À chegada ao Paraguai antevia-se que o segundo dia seria terrível, para as equipas, mas o que surpreendeu a caravana foi logo o primeiro com um incrível rol de furos, que afetou todos. Já no segundo dia de prova, depois de um forte temporal às cinco da manhã na zona do parque de assistência, eis que nos troços só caíram uns pingos de chuva, poucos, que nada afetou os pilotos.
Resultado,Sami Pajari entrou em vantagem para o último dia do Rali do Paraguai, ao terminar a jornada de sábado com 24,1 segundos de margem sobre a concorrência. O piloto finlandês da Toyota Gazoo Racing WRT2, navegado por Marko Salminen em cima do Toyota GR Yaris Rally1, ficou a cinco especiais de assegurar a terceira vitória consecutiva no campeonato.
Apesar de ter começado o dia com 11,9 segundos de vantagem, Pajari duplicou essa margem ao longo de nove troços cronometrados, mesmo debatendo-se com um aileron traseiro danificado, uma saída de estrada e condições de aderência em constante mutação. A previsão de chuva forte levou várias equipas a optarem por afinações mais macias para piso molhado, mas as especiais matinais revelaram-se predominantemente secas, escorregadias e bastante abrasivas.
Depois de alargar a vantagem sobre Hayden Paddon durante a manhã, o piloto da Toyota alargou a margem antes de escapar por pouco num desvio que o levou a embater numa vala na primeira passagem por Hohenau, danificando a asa traseira do GR Yaris Rally1. Após a substituição dos componentes aerodinâmicos na assistência, controlou a prova durante a tarde. Um sobressalto em Bella Vista voltou a marcar o dia, mas Pajari manteve o ritmo e a compostura perante a crescente importância da gestão de pneus: “Para mim, este é um desafio diferente da Estónia e da Finlândia”, afirmou o finlandês. “Trata-se mais de sobreviver.”
A super especial final na Costanera de Encarnación reforçou a cautela necessária. “Ainda muita coisa pode correr mal amanhã”, avisou Pajari. “Para já, está bom. Estou contente por ver que temos sido competitivos e que o carro é novamente muito fiável, mas ainda é cedo para dizer mais alguma coisa.”
A luta pelo segundo lugar e a recuperação de Adrien Fourmaux
Hayden Paddon conserva o segundo posto ao volante do Hyundai i20 N Rally1, na sua primeira participação no topo do WRC em pisos de terra desde 2018. O neozelandês, navegado por John Kennard, encontrou dificuldades para recuperar o ritmo que o tinha colocado na liderança na sexta-feira, focando-se na preservação dos pneus e em evitar incidentes. Paddon encerrou o sábado a 32,2 segundos de Elfyn Evans.
Atrás de Paddon, a discussão pelo terceiro lugar intensificou-se devido à prestação de Adrien Fourmaux. O piloto francês da Hyundai Shell Mobis World Rally Team, acompanhado por Alexandre Coria, protagonizou uma forte recuperação durante a tarde, rubricando cinco vitórias em troços e reduzindo drasticamente a desvantagem face a Elfyn Evans, líder do campeonato.
Fourmaux iniciou o dia a 55,0 segundos de Evans, mas impôs-se em Bella Vista Sur e Hohenau de manhã, somando depois três triunfos consecutivos na ronda vespertina. No final da especial 15, o gaulês reduziu a diferença para 16,0 segundos e, após novos ganhos em Trinidad e na super especial da Costanera — onde foi 9,8 segundos mais rápido do que Evans —, o atraso encurtou-se para apenas 3,3 segundos, com cinco especiais por disputar.
“Estou satisfeito com o ritmo”, referiu Fourmaux. “Apenas preciso de encontrar o equilíbrio para o desgaste dos pneus.”
Pelo seu lado, Elfyn Evans manteve a estratégia de evitar riscos excessivos num rali que já penalizou vários dos principais concorrentes. “Adrien, para ser justo, tem estado num rali diferente de todos os outros”, reconheceu o piloto britânico da Toyota. “Está a arriscar tudo, mas vamos ver amanhã.”
Outros destaques da prova paraguaia
Mais atrás na tabela, Oliver Solberg ascendeu ao quinto lugar depois de Josh McErlean sair de largo e embater em publicidade lateral no derradeiro troço, deixando ambos separados por apenas 6,3 segundos no final do dia.
O piloto da casa Diego Domínguez mantém-se na sétima posição da geral e lidera a categoria WRC2, apesar de ter cumprido parte da manhã sem óculos por os ter esquecido acidentalmente no tejadilho do automóvel. A situação foi resolvida quando a mãe e a esposa conseguiram arranjar um par de substituição com um oticista durante a assistência a meio do dia. Jon Armstrong assegura o oitavo posto, com os adversários do WRC2 Gus Greensmith e Fau Zaldivar a completarem os dez primeiros classificados.
A etapa decisiva de domingo compreende cinco especiais e 68,16 quilómetros competitivos, deixando Sami Pajari a uma manhã sem percalços de concretizar um percurso notável no WRC.
Agora resta saber como vão encarar o último dia as equipas. Evans está super pressionado por Fourmaux. O francês luta por um pódio ou talvez algo mais, mas Evans tem que pontuar forte porque Sami Pajari deve ganhar o rali.
Um tem tudo a perder, o outro nada.
Quanto aos pontos do super domingo, quem está muito atrasado vai andar forte, porque nada tem a perder. Mais uma vez, vamos ver como Evans fica no meio disto tudo.









