A liderança da Federação Internacional do Automóvel (FIA) e a nova estrutura promotora do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), encabeçada pelo grupo Cosmobilis, abriram esta semana um novo ciclo para a modalidade, prometendo uma parceria mais estreita, custos reduzidos e uma forte aposta na sustentabilidade e digitalização.
Na conferência de imprensa oficial de apresentação do projeto, o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem anunciou uma nova para o WRC, assegurando que a parceria com o novo promotor representa uma mudança radical e necessária para o campeonato. Segundo Sulayem, a FIA e o promotor atuam agora como um só corpo, garantindo harmonia e visão partilhada.
“para a FIA este é o negócio do século…”
Os carros serão, como se sabe, mais acessíveis, os custos serão reduzidos em mais de 60%, mantendo a leveza, a segurança e a espetacularidade para os adeptos.
Sulayem considera que para a FIA este é o “negócio do século”, comparando com o que sucede com o modelo da Fórmula 1 onde a FIA… recebe zero.
O foco passa por injetar capital no campeonato, melhorar a logística, a exposição mediática e apoiar os pilotos privados. Quanto à escolha da Cosmobilis e de Eric Boullier baseou-se na visão partilhada e no amor genuíno pelo desporto motorizado.
Mohammed Ben Sulayem: “Bem vindos a todos. Esta é uma conferência de imprensa diferente, diria eu. É uma nova imagem, uma nova era para o campeonato. As coisas boas levam tempo. Custou-nos muitos anos, muito trabalho árduo e tentámos de tudo… com o antigo Promotor.
Alcançámos com o antigo promotor algo bom, mas era necessário fazer uma mudança radical devido às transformações e aos desafios que enfrentamos. E depois encontrei-me com o Sr. Mascotte e… houve empatia imediata. Como disse quando apertamos as mãos no ano passado, também houve muito trabalho feito entre as equipas, mas sabíamos que essa era a decisão certa.
O que é que queremos numa nova parceria? Não lhe chamo um promotor, chamo-lhe uma parceria.
Precisamos de clareza, precisamos de trabalhar em conjunto, e não a FIA de um lado e o promotor do outro, porque isso não funciona. E hoje podem ver a harmonia que existe.
Temos uma visão? Sim. Temos um plano? Sim. Porque se falharmos a planear, se não tivermos um plano, falhamos. Quem falha a planear, planeia falhar.
Portanto, temos um plano e vai haver um forte investimento de retorno no campeonato. Quando me sentei… foi também o Eric que avançou com a ideia. Foi há cerca de um ano e meio. E a ideia foi crescendo até chegarmos aqui. Estamos aqui para fazer uma enorme mudança para o futuro.
Olhemos para as regulamentações.
O que significa acessibilidade? Acessibilidade é financeira. Se conseguirmos que os carros sejam acessíveis, eles serão acessíveis. Tivemos carros que se tornaram num produto extremamente caro. Agora reduzimos isso para baixo de 60%.
Mas e os adeptos? Os adeptos vão ter a mesma emoção. Os adeptos vão ter o mesmo som. O carro não será mais lento; será mais leve, mais seguro e rápido, mas mais acessível.
Então, qual é o plano? Traçar a entrada de mais fabricantes, atrair mais construtores. Sinto-me muito positivo hoje, posso dizê-lo claramente. Tenho o Sr. Mascotte com as suas ideias. Tenho o Eric, que tem um plano e coordenamoS-nos em conjunto. Ninguém faz as coisas sozinho. Portanto, vão ver coisas boas.
Só posso prometer o que prometi antes: que um novo promotor iria chegar. Agora já o temos.
Agora aproxima-se um novo desafio. Não se trata apenas de encontrar um promotor, mas sim o promotor certo e o investidor certo em conjunto. E agora inicia-se uma nova era, um novo desafio para nós.”
“temos um plano e vai haver um forte investimento no campeonato”
Senhor Presidente, Recentemente, vimos na imprensa que a FIA descreveu este acordo como “o negócio do século”. Diga-nos porquê.
Mohammed Ben Sulayem: “Muito simples. Não há outro negócio para a FIA que seja tão bom como este. O resto dos negócios antes de mim foram maus negócios. Digo-o muito francamente. O que é que obtivemos da Fórmula 1? Sabem quanto é que a FIA recebe? Zero! E nenhum poder. Isto já não funciona.
