mais 32,5% do que em 2024, enquanto a SEAT recuou 17%, para 257.400 unidades. O Ibiza continuou, ainda assim, a ser o modelo mais vendido do grupo espanhol integrado no consórcio alemão, com 94.800 unidades, seguido pelo Arona, com 72.400.
Marcatalvez acabe, empresa não
O eventual desaparecimento da marca SEAT não significa o fim da SEAT S.A., empresa que controla SEAT e CUPRA, nem o encerramento da fábrica de Martorell, nos subúrbios de Barcelona, Espanha.O próprio comunicado explica esta diferença e garante que a SEAT S.A. tem “um futuro sólido”. Mais: à medida que aumentam as suas responsabilidades industriais dentro do grupo, a empresa prevê aumentar o emprego nos próximos anos.
E Martorell também deverá ganhar importância. A SEAT S.A. lidera a industrialização da plataforma MEB21 e a produção da família de carros elétricos urbanos do maior fabricante europeu de automóveis (Cupra Raval, Skoda Epiq e Volkswagen ID. Polo e ID. Cross). A empresa pretende ainda conseguir a atribuição de uma plataforma adicional à fábrica espanhola. Este processo enquadra-se nos 10.000 milhões de euros de investimento anunciados em 2022 pelo grupo, SEAT S.A. e restantes parceiros do projeto Future: Fast Forward para a eletrificação de Espanha.
Uma história que tem já três anos
O eventual desaparecimento da SEAT também não surge do ano. Há três anos, a 4 de setembro de 2023, no salão de Munique, na Alemanha, Thomas Schäfer, então responsável pela divisão Brand Group Core do Grupo Volkswagen, afirmou que “o futuro da SEAT é a CUPRA”.
Na altura, a mensagem era diferente da atual. O Grupo Volkswagen admitia que os SEAT existentes continuariam a ser produzidos até ao fim dos seus ciclos de vida, mas sugeria que a marca poderia vir a assumir “um papel diferente” no futuro, provavelmente ligado à mobilidade urbana, com soluções como veículos de pequena dimensão e outros serviços de mobilidade.
E a SEAT já tinha começado a explorar esse caminho através da SEAT MÓ e de negócios de mobilidade partilhada, mas essa estratégia acabou por perder força. Agora, a hipótese sobre a mesa é muito diferente: já não se discute só se a SEAT deixará de fabricar automóveis para assumir outra função. A própria existência da marca é uma das opções em avaliação.