Portanto, melhorámos a situação… melhorámos a Fórmula E, mas os ralis são tão importantes.
Não se trata apenas de dinheiro; trata-se de trabalhar em conjunto com o promotor como um só corpo, reinvestindo no desporto, tornando-o muito melhor perante todos os desafios, ouvindo as equipas, ouvindo os pilotos, ouvindo os adeptos e ouvindo os meios de comunicação social.
E estou tão confiante de que, com este acordo, com as pessoas que temos aqui e com a sua visão, podemos torná-lo muito, muito melhor. Não um bocadinho, mas numa escala enorme. É por isso que este negócio beneficia todos e não apenas um lado.”
“Os adeptos vão ter a mesma emoção, o mesmo som, o carro não será mais lento; será mais leve, mais seguro e rápido, mas mais acessível”.
É muito inspirador ouvi-lo mencionar um fator chave: ouvir as equipas, ouvir os adeptos. O que é que se pode esperar deste acordo a partir de agora?
Mohammed Ben Sulayem: “Como disse, vamos reinvestir na equipa, no campeonato e também — quando falamos de olhar para todo o campeonato, a logística, as provas onde ele vai e os meios de comunicação social.
Precisamos de muito mais exposição. Temos bons pilotos aqui e não estou a falar apenas dos pilotos profissionais, estou a falar dos pilotos privados, dos privados. Se eliminarem os privados, não há ralis. Teriam quantos carros?
Mas a parte técnica também, os próprios carros, isso é tão importante para nós.
Mas uma coisa que vos digo: os benefícios vão ser visíveis. Estamos a discuti-lo agora. Ninguém tem de vos dizer uma mentira; se me perguntarem em que direção, é apenas numa direção: para melhor. Mas como tornar melhor? Sabem, a informação que estou a receber das equipas… chamo-lhes “as equipas”… é muito diferente de antes. Ninguém vai pegar no WRC e fugir com ele. Nem a própria FIA, nem o novo promotor que é nosso parceiro.”
“Podemos tornar os ralis muito melhores, não um bocadinho, mas numa escala enorme.”
Tocou no assunto brevemente: Cosmobilis, Park Square Capital… porquê eles? Porque é que a FIA os escolheu?
Mohammed Ben Sulayem: “Porque, para mim, eram os melhores. E quando tive a primeira reunião… vejam, há negócios e negócios. Há negócios em que pensamos “ok, vamos conseguir”, tentamos e depois não é tão bom como reunir cara a cara. Encontrei-me com o Sr. Jean-Louis e encontrámo-nos onde? Em minha casa!
Conversámos e conversámos, e sabíamos que tínhamos uma missão: torná-lo melhor. Se um promotor vem ter connosco e só quer o dinheiro que deseja, isso não funciona.
Ele precisa de ser apaixonado pelo futuro em conjunto connosco. E foi isso que senti. E depois, quando o Eric veio… de onde vem o Eric? Do desporto motorizado e apenas do desporto motorizado.
Encontrámo-nos tantas vezes e dissemos: “Ok, agora é o momento.” Mas depois, quando apertamos as mãos, o negócio estava feito. Sabem muito bem que, tendo o promotor de saída e o promotor de entrada, houve tanta coisa… e gostaria definitivamente de agradecer à equipa deles, claro, mas também à nossa equipa da FIA liderada pelo Malcolm Wilson, porque o Malcolm sabe… foi uma boa escolha tê-lo como vice-presidente, e também à nossa equipa jurídica.
Foi difícil. Foi muito difícil, porque estamos a falar de investidores inteligentes.
Não estamos a falar de pessoas que querem deitar fora o seu dinheiro ou a sua equipa. Mas, como disse, é uma nova era e, como disse agora, um novo desafio surge para nós.
Há tanto no WRC e, se me perguntarem se vou dedicar o meu tempo, estou a investi-lo novamente nos ralis, porque arrumar todas as categorias… sabem, muitas das categorias e disciplinas da FIA exigem tempo, e as coisas boas levam tempo.”
Não se trata apenas de dinheiro; trata-se de trabalhar em conjunto com o promotor como um só corpo, reinvestindo no desporto, tornando-o muito melhor perante todos os desafios, ouvindo as equipas, ouvindo os pilotos, ouvindo os adeptos e ouvindo os meios de comunicação social.









